Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Brighton: Com mais gols, pode dar outro passo à frente

Mesmo sem uma melhora ofensiva significativa, o Brighton fez sua melhor campanha na história da primeira divisão - e se finalmente conseguir fazer mais gols?

Este texto faz parte do Guia da Premier League 2022/23. Clique e leia sobre todos os times.

Cidade: Brighton
Estádio: Amex Stadium (30.000 pessoas)

Temporada passada – 9º lugar

O guia da última Premier League dizia que, com poucos reforços, era difícil imaginar que a próxima temporada seria de evolução. O Brighton levou para o pessoal. Foi tanto uma temporada de evolução que no Boxing Day havia somado mais da metade dos 41 pontos das suas últimas duas campanhas. Teve um período de baixa preocupante, com seis derrotas consecutivas entre fevereiro e março, mas conseguiu se recuperar e terminou voando novamente. Goleou o Manchester United por 4 a 0 na antepenúltima rodada da liga inglesa.

Desde a chegada de Graham Potter, em 2019, o problema do Brighton era o mesmo: desempenho muito bom, relativamente ao que tem à disposição, e dificuldade para traduzi-lo em resultados. Por isso, nunca conseguia ir além da briga contra o rebaixamento, que às vezes pareceu bastante real. Mas em 2021/22, tudo se encaixou, e o nono lugar é a melhor campanha do clube na elite desde… bom, sempre. É a melhor de todas, superando o 13º lugar em 1981/82.

E tudo isso ainda sem encontrar um tipo de jogador que costuma ser importante em times de futebol: o que faz gols. Neal Maupay foi novamente o artilheiro da equipe, pulando de oito (!) para nove (!!) bolas na rede. Com 42 no total, o ataque do Brighton não foi muito melhor do que nas duas temporadas anteriores (40 e 39), mas pelo menos encaixou os gols mais direitinho para somar 10 pontos a mais.

A preocupação é que aquela vitória contra o Manchester United foi a primeira do Brighton em casa no ano de 2022, e esse tipo de inconsistência como mandante costuma ser punida. A outra preocupação é que uma peça importante já foi embora, outra deve ir muito em breve, e o Brighton ainda está bem tímido no mercado.

Mercado

Julio Enciso, do Brighton (reprodução)

Principais chegadas: Simon Adingra (Nordsjaelland), Julio Enciso (Libertad)

Principais saídas: Yves Bissouma (Tottenham), Leo Östigard (Napoli), Simon Adingra (Union Saint-Gilloise)

Julio Enciso é um prodígio do futebol paraguaio que estreou pelo Libertad aos 15 anos e estava em um ritmo de 11 gols em 17 rodadas antes de ser contratado pelo Brighton. Era um negócio que o clube inglês queria fechar em janeiro, não conseguiu e tentou de novo em junho. Já até brincou na seleção paraguaia também, mas ainda tem 18 anos. Simon Adingra é mais veterano: 20 anos. E nem será visto pelos ingleses nesta temporada porque foi emprestado ao Union St. Gilloise.

Para todos os efeitos, o elenco de Potter será quase o mesmo da temporada passada – menos Yves Bissouma. E essa é uma perda enorme. Ele era o coração do time e um dos meias da Premier League fora do Big Six. O substituto terá que ser formado em casa. Potter pode ter um segundo problema, e provavelmente o terá porque Marc Cucurella está muito próximo do Chelsea, que atravessou o Manchester City e apresentou uma proposta melhor. Pelos valores da imprensa inglesa, essas duas vendas renderão cerca de € 80 milhões que precisarão ser bem reinvestidos.

Deniz Undav, Kauro Mitoma e Kacper Kozlowski, contratações da última temporada que foram imediatamente emprestadas, por enquanto continuam no clube e efetivamente seriam caras novas para a próxima temporada.

O elenco

Robert Sánchez está se firmando como um goleiro de elite da Premier League e será mais uma vez o dono da posição. A zaga havia ficado enfraquecida com a saída de Ben White para o Arsenal e ficou um pouquinho mais com a venda de Dan Burn para o Newcastle em janeiro. Lewis Dunk ainda é o líder do setor, escoltado por Adam Webster e Shane Duffy. Depois da saída de Burn, o versátil Joël Veltman atuou mais vezes como zagueiro. Cucurella foi uma revelação como um lateral bem ofensivo pela esquerda, mas dificilmente ficará – talvez seja anunciado no Chelsea enquanto você lê este texto.

A primeira preocupação de Potter é encontrar o substituto de Bissouma. Talvez Enock Mwepu, principal reforço para a temporada passada, ganhe mais minutos. Fez apenas 18 jogos na Premier League, prejudicado por algumas lesões. O garoto Moisés Caicedo terminou o campeonato atuando bastante e também pode dar um salto, além do também jovem Kozlowski que ainda não foi novamente emprestado.

O setor de criação segue praticamente o mesmo – o que é uma preocupação. Leandro Trossard é bastante competente, e Alexis Mac Allister está melhorando, mas Adam Lallana está cada vez mais avançando nos seus 30 anos e Danny Welbeck não se mostrou uma opção confiável a Maupay, que ainda segura a maior parte do fardo ofensivo do Brighton.

O técnico

Graham Potter, técnico do Brighton (Foto: Nathan Stirk/Getty Images/One Football)

Potter é cotado como futuro técnico da seleção inglesa. E há motivos para isso. Desde que surpreendeu no comando do Östersund, com uma vitória sobre o Arsenal no Emirates Stadium, está em plena evolução. Chamou a atenção pelo Swansea e foi contratado pelo Brighton para mudar um estilo de jogo considerado rústico sob o comando de seu antecessor Chris Hughton. Conseguiu, mesmo sem uma revolução em peças, e teve a sua melhor temporada até agora na última Premier League.

O futuro

Moisés Caicedo é cria do ótimo sistema de formação do Independiente Del Valle. Passou seis meses emprestado ao Beerschot, mas retornou em janeiro para compor o elenco de Graham Potter. Terminou a Premier League como titular e terá a importante missão de substituir Yves Bissouma. Mostrou qualidade para pelo menos tentar. Um meia que, com 20 anos, já tem 23 jogos pela seleção principal do Equador.

Expectativa para a próxima temporada

O Brighton teve possibilidade real de disputar competições europeias. Ficou a cinco pontos do sétimo lugar, que vale vaga na Conference League, e isso porque empatou seis jogos em oito no miolo do primeiro turno e perdeu seis vezes seguidas entre fevereiro e março. Logo, o próximo passo natural é evitar essas oscilações e manter o ótimo aproveitamento da última temporada. O problema é que sem uma melhora significativa do ataque é difícil confiar que terá outra campanha como aquela. Mas surpreendeu uma vez e tem um projeto muito consistente para fazê-lo novamente.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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