Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Bournemouth: De volta e sob nova direção

Após cinco anos na Premier League com Eddie Howe e um futebol ofensivo, o Bournemouth retorna, agora com Scott Parker no volante

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Cidade: Bournemouth
Estádio: Vitality Stadium (11.000)

Temporada passada – 2º na Championship

O Bournemouth não precisou de mais 116 anos para retornar à Premier League. Conseguiu o primeiro acesso à elite inglesa em 2015/16, e liderado por Eddie Howe, teve um dos projetos mais empolgantes do meio da tabela. Uma equipe que gostava de praticar futebol ofensivo e fez ótimas campanhas mesmo com recursos limitados. Uma hora bateu no teto e precisou se reorganizar. Após ser derrotado pelo Brentford nos playoffs em 2020/21, conseguiu o acesso direto com a segunda posição na Championship.

Agora treinado por Scott Parker, que conseguiu o segundo acesso em duas tentativas, após promover o Fulham, o Bournemouth começou voando. Passou as primeiras 15 rodadas invicto, com 11 vitórias, e parecia que o acesso viria com tranquilidade. Mas a Championship consegue ser brutal. Muitos jogos exigentes fisicamente em sequência. Entre começo de novembro até antes do Natal, o Bournemouth ganhou apenas uma vez e teve que remar quase tudo de novo para voltar à zona de classificação.

Abril começou com preocupações. Três jogos sem marcar, e o Nottingham Forest se aproximando. Parker mexeu em sua escalação, do 4-3-3 para um 4-4-1-1, com Dominic Solanke atrás de Jamal Lowe, e continuou alternando táticas ao longo da partida para vencer o Coventry por 3 a 0. Vitória importante antes de receber o líder Fulham, com o qual empatou por 1 a 1. O acesso seria selado na penúltima rodada, com vitória sobre o Forest em confronto direto, graças a um gol de Kiefer Moore, que havia chegado do Cardiff em janeiro.

Dominic Solanke, atacante de 24 anos que passou pela base do Chelsea e teve algumas chances no time principal do Liverpool antes de ser comprado por uma nota pelo Bournemouth, foi o grande destaque, com 29 gols na Championship. Mesmo sem tanta propensão ofensiva quanto na época de Howe, ainda foi o segundo melhor ataque da competição – 74 gols.

Mercado 

Fredericks, do Bournemouth (Foto: Divulgação)

Principais chegadas: Joe Rothwell (Blackburn), Ryan Fredericks (West Ham), Marcus Tavernier (Middlesbrough)

Principais saídas: Robbie Brady (Preston North End), Gary Cahill (sem clube)

A janela ficará aberta por mais um mês aproximadamente. Vamos ver se o Bournemouth faz mais alguma coisa até lá. Por enquanto, parece seguir a tese de que é melhor apostar na espinha dorsal que conseguiu o acesso, com um ou outro reforço, em vez de revolucionar o time inteiro. Contratou apenas três jogadores: Joe Rothwell, Ryan Fredericks e Marcus Tavernier. É verdade que Moore, Siriki Dembélé e James Hill foram comprados em janeiro para impulsionar a campanha do acesso e são mais ou menos caras novas também.

Fredericks é o nome mais conhecido da dupla de contratações do Bournemouth. Tem 29 anos e passou as últimas quatro temporadas sendo um lateral direito relativamente competente pelo West Ham, embora muito reserva desde a chegada de Vladimir Coufal ao leste de Londres.

Rothwell, que perderá o começo da Premier League por causa de uma lesão no quadril, chegou do Blackburn, também ao fim do seu contrato. É um meia de 27 anos que chegou a defender as seleções de base da Inglaterra na época em que ainda era uma promessa do Manchester United. Nunca teve chance no time principal dos Red Devils e fez a sua carreira principalmente no Oxford United e no Blackburn. Nunca fez um jogo de Premier League.

Marcus Tavernier foi o único que exigiu uma taxa de transferência, cerca de € 10 milhões. Meia versátil de 23 anos do Middlesbrough, pode atuar pelo centro ou pelos lados. Existe a expectativa que ele tenha chegado para ser ala esquerdo, com Parker pensando em mudar sua formação para um 5-2-3.

O técnico cobrou publicamente a contratação de mais zagueiros, após Gary Cahill deixar o clube e Nathaniel Phillips retornar ao Liverpool. O Liverpool Echo publicou essa semana que o Bournemouth está tentando mais uma vez a contratação de Phillips, que foi bem nos seis meses que passou no Vitality Stadium por empréstimo.

Um reforço importante será David Brooks. O meia de 24 anos anunciou em outubro que havia sido diagnosticado com um câncer. Após tratamento, deu a boa notícia em maio: está curado e liberado para retomar a carreira. Inclusive com um olho na Copa do Mundo porque, antes do problema de saúde, costumava ser convocado por Gales.

O elenco

No balanço geral, talvez esteja pior do que na temporada passada, o que não é muito bom sinal. Isso porque, além de Phillips, Todd Cantwell e Ethan Laird também retornaram de empréstimo aos seus clubes (Norwich e Manchester United, respectivamente). Fredericks repôs a saída de Laird, e Rothwell e Tavernier são mais opções no meio-campo, mas a defesa principalmente está bastante frágil. Parker tem apenas três zagueiros à disposição: Lloyd Kelly, Chris Mepham e James Hill. Adam Smith é uma opção experiente às laterais, e o jovem Jordan Zemura, 21 anos, foi o titular na esquerda. Aaron Ramsdale foi substituído por Mark Travers, goleiro irlandês de 23 anos formado em casa.

Algumas figurinhas carimbadas começam a aparecer no meio-campo. Jogadores remanescentes das campanhas na Premier league, como Jefferson Lerma e Lewis Cook. O dinamarquês Philip Billing contribuiu com 10 gols a partir daquele setor. Ryan Christie se tornou uma peça central na ligação depois de ser contratado do Celtic, com a ajuda do ponta esquerda Jaidon Anthony e Jamal Lowe. Filho de mãe brasileira, Emiliano Marcondes foi reserva após chegar do Brentford ao fim do seu contrato.

Todo mundo tentando municiar Solanke, que teve sua contratação, por cerca de € 20 milhões, contestada quando marcou apenas três gols em 32 rodadas da Premier League na campanha do rebaixamento. Mas ele encontrou o caminho na segunda divisão e retorna à elite com 44 tentos em duas temporadas na Championship. Agora terá que provar que seu faro de gols continuará contra adversários mais fortes.

O técnico

Parker, técnico do Bournemouth (Foto: Naomi Baker/Getty Images/One Football)

Ex-meia de Chelsea, Newcastle, West Ham e Tottenham, Parker começou na base dos Spurs e teve sua chance como interino do Fulham para terminar uma temporada na Premier League que já estava perdida. Foi mantido para a Championship e conseguiu o acesso na primeira tentativa. Não conseguiu, porém, uma campanha muito melhor na elite e deixou o Fulham após uma nova queda. Foi imediatamente anunciado como o substituto de Jonathan Woodgate e conseguiu a promoção, novamente na primeira tentativa. É um jovem técnico de 41 anos que começa a deixar uma marca importante nesse mercado de sobe e desce de divisões.

O futuro

É possível argumentar o capitão do time já é o presente, mas Lloyd Kelly ainda tem 23 anos. Ganhou a braçadeira no começo da última temporada e não se intimidou diante da responsabilidade. Entrou no time do campeonato na segunda divisão e agora retorna à Premier League querendo apagar a experiência anterior, quando perdeu quase todos os jogos por lesão, após ser contratado do Bristol City. Fez apenas oito, na reta final.

Expectativa para a próxima temporada

Não cair, e vai ser difícil, porque talvez tenha o pior elenco da Premier League. O atenuante é ainda contar com alguns jogadores da última vez em que participou da elite. O desafio, porém, será enorme para Parker, que ainda tem algumas semanas para convencer a diretoria a lhe dar um pouco mais de recursos para evitar mais um rebaixamento.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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