Premier League

Guia da Premier League 2020/21 – West Ham: Eternamente em crise

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Cidade: Londres
Estádio: Estádio Olímpico de Londres (60.000 pessoas)
Técnico: David Moyes
Posição em 2019/20: 16º
Projeção: Meio de tabela
Principais contratações: ninguém
 Principais saídas: Grady Diangana (West Brom), Albian Ajeti (Celtic-ESC), Jordan Hugill (Norwich), Roberto (Valladolid), Pablo Zabaleta (sem clube), Carlos Sánchez (sem clube)

O clima nunca está 100% no West Ham, desde a mudança para o Estádio Olímpico e as contínuas decepções e decisões controversas que levam a torcida a protestar contra os donos sempre que podem, mas a temporada havia terminado relativamente bem. Apenas uma derrota nas últimas sete rodadas, com vitória sobre o Chelsea e uma goleada, garantiu a permanência na Premier League com mais facilidade do que o esperado. Havia uma espinha dorsal entre o meio-campo e o ataque a qual se apegar, e David Moyes até fizera o time jogar melhor. No entanto, não há paz que dure menos do que a paz do West Ham.

O pivô da crise foi o garoto Grady Diangana. Cria da base, havia feito algumas partidas pelo clube em 2017/18 antes de ser emprestado para o West Brom para continuar seu desenvolvimento. O veloz ponta esquerda foi um dos destaques da campanha de acesso. Não foi à toa que Slaven Bilic cobrou sua contratação em definitivo. Mas, ao aceitar a proposta, a diretoria do West Ham causou a ira de alguns dos seus principais jogadores.

E bota principal nisso. O mais explícito foi o capitão Mark Noble. “Como capitão deste clube de futebol, estou devastado, irritado e triste que Grady foi embora. Grande garoto com um grande futuro!”, escreveu, nas redes sociais. O volante Declan Rice, na lista de interesses do Chelsea, curtiu a postagem, e Jack Wilshere enviou uma mensagem pública para Diangana: “Vá e faça o que sabe fazer em um clube que o respeita. Grande jogador com um grande futuro”.

O West Ham explicou em um comunicado que tomou a decisão de vender o garoto de 22 anos “com relutância”, mas porque considerou ser “no melhor interesse” do clube e prometeu reinvestir todo o dinheiro recebido em reforços para ter a “melhor chance possível de garantir uma equipe equilibrada para competir na Premier League”, e você terá que perdoar o torcedor dos Hammers se ele não conseguir mais ficar animado com a promessa de reforços porque o que o clube mais fez nos últimos anos foi contratar jogadores e, se acertou um ou dois, foi muito.

Pegando apenas os últimos dois anos, o projeto que teve Manuel Pellegrini e o diretor Mario Husillos à frente até a demissão de ambos em dezembro do ano passado, foram contratados Felipe Anderson, Issa Diop, Andriy Yarmolenko, Lukasz Fabianski, Lucas Pérez, Fabián Balbuena, Xande Silva, Jack Wilshere, Carlos Sánchez, Ryan Fredericks, Samir Nasri, Sébastian Haller, Pablo Fornals, Jarrod Bowen, Albian Ajeti, Darren Randolph, Tomas Soucek, Gonçalo Cardoso, Roberto e David Martin, e o argumento da diretoria é que um garoto promissor precisa ser vendido porque a equipe ainda está desequilibrada, mas, não se preocupem, as mesmas pessoas que a deixaram desequilibrada, apesar de £ 200 milhões em duas dúzias de jogadores vão reinvestir o dinheiro – que nem é muito, em torno de £ 18 milhões.

Não temos tempo de passar um por um, mas, pegando apenas os greatest hits, Wilshere, por exemplo, fez seis jogos como titular desde que chegou do Arsenal, dois anos atrás, com um contrato de três temporadas. Felipe Anderson custou € 38 milhões e, se houver interessados, o que é um grande se, deve ser vendido, segundo a The Athletic, para que o West Ham possa reinvestir um pouco mais. Depois de uma boa primeira temporada, fez apenas um gol em 25 jogos e atuou três minutos nos sete últimos jogos da campanha, essenciais para o clube ficar na Premier League – os jogos, não os minutos. Há três zagueiros naquela lista. Gonçalo Cardoso tem 18 anos e nem entrou em campo. Os outros dois, Diop e Balbuena, se juntaram a Ogbonna em uma defesa que foi vazada 62 vezes. Haller, um excelente jogador no Eintracht Frankfurt, custou £ 45 milhões e teve alguma dificuldade para encostar na bola. Fez sete gols em 32 jogos.

Mas se ainda há buracos tão grandes, a diretoria não está certa em querer contratar mais jogadores? Sim e não. Realmente, alguns reforços viriam a calhar, especialmente para a zaga e as laterais, mas não ao custo de mais um golpe na identificação da torcida com o time. A alma do West Ham ainda está presa no Upton Park, demolido após a mudança para Stratford, e relação entre as arquibancadas e o gramado parece ficar mais distante a cada ano que se passa. Um promissor jovem talento crescendo e se desenvolvendo com a camisa dos Hammers não resolveria todos os problemas, mas seria um bom começo.

Em vez disso, o West Ham preferiu tirar um troco para contratar, e é aqui que a história fica realmente engraçada. No final de janeiro, David Moyes compartilhou a estratégia de mercado que queria colocar em prática: “interromper a ideia de que estamos comprando apenas para preencher lacunas” e ter a visão para  trazer “jogadores jovens e com fome”. Ou seja, para contratar jogadores “jovens e com fome” vendeu o jovem e com fome que já tinha. Enfim, o próprio retorno de Moyes ao West Ham foi uma decepção, porque a expectativa foi alta pelo trabalho de Manuel Pellegrini.

A ideia era que um elenco que tinha talento em vários setores, apesar dos erros de recrutamento, poderia dar um salto com um treinador experiente e vitorioso. O décimo lugar em sua primeira temporada foi aceitável, mas apenas cinco vitórias em 19 rodadas na campanha seguinte custaram o seu emprego. Moyes conseguiu, às duras penas, endireitar o barco, melhorou um pouco o desempenho e deu até uma cara ao time. Tomas Soucek e Declan Rice fazem uma baita dupla de volantes, Jarrod Bowen, reforço de janeiro, chegou com tudo, Antonio emendou gols como atacante e até Yarmolenko e Fornals deram alguns sinais de vida.

Havia uma base sobre a qual construir, mas, agora, a menos que Messi reverta a decisão de ficar no Barcelona e queira muito, muito, muito jogar no leste de Londres, o West Ham entrará mais uma vez na temporada em atrito não apenas com sua torcida, mas também com líderes do vestiário. E, aliás, ainda não foi feita nenhuma contratação.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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