Premier League

Gerrard gerou expectativas, mas sai em baixa do Aston Villa, demitido após 40 partidas no cargo

Gerrard se desgastou bastante durante os últimos meses e os resultados ruins culminaram em sua demissão

Durou apenas 40 partidas a passagem de Steven Gerrard pelo comando do Aston Villa. O treinador parecia pronto a encabeçar uma guinada à frente dos Villans, o que realmente conseguiu nos primeiros meses, quando afastou os riscos de rebaixamento e conquistou bons resultados. A segunda temporada de Gerrard no Villa Park, entretanto, se tornou claudicante. O time fazia um mau início na Premier League e parecia haver uma quebra de confiança nos vestiários. Não se via uma identidade em campo ou um padrão nas formações. A gota d’água aconteceu nesta quinta-feira, após a derrota por 3 a 0 para o Fulham. Gerrard foi demitido com a equipe à beira do Z-3.

A maneira como o anúncio aconteceu foi curto e grosso. O Aston Villa publicou um comunicado de duas frases, em que confirmou que Gerrard deixou o clube de maneira imediata e que trouxe a frase de um porta-voz “agradecendo o trabalho duro e o comprometimento”. Indício de que a relação interna havia azedado. Segundo a imprensa de Birmingham, Mauricio Pochettino é candidato ao cargo. Thomas Frank, do Brentford, é outra alternativa cogitada pela diretoria.

A primeira temporada de Gerrard no Aston Villa sugeria um trabalho de longo prazo. O treinador chegou como uma grande aposta, por seu excelente período à frente do Rangers, ao encabeçar a reconstrução do clube. E o efeito positivo se notou na Premier League passada. Gerrard substituiu Dean Smith com os Villans no 16° lugar e conseguiu uma sequência de quatro vitórias nas seis primeiras partidas, inclusive vendendo caro as derrotas para Manchester City e Liverpool. O time subiu ao décimo lugar e dava bons indícios, até pelo destaque de alguns jogadores. Mas o Villa também encarou suas oscilações.

Durante o segundo turno da última Premier League, o Aston Villa se manteve na zona intermediária da tabela. Entretanto, também sofreu uma queda de rendimento na reta final do campeonato e perdeu posições, mesmo que isso não tenha culminado num risco maior. Foram apenas duas vitórias nos últimos dez compromissos, com um lampejo no duelo contra o Manchester City na rodada final, em virada que deu o título aos celestes.

O Aston Villa não quebrou a banca, mas fez investimentos para a atual temporada. Assegurou a permanência de Philippe Coutinho, trouxe reforços como Diego Carlos e Boubacar Kamara. Era de se imaginar que a pré-temporada concedesse mais força ao trabalho de Gerrard. Não foi o que se viu. As lesões atrapalharam bastante, com Diego Carlos e Boubacar Kamara logo no estaleiro, bem como Lucas Digne. Ainda assim, com as peças disponíveis, dava para fazer mais. Faltava uma identidade de jogo mais clara, dentro de um elenco sem equilíbrio. A fase ruim de Philippe Coutinho, homem de confiança do treinador, era outro entrave.

O Villa teve uma primeira metade de turno acessível. Perdeu para times como Bournemouth e Crystal Palace, além de ceder empates a Leeds e Nottingham Forest. Os resultados contra os favoritos do campeonato nem foram tão ruins, com empate diante do Manchester City e derrotas apertadas para Arsenal e Chelsea. Entretanto, o rendimento do time não agradava, com somente duas vitórias até então, e a situação interna não parecia das melhores. O ambiente era instável e os 3 a 0 para o Fulham nesta quinta simbolizaram a apatia. Os Villans poderiam ter perdido de mais, em resultado que se abriu após a expulsão de Douglas Luiz. Tyrone Mings, que perdeu a braçadeira no início da temporada, ironicamente anotou um gol contra para fechar o placar.

O setor visitante de Craven Cottage pedia a demissão de Gerrard. Antes de saber o seu destino, o treinador ainda participou da coletiva de imprensa. Disse que “sair não estava em seu DNA”, mas a ideia da diretoria era outra. Poucos minutos depois, surgiu a nota oficial. Os desgastes e a postura evasiva nas coletivas de imprensa certamente pesaram na decisão. Ao menos, resta tempo para a recuperação. Mesmo somando quatro rodadas sem vencer na Premier League, o Aston Villa está um ponto acima da zona de rebaixamento. A forma era pior que os resultados, enquanto as relações internas minaram mais seu trabalho.

Neste momento, é difícil imaginar Gerrard numa oportunidade tão boa na Premier League. O antigo ídolo parece um dia fadado a trabalhar no Liverpool, mas hoje não se indica como um treinador pronto. Se a reconstrução do Rangers merece reconhecimento, ele não soube reinventar seu trabalho no Aston Villa em poucos meses, passada a empolgação inicial. Sai em baixa. Os Villans continuam com um elenco qualificado para escapar do descenso e encontrar um treinador que beneficie mais o ambiente atual.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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