Fundo de investimentos promete liberar £1 bilhão para clubes ingleses manterem seu fluxo
A Premier League permanece como uma das ligas nacionais que aguardam sua retomada após a paralisação causada pela pandemia de COVID-19. No entanto, os 20 clubes da liga e os demais da Football League (as três divisões logo abaixo) podem ter uma alternativa para enfrentar a crise financeira, diante de uma oferta de apoio aos seus cofres. Conforme a ESPN americana, um grupo de financiadores deseja disponibilizar uma linha de crédito no valor de £1 bilhão, que permitiria aos times lidaram com os impactos causados pelo hiato e pela falta de público.
A Premier League ainda afirma que sua temporada terminará, mas aguarda o momento oportuno para retomar a disputa – provavelmente com portões fechados, diante do risco prolongado que as aglomerações representam na transmissão ao coronavírus. Naturalmente, os clubes temem o quanto sofreriam financeiramente com a suspensão das rodadas e parte deles já iniciou suas ações, entre cortes salariais (relativamente contidos, ante uma disputa com os jogadores) e o contestado acesso aos programas de apoio social oferecidos pelo governo britânico aos funcionários.
Conforme a ESPN, o fundo bilionário é composto por contribuições de diversos bancos e investidores, que indicaram uma alternativa à Premier League. Eles oferecerão um empréstimo para compensar a falta de fluxo de caixa e a retração nas receitas. As próprias entidades gestoras do futebol distribuiriam o dinheiro aos times e o pagamento seria negociado no futuro – com juros ou convertido em patrimônio, dependendo das negociações. A Football League também poderá ser beneficiada pela medida.
As discussões já foram iniciadas, reunindo representantes do fundo de investimentos e também de órgãos esportivos, que não incluem apenas o futebol ou a Premier League. Entre os contribuintes do fundo há empresários do futebol, o que explica um bocado o interesse direto. Com a queda das receitas, o mercado de transferências tende a ser um dos mais impactados, tanto pela diminuição de negócios quanto pela queda dos valores. Injetar dinheiro na Premier League, no topo da pirâmide, seria uma forma de reaquecer as movimentações.
“Queremos que isso funcione, porque ajudará a mostrar como os empresários – bem como os jogadores, que receberam um tratamento injusto da imprensa nos últimos tempos – se importam com o jogo apaixonadamente”, declarou Scott Smith, agente que faz parte do grupo, em entrevista à ESPN.
Vale ressaltar que a oferta bilionária talvez só transporte os problemas ao futuro. Com estimativas ainda pouco claras sobre o tamanho das finanças do futebol nos próximos anos, os juros podem pesar sobre diversos clubes. Além disso, os tipos de negociação podem deixar equipes submetidas aos interesses dos investidores, especialmente se o patrimônio entrar em jogo. Mesmo com a perda do dinheiro das bilheterias, aos dirigentes, a saída mais segura é a retomada das competições o quanto antes – e por isso a pressão é enorme.
No momento, a estimativa mais otimista fala em retomar a Premier League no início de junho. O restante do campeonato seria reduzido a algumas semanas de compromissos mais frequentes. De qualquer maneira, as próximas temporadas continuarão encarando os desdobramentos da crise, especialmente enquanto as perspectivas de manter arquibancadas vazias se mantiver por questões sanitárias. Todavia, a retomada dos jogos é importante aos dirigentes por causa do dinheiro das transmissões televisivas.
A Football League enfrenta uma situação mais extrema, diante de uma dependência maior do dinheiro das bilheterias. A Premier League ofereceu um fundo de £50 milhões aos clubes da segunda, da terceira e da quarta divisão. Também há uma garantia de mais £125 milhões. Este montante, todavia, apenas anteciparia outras fontes de receita distribuídas aos níveis inferiores. Mais abaixo, todas as divisões da liga a partir da sétima foram canceladas formalmente pela Football Association, responsável por organizá-las.



