Exigente e amado, preparador físico Gian Piero Ventroni, do Tottenham, morre aos 62 anos
Conhecido por ser muito exigente e levar jogadores ao limite físico, Ventrone também era uma figura amada por jogadores e funcionários
O Tottenham anunciou com muito pesar a morte de Gian Piero Ventrone, seu preparador físico, que tinha 62 anos. O italiano lutava contra uma leucemia. Ele era conhecido como “The Marine” (referência a membros da Marinha, nas Forças Armadas) na Itália por seu rigor nos treinamentos. Experiente, trabalhou por anos na Juventus, onde conheceu Antonio Conte ainda como jogador, e estava no Tottenham desde novembro de 2021, levado ao clube justamente por Conte.
“Estamos devastados ema nunciar que Gian Piero Ventrone morreu. Tão amável fora do campo quanto era exigente dentro dele, Gian Piero rapidamente se tornou uma figura popular com os jogadores e com os funcionários. Ele fará muita falta a todo mundo no clube e nossos pensamentos estão com a sua família e amigos neste momento incrivelmente triste”, diz comunicado do clube.
Ventrone recebeu o crédito por melhorar o preparo físico do time de forma radical. Um dos momentos que ele ficou mais famoso foi na pré-temporada, quando o time fez a preparação em Seul, na Coreia do Sul. Com 30° C de temperatura, ele fez com que os jogadores fizessem uma sessão de treinamentos muito intensa, fazendo com que muitos deles sentissem e caíssem no gramado. Harry Kane chegou a vomitar.
Apesar da imagem assustadora, os jogadores puderam ver a importância do seu trabalho e o respeito por ele era enorme. Son Heung-min fez questão de homenageá-lo quando fez seus três gols contra o Leicester, no dia 17 de setembro.
“Eu tenho um relacionamento muito, muito bom com Gian Piero. Seu inglês não é perfeito, às vezes ele vem com seu telefone e traduzindo do italiano para o inglês. Significa muito. Não tanto em termos de futebol, acho que em termos de vida ele me dá tantos conselhos, pelos quais sou muito grato. Ele ajudou muito, me deu sempre um grande abraço em tempos difíceis e mesmo nos melhores momentos, ele sempre esteve ao meu lado e de todos os funcionários”, contou Son.
Conte conhece Ventrone por muitos anos. O conheceu ainda na Juventus, quando era jogador e onde o preparador físico trabalhou de 1994 a 1999 e teve uma segunda passagem de 2001 a 2004. Foi Marcelo Lippi que o levou à Velha Senhora, em 1994, e foi também quem o levou para a sua comissão técnica na seleção italiana que conquistou a Copa do Mundo, em 2006. Ele chegou a trabalhar como assistente técnico no Ajaccio, na França, e voltou a ser preparador físico no Catania e no Guangzhou Evergande, na China, onde trabalhou com Fabio Cannavaro.
“Foi a pré-temporada mais difícil que eu já tive, diferente de tudo que eu já tinha feito antes”, contou Matt Doherty, em Seul, durante a preparação dos Spurs. “É engraçado porque normalmente quando temos um preparador físico que é assim, que está te exigindo tanto, no começo você não gosta dele, mas todos nós absolutamente o amamos. Temos tanto respeito por ele que fazemos tudo que ele nos diz”.
Ventrone tocava a “Cavalgada das Valquírias”, ópera alemã de Wagner, durante os treinamentos na Juventus, enquanto os jogadores corriam. Foi o que fez com que ganhasse o apelido de “A Marinha”. Ele colocava um “sino da vergonha” para ser tocado para o primeiro jogador a desistir. Gostava de motivar os jogadores com frases de efeito, tal qual “vencer pertence aos fortes” e “trabalhe hoje para correr amanhã”.
A Juventus também lamentou a morte de Ventrone e o descreveu como “um dos nomes históricos” do clube. “Ele empregou métodos inovadores no condicionamento físico inspirado por critérios modernos, que abriram caminho na Itália e no exterior”, diz o comunicado da Juventus.
“Sempre lembraremos de sua atenção aos detalhes, sua filosofia de trabalho e talvez seu maior talento, o entendimento de que o futebol, e especialmente os componentes fundamentais do condicionamento e da preparação física, estava entrando gradualmente em uma nova era”, continua o clube italiano.



