Premier League

Evra relembra episódio com Ferguson: “Ele deu autógrafos por 45 minutos e nos forçou a fazer o mesmo”

Alex Ferguson escreveu seu nome na história não só do Manchester United, como também do futebol mundial, sendo um treinador extremamente vitorioso e capaz de se adaptar aos novos tempos sempre que eles surgiam. Mas seu trabalho nos bastidores é a base invisível para o sucesso que construiu, e Patrice Evra revelou um episódio que ajuda a dar dimensão à figura do ex-técnico escocês.

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Em participação em um podcast oficial do Manchester United, Evra recordou um episódio de um período de pré-temporada dos tempos em que defendeu o clube inglês. Depois de uma partida, diversos torcedores aguardavam os jogadores perto do ônibus da equipe para conseguir autógrafos. Cansados, os atletas evitaram o contato, mas logo foram duramente repreendidos por Ferguson, que liderou pelo exemplo.

“Uma vez, quando estávamos em pré-temporada, antes de irmos para o ônibus, estávamos muito cansados, e, sendo sincero com você, tinha uma fila de torcedores. Os jogadores estavam pensando: ‘Se ninguém der autógrafos, os outros não precisam dar’. Então fomos direto para o ônibus. Aí, olho pela janela, e vejo o Sir Alex Ferguson dando autógrafos para cada um. Juro para você, ele deve ter dado autógrafos por uns 45 minutos, para todo mundo. Eu disse: ‘Pessoal, quando o chefe entrar no ônibus, estamos perdidos’.”

De fato, estavam. Furioso, Ferguson entrou no ônibus, deu uma de suas famosas duras e forçou os jogadores a descerem do veículo e a atender os torcedores, lembrando de sua importância para o clube. “Quem diabos vocês pensam que são? Essas pessoas estão pagando o seu salário. Essas pessoas estão vindo para ver vocês. Agora vão lá e deem autógrafos, porra”, esbravejou o escocês. “E então nós tivemos que dar autógrafo para cada um dos torcedores. Mas essa é a mentalidade (certa)”, concluiu Evra.

Mesmo aposentado e tendo deixado o Manchester United ainda em 2014, depois de oito anos em Old Trafford, Evra mantém relação muito próxima com o clube e é uma espécie de garoto-propaganda da instituição. Essa conexão foi uma consequência natural do comprometimento do francês desde que assinou com os Red Devils, em 2006. E ele ressalta aos atletas atuais do que se trata uma equipe deste tamanho.

“Quando você joga pelo Manchester United, não é por você. Não se usa o Manchester United, não é para ser famoso que você joga no United, para ser popular nas redes sociais. Você joga pelo United porque você precisa dar algo àquelas pessoas (torcedores). Quando jogam por este clube, eles (jogadores) precisam conhecer cada pessoa no clube, isso é muito importante. Não tem desculpas. Assista a alguns DVDs, como eu fiz. Isso é muito importante (conhecer a história do clube).”

Desde a aposentadoria de Alex Ferguson, em 2013, o clube descarrilou para caminhos aos quais não estava acostumado. O espírito vencedor construído pelo técnico escocês parece ter ficado para trás, mas talvez as palavras de Evra ajudem a inspirar o time atual e aqueles por vir.

“Sendo sincero, quando você vence o terceiro, o quarto e o quinto títulos, você comemora, mas não da mesma maneira. Você comemora por causa das câmeras e tal, mas não é a mesma coisa. O Ferguson ensinou todos nós a sermos como robôs. Não acho que eu era humano quando jogava pelo Manchester United. Quando vencíamos jogos, quando estava fazendo algo bom, eu não estava satisfeito. Para mim, era apenas algo normal.”

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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