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Everton se salva com gol de Doucouré e manda Leicester e Leeds para a Championship

Batalha pela permanência na Premier League teve alívio dos Toffees em Goodison Park

Eram três clubes disputando uma posição, a última fora da zona de rebaixamento da Premier League. Neste domingo (28), o Everton fez a sua parte e bateu o Bournemouth, em casa, para assegurar seu status de equipe de elite, enviando Leicester e Leeds para a Championship juntamente com o Southampton. O placar de 1 a 0 serviu para a missão de permanência, mas não sem elevar a tensão do confronto em Goodison Park.

Se a questão do título e das vagas europeias já estava resolvida antes da última rodada, ainda faltava descobrir quem seriam os últimos dois rebaixados. A situação mais fácil entre os envolvidos era a do Everton, de fato. Afinal, os Toffees jogavam em casa, contra um time que não corria risco e tampouco tinha ambição, bastando uma vitória simples. Algo que Sean Dyche está bastante acostumado, sendo ele o Rei do 1 a 0.

O Leicester, campeão de 2016, já não dependia apenas de si e tinha de bater o West Ham para se salvar, além de torcer pela desgraça do Everton. Por último, o Leeds já estava bastante complicado e precisava superar o Tottenham, além de torcer para os outros dois rivais perderem seus jogos. E assim largou a rodada final da temporada 2022-23 da Premier League, que não trouxe tantas surpresas em seu roteiro, se formos considerar a briga pelo título.

O bicho pegou mesmo na briga pelo G4 e, claro, lá embaixo. Foram muitos os concorrentes ao rebaixamento, sendo o Southampton o mais competente deles na busca por uma vaga na Championship. Piadas à parte, West Ham, Bournemouth, Nottingham Forest e até mesmo o Wolverhampton estiveram ameaçados em algum momento. Destacou-se na briga o Everton, que não soube se remontar após a saída de Carlo Ancelotti e perdeu seus principais jogadores sem uma reposição adequada nos últimos dois anos.

O Leicester de Brendan Rodgers (hoje comandado por Dean Smith) é que foi uma incógnita. Com a mesma base do elenco que disputou a semifinal da Conference League em 2022 e sonhou até o fim da temporada passada com uma vaga europeia, os Foxes decepcionaram demais e não conseguiram se recuperar de um início ruim na competição. As derrotas começaram a ficar muito pesadas e o tempo para reação se esgotou semana após semana. Sem os gols de Jamie Vardy, que duelou com muitas lesões, a tarefa ficou mais delicada.

A situação mais fácil de explicar é a do Leeds. Com um elenco que mudou muito pouco desde o acesso à Premier League, ainda com Marcelo Bielsa, o time se mostrou humilde demais para buscar reforços e o nível do plantel nunca esteve exatamente de acordo com a divisão. A formação usada por Sam Allardyce na partida deste domingo é um belo resumo do trabalho feito desde a promoção: Joel Robles, Pascal Struijk, Maximilian Wöber, Liam Cooper, Rasmus Kristensen, Luke Ayling, Jack Harrison, Robin Koch, Adam Forshaw, Weston McKennie e Rodrigo Moreno. Um elenco que pegaria metade de tabela até mesmo na Ligue 1.

Drama que é drama se vive diante da própria torcida

O drama do rebaixamento merecia de fato um desfecho mais emocionante. E foi exatamente isso que aconteceu, ainda que sem o peso e a trilha sonora de terror como vimos no clímax da Bundesliga. O Leicester não se intimidou e fez seu jogo contra o West Ham, abrindo o placar com Harvey Barnes e ampliando na segunda etapa, com Wout Faes. O resultado animava a torcida local no King Power Stadium, por conta da entrega do time e pelo espírito de decisão. Os Hammers nem fizeram menção a reagir e sequer ameaçaram o triunfo dos locais.

Seria demais pedir para um time como o Everton, treinado por Dyche, praticar um futebol agradável. Conhecido pela cautela e pelas táticas defensivas, o técnico armou uma equipe que se portou bem em campo. Emocionalmente, os Toffees encararam da maneira correta a ocasião, criando chances e tentando não atacar com tanta volúpia para não expor a própria defesa. E claro, com isso, contando que o Bournemouth não se engraçaria a tentar ganhar a partida. Muitos fatores a se considerar. No intervalo, o placar em Goodison Park marcava 0 a 0, o que significava descenso.

Já o Leeds, ah, o Leeds. Entregou cedo o taco. Com gol de Harry Kane aos dois minutos, o Tottenham arrancou para a vitória imediatamente. Virar o jogo contra um time que tinha pelo que lutar era mais complicado. Para os Spurs, era preciso somar três pontos e secar o Aston Villa para pegar a honrosa vaga para a Conference League. No fim das contas, as duas torcidas em Elland Road saíram cabisbaixas. O placar de 4 a 1 foi emblemático. Ainda marcaram Pedro Porro, Kane e Lucas Moura para os visitantes, enquanto Jack Harrison fez o gol de honra do Leeds.

Mais uma hora de aperto

O segundo tempo começou para a rodada final e tínhamos apenas dois dos três candidatos efetivamente vivos na briga. O Leeds levou o segundo gol logo na volta do intervalo e acenou com o adeus. O Everton seguia dependendo só de si, mas a bola teimava em não entrar. Ao todo, foram 13 finalizações dos Toffees, sendo seis na direção da meta de Mark Travers. Os Cherries tiveram mais a bola na etapa complementar e isso foi um tremendo desespero para Dyche e sua torcida.

Teve de pesar a vontade de vencer para que o Everton não escrevesse uma página muito triste em sua história. O clube, que não vive um momento tranquilo em meio a dívidas e a completa desesperança de dias melhores, não teria só de lidar com um rebaixamento como pior cenário. E sim uma bola de neve que poderia causar até mesmo sua própria falência. Muita coisa estava em xeque para os Toffees, que duelavam contra o relógio e o Bournemouth, que estava bem confortável tentando atrapalhar o oponente.

Eis que surge a figura de Abdoulaye Doucouré, pouco depois da marca dos 57′. A bola pipocou na área após uma tentativa de finalização de Alex Iwobi e sobrou para o meia. De frente para dois marcadores, ele não podia dominar, nem tentar o drible. Só cabia o arremate. Doucouré pegou na veia e acertou um belíssimo chute para marcar o celebradíssimo (e único) gol da tarde em Goodison Park.

É fácil de entender, mas difícil de assistir: Dyche recuou o time, reduziu os espaços no meio-campo e rezou para o tempo passar rápido. A ideia era clara: não levar contragolpes, embora isso tenha tirado consideravelmente a chance do Everton ampliar o marcador e ter mais tranquilidade. Pior: convidando insistentemente o Bournemouth para o seu campo. Jordan Pickford trabalhou bem e fez duas defesas, uma delas com grande relevância num chutaço de primeira de Matias Viña, muito parecido com o do gol de Doucouré. Quem tem bom goleiro, tem tudo.

O Everton fez o gol e abdicou completamente de tentar o segundo, em uma manobra arriscada, mas que deu resultado. A parte mais delicada para a torcida local foi suportar a espera de 10 minutos de acréscimos sem grande justificativa por parte da arbitragem. O Leicester, em seu estádio, viu o West Ham diminuir com gol de Pablo Fornals que não mudou em nada a situação geral.

A apreensão dos Toffees tinha nome: Dominic Solanke, centroavante dos Cherries que parecia farejar uma oportunidade de balançar as redes e se tornar um carrasco histórico. Com passagem pelo Liverpool, o camisa 9 saiu de campo apenas como ameaça, não como realidade. No apito final, os jogadores soltaram o grito de alívio e foram abraçados, de longe, pelas milhares de pessoas nas arquibancadas.

Ainda não foi hoje que o Everton experimentou o seu segundo rebaixamento na história, que remonta aos longínquos anos 1950. O domingo será de paz em Liverpool, mas muita coisa precisa mudar para que a tradicionalíssima parcela azul da cidade mande embora o fantasma da Championship nos próximos anos. Foram duas temporadas seguidas errando muito. Talvez a terceira não conte um capítulo final como o de hoje.

Everton
28/05/23 - 12:30

Finalizado

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Bournemouth

Everton - Bournemouth

England Premier League - Goodison Park

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes
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