Everton anula principais ameaças do Arsenal e respira fora da zona da degola
O Everton não encarou o jogo contra o Arsenal como se fosse um confronto com o time mais temido da Premier League. Neste sábado (4), os Toffees receberam os Gunners e, como nos melhores dias do Burnley de Sean Dyche, aprontou para ficar com uma vitória simples e importante, por 1 a 0, no Goodison Park.
Além da missão inglória de parar a equipe de Arteta, Dyche precisava ter também uma alternativa ofensiva. E que opção melhor do que forçar o jogo na bola parada? Antecipando sua marcação para afastar o último passe da linha ofensiva do Arsenal, o Everton passou sem grande sofrimento pela provação, uma das primeiras em sua série de decisões para permanecer na elite.
Os contragolpes dos donos da casa levaram perigo e indicavam que o melhor em campo era de fato o Everton. Mas a ansiedade e a pressão pela posição na tabela atrapalharam Dominic Calvert-Lewin e seus companheiros. Não raro, a bola passou diante da meta de Aaron Ramsdale ao longo da primeira etapa. As chances mais perigosas rasaram o poste do arqueiro gunner. Um detalhe poderia favorecer os locais.
O Arsenal não se criou em campo. Foi vítima dos desarmes enérgicos de Idrissa Gana Gueyé, Abdoulaye Doucouré e Amadou Onana, que se atiraram com coragem à bola. E quando conseguia cruzar essa linha, esteve pouco inspirado. Bukayo Saka e Martin Odegaard foram devidamente anulados pela marcação, mas verdade seja dita, mesmo com liberdade, eles não conseguiram arrumar grande coisa. O destaque dos visitantes foi mesmo o veloz Eddie Nketiah, que buscava a bola no meio-campo e driblava para tentar arrumar espaço. O problema foi que a tomada de decisão dos comandados de Arteta não esteve tão brilhante.
Para piorar, a bola parada do Everton. Em um escanteio muito bem treinado, James Tarkowski subiu para a área e praticamente empurrou Odegaard no espaço. Com vantagem física, o defensor cabeceou firme para balançar as redes e incendiar a arquibancada. A intensidade e a vontade de reverter a situação ruim na temporada favoreceram o impulso de Tarkowski.
Até o fim, o Arsenal pouco fez para igualar. Perdeu chances promissoras, dentro e fora da área (como numa finalização de Odegaard que subiu demais). A liderança ainda está segura, a cinco pontos do Manchester City, mas a segunda derrota acendeu um sinal de alerta para os londrinos. Há 13 jogos os Gunners não sabiam o que era perder na Premier League. A má notícia foi a inércia diante de um adversário desesperado como o Everton.
Aos Toffees, o tardio alívio: ao menos por algumas horas, Dyche conseguiu tirar o time da zona de descenso, superando mais de 100 dias sem vitórias. Se essa será a realidade até o fim da temporada, em mais uma escapatória dramática, não sabemos. O que se pode dizer é que os rivais na luta contra o rebaixamento estão diante de um Everton firme e destemido, que passou um recado de esperança à sua torcida.



