Empate sem gols foi retrato perfeito de um dérbi modorrento entre United e City
Manchester United e Manchester City entregaram um raro dérbi sem emoção ou qualidade neste sábado (12). O empate em 0 a 0 foi uma justa representação do que os rivais apresentaram no gramado de um vazio Old Trafford, em um encontro em que faltou urgência, ânimo e criatividade a ambos os lados.
Pep Guardiola reforçou a defesa com a escalação de Fernandinho e Rodri à frente da linha de defensores. Já Solskjaer trouxe Fred e Pogba ao meio de campo, justificando a decisão com o bom momento técnico e físico em que via os dois. Assim, o United foi a campo com quatro jogadores pelo meio, McTominay e Bruno Fernandes completando o setor.
O City começou o jogo mais ligado que o United. Marcou muito bem a saída de bola dos anfitriões, fechando as vias de passe e esgotando as ideias de construção da equipe da casa. Quando tinham a bola, ao menos nos minutos iniciais, os Cityzens buscavam jogar verticalmente, mas pareciam não saber como penetrar a defesa dos Red Devils.
Na primeira etapa, o Manchester United, por sua vez, basicamente não teve construção na fase ofensiva. Suas melhores oportunidades vieram em cobranças de escanteio. Aos 11 minutos, McTominay esteve a centímetros de alcançar, na segunda trave, uma bola desviada de cabeça por Lindelof. Em outra cobrança, Maguire cabeceou por cima do gol. Lindelof foi outro a acertar a bola pelo alto, mas também mandando para fora.
Completamente dominante no quesito posse de bola, o City foi lento com ela e não conseguiu chegar ao gol. Em um dos poucos momentos em que acelerou a definição da jogada, Sterling tabelou bem com De Bruyne pela esquerda, trouxe para dentro, mas viu seu chute bloqueado por Maguire.
O United teve uma primeira grande chance de gol quando, aos 30 minutos, Ederson saiu jogando mal, nos pés de Fernandes. O português passou para Rashford, que tocou para Pogba, dentro da área. O francês finalizou rápido, mas ainda assim foi travado na hora do chute.
Na melhor oportunidade da primeira etapa, o City se lançou ao contra-ataque aos 35 minutos com Cancelo, que passou para Gabriel Jesus. O brasileiro tocou com De Bruyne, que de primeira abriu para Mahrez. Dentro da área, livre, o argelino teve tempo e espaço para finalizar, mas De Gea fechou bem o ângulo e fez grande defesa. No rebote, De Bruyne mandou por cima do gol.
O segundo tempo começou com um raro momento de emoção. Rashford recebeu dentro da área um cruzamento preciso de Bruno Fernandes e foi derrubado por Walker enquanto se ajeitava para o chute. O pênalti foi marcado, mas pouco depois a marcação foi desfeita por causa de posição de impedimento do atacante dos Red Devils.
Em uma rara oportunidade para o United, Pogba lançou Rashford pela esquerda. Entrando na área, o camisa 10 poderia ter dominado e ajeitado para a perna direita, mas, perseguido por Walker, preferiu o chute de esquerda, sem ângulo e um pouco desequilibrado. A bola então foi pela linha de fundo, sem perigo para Ederson.
Buscando dar uma chacoalhada em sua equipe, Guardiola promoveu a primeira alteração aos 21 do segundo tempo, com a entrada de Ferrán Torres no lugar de Mahrez. Em sua primeira jogada, o espanhol partiu para cima de Shaw com velocidade e confiança, indicando o que seu treinador lhe havia pedido. Oito minutos mais tarde, Solskjaer fez a primeira substituição de sua parte: Greenwood deixou o gramado para a entrada de Anthony Martial.
A falta de inspiração apenas cresceu na segunda metade da etapa final, e nenhuma das equipes levou perigo ao adversário. Em uma clara demonstração de seu contentamento com o empate sem gols, ambos os técnicos não mexeram mais nas equipes, somando entre si apenas duas alterações.
Do lado de Solskjaer, é possível enxergar a postura como uma escolha pela precaução após uma dura eliminação na fase de grupos da Champions League no meio da semana. Uma derrota no dérbi teria um grande peso sobre a avaliação de seu trabalho atual, que já está lá embaixo. Ainda assim, diante da postura do adversário, o norueguês poderia ao menos ter empurrado seu time a momentos de busca pela vitória.
Quanto ao City, é mais difícil entender o comportamento conservador e o desempenho pouco inspirado. Um resultado positivo impulsionaria os Cityzens na tabela, após um início irregular de Premier League. Guardiola, no entanto, esteve satisfeito em não conceder gols ao adversário e tampouco assumiu riscos para ficar com a vitória.
Com o resultado, o Manchester United fica por ora na sétima colocação, com 20 pontos, enquanto o City ocupa o oitavo lugar, com 19. Ao fim da rodada, ambas as equipes terão um jogo a menos que a maior parte dos times, com as vagas europeias e a briga pela liderança ainda ao alcance. De qualquer forma, foi uma boa oportunidade desperdiçada pela dupla de Manchester de se aproximar dos líderes.



