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Emery: “Vejo o Neymar muito concentrado, tem tudo para ser o melhor do mundo depois de Messi e Cristiano”

Ainda desempregado desde a demissão do Arsenal no final de novembro passado, Unai Emery concedeu entrevista ao jornal espanhol Paris. Falou ainda sobre Neymar, a quem vê como um potencial melhor do mundo depois de Messi e Cristiano Ronaldo.

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Falando sobre as chances do PSG de enfim ganhar a Champions League, Emery vê um fator positivo nas pretensões parisienses: o momento de Neymar. Para o técnico basco, o brasileiro parece muito concentrado. “Li que, pela primeira vez em algum tempo, ele não vai ao Brasil para comemorar seu aniversário. Isso me faz pensar que ele está mais convicto.”

O treinador afirmou que, durante sua passagem no Parque dos Príncipes, não teve problemas com o camisa 10, mas deu a entender que o futebol talvez não fosse seu foco principal – diferentemente do que vê agora.

“Ele precisa dessa orientação completa para que o seu foco para os próximos cinco anos seja apenas o futebol. Falei com ele sobre um processo triplo: adaptação a Paris, convencimento de que ele queria ficar e execução das suas qualidades”, relembrou.

Para Emery, Neymar tem tudo para ser o melhor do mundo, depois de Messi e Cristiano Ronaldo. “Ele gosta de futebol, é uma boa pessoa, um bom profissional.”

Estar sempre na Liga dos Campeões, sobretudo no mata-mata, é um primeiro grande passo para aumentar suas chances de vencê-la, e para Emery isso pode acontecer a qualquer momento. Em sua visão, detalhes decretaram as eliminações passadas.

“Cada ano é uma oportunidade para eles, e qualquer ano pode ser (o ano do título). Em minha primeira campanha lá, contra o Barça, com VAR teríamos passado; na segunda, contra o Real Madrid, com VAR também teríamos passado, embora não fosse tão claro. E, no ano passado, contra o Manchester, sem mim, eles perderam para o VAR. Não estou reclamando, são coisas do futebol.”

Mais recentemente, Emery, escolhido para suceder Arsène Wenger no Arsenal, para o início da temporada 2018/19. Sua aventura nos Gunners durou menos de uma temporada e meia, e o basco reconhece que ficou bastante afetado pela demissão. Para sua sorte, este momento já passou.

“Já fiz o funeral e o luto. Depois da minha demissão, sonhei com o Arsenal durante um mês. Foi um processo natural, e eu superei essa dor. Quando já não estava sonhando com eles, eu sabia que tinha superado isso”, observa em retrospectiva.

Para ele, o primeiro ano foi bom, alcançando a final da Liga Europa, em que foi derrotado pelo Chelsea, e terminando em quinto na Premier League. Emery admite, no entanto, que o nível apresentado na atual temporada, até o momento de sua queda, não era o bastante.

“Fizemos coisas boas lá. Acho que tivemos um bom primeiro ano, indo bem em duas competições como Liga Europa e Premier League. O processo foi bom. Quando era para jogar com posse, fizemos isso; quando tínhamos que pressionar, pressionávamos. E éramos competitivos, jogando como o jogo exigia. No segundo ano, não jogamos bem; não defendemos bem; não fomos competitivos. E eu mesmo dizia isso aos jogadores.”

Emery enumerou ainda os problemas enfrentados em sua reta final no clube, como as trocas de capitães, o caso envolvendo Özil e Kolasinac, a transferência de Pépé, “que precisava de tempo para ser o mesmo da França”.

“Nós não estávamos jogando bem, isso é certo. Isso nos trouxe maus resultados, não houve melhorias, os torcedores se concentraram em mim, e eu fui mandado embora. Mas eu guardo as coisas positivas, havia muitas.”

Curiosamente, após ser brevemente substituído por Ljungberg no comando técnico, Emery viu Mikel Arteta, seu conterrâneo basco, ser contratado como treinador. E o ex-comandante dos Gunners acha que o colega é o “encaixe perfeito” para a equipe.

“O Mikel tem muita experiência como jogador de futebol e trabalhou com o Pep, que é um dos melhores. (…) Está jogando em um 4-2-3-1 como nós (jogávamos). O Özil segue como 10, e aos poucos ele está procurando sua identidade. Porém, com a minha saída, a atmosfera hostil deu uma relaxada. Os resultados não estão sendo os melhores, mas é preciso lhe dar tempo”, disse, pregando paciência com o novato.

Sobre o seu futuro, Emery diz não saber onde irá treinar, embora tenha aberto portas em França e Inglaterra ao aprender o idioma. Diz ter sido consultado no passado por clubes italianos, o que pode ser outra via. Não se vê, no entanto, na Alemanha. Mas, qualquer que seja o destino, parece estar disposto a aprender com as lições do passado e ser flexível em seus conceitos.

“Eu distingo dois tipos de treinadores: aqueles que tiveram sucesso por muito tempo e aqueles que tiveram sucesso, mas em um período curto de tempo. É por isso que, para mim, o sucesso é se adaptar a diferentes registros, sendo muito exigente por muito tempo, tomando decisões, impondo-se, convencendo, tirando proveito do elenco. Para mim, um treinador de sucesso é Luis Aragonés, que teve sucesso no contra-ataque com o Atlético e com uma seleção com um estilo muito diferente. Ele era competitivo em dois modelos diferentes, dependendo do que ele precisava.”

A inspiração buscada por Unai Emery dificilmente poderia ser melhor.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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