Premier League

Dono do dérbi, Tottenham subjuga o Arsenal de maneira inapelável em White Hart Lane

Seria um jogo histórico, de um jeito ou de outro. Pela última vez, o Dérbi do Norte de Londres aconteceu em White Hart Lane. Entretanto, o Tottenham não desperdiçou a oportunidade de fazer o clássico ser ainda mais memorável para os seus torcedores. Derrotou o Arsenal com muita autoridade e “cancelou o St. Totteringham’s Day” – a zoeira dos seguidores dos Gunners para farrear com a incapacidade dos rivais em superá-los na tabela da Premier League. Desta vez, como não acontecia desde 1994/95, os Spurs terminarão o campeonato à frente. Nem mesmo se o time de Arsène Wenger vencer os seus últimos cinco jogos, conseguirá ultrapassar os vizinhos. Superioridade ratificada com uma excelente atuação, na qual o placar de 2 a 0 só não foi mais elástico por culpa de Petr Cech.

O Tottenham não demorou a mostrar que o dérbi era seu. Em cinco minutos, já foram dois bons lances dos anfitriões, com Cech parando Harry Kane e dando sorte em cabeçada para fora de Toby Alderweireld. Os Spurs tinham a iniciativa do jogo e tentavam encontrar espaços na defesa do Arsenal, explorando os lados. Contudo, o ataque funcionava melhor quando conseguia aproveitar sua melhor virtude, a velocidade. A saída de bola dos volantes era ótima e, por duas vezes, o time de Mauricio Pochettino ficou a centímetros de sair em vantagem. Aos 22, Dele Alli não conseguiu completar a bola de Harry Kane, mesmo com a meta vazia. Instantes depois, foi a vez de Heung-Min Son acelerar. O chute bloqueado sobrou para Christian Eriksen, que bateu, mas viu a redonda caprichosamente triscar o travessão.

O Arsenal teria o seu único momento realmente bom no jogo depois dos 35, quando passou a rondar a área adversária. Hugo Lloris se agigantou para espalmar o chute de Aaron Ramsey, enquanto outra bola de Alexis Sánchez atravessou perigosamente na frente de sua meta. De qualquer maneira, o Tottenham não deixaria barato. Nos acréscimos, Jan Vertonghen arriscou de longe e parou em mais uma defesa de Petr Cech. Aviso ao que viria a partir da segunda etapa.

O futebol envolvente e veloz do Tottenham passou a funcionar ainda mais na volta do intervalo. Cech salvaria mais uma vez, em tentativa de Victor Wanyama. Mas o goleiro acabaria vendido no primeiro tento dos Spurs, aos 10 minutos. Saiu nos pés de Eriksen para fechar o ângulo, após jogadaça do dinamarquês, mas ninguém afastou o rebote e Dele Alli não teve trabalho para abrir a contagem. Logo na sequência, já saiu o segundo. Pênalti de Gabriel Paulista sobre Harry Kane. O próprio artilheiro partiu à marca da cal e sublinhou seu gosto de balançar as redes nos clássicos. Chute no cantinho, na lateral da rede, sem qualquer chance de defesa.

Precisando de uma reação imediata, o Arsenal teve um pouco mais de velocidade nos instantes seguintes aos gols, mas logo sentiu o baque. A entrada de Danny Welbeck no lugar de Granit Xhaka pouco adiantou. O time não apresentava força no ataque e seus melhores chutes acabavam nos braços seguros de Lloris. Era mais fácil que as redes balançassem do outro lado. Por mais que tenha diminuído o ritmo, o Tottenham continuava mais perigoso quando chegava à frente. Cech evitaria a goleada, com mais três intervenções milagrosas, parando Vertonghen, Kane e Alderweireld. Não havia dúvidas de quem era melhor. Nas arquibancadas, as brincadeiras tomavam conta, com os pedidos para que Wenger fique nos rivais e o enterro do St. Totteringham’s Day.

O Tottenham conquista uma vitória para lavar a alma. A imposição sobre os rivais coroa uma superioridade crescente nos últimos meses, mas que não se refletia na tabela. O estigma fica para trás e o trabalho de Mauricio Pochettino promete mais, exibindo um futebol agradável e ofensivo. A perseguição ao Chelsea continua, com quatro pontos de vantagem para os líderes, ainda que a vitória deste domingo sobre o Everton tenha reforçado as credenciais dos Blues. De qualquer maneira, isso não diminui o desempenho excelente dos Spurs. White Hart Lane não se despedirá com taça, mas seus últimos momentos serão bastante lembrados.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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