Premier League

David Silva: “Quando meu filho nasceu prematuro, percebi quão importante o City é para mim”

Ao longo da última temporada, David Silva teve um papel essencial na conquista histórica do Manchester City na Premier League. Ao lado de Kevin de Bruyne, o espanhol orquestrou o meio-campo dos celestes e protagonizou algumas atuações fantásticas pela competição. E isso precisando superar um drama pessoal. Em meio ao campeonato, o filho do veterano, Mateo, nasceu prematuramente e lutou por sua vida. O camisa 21 conciliou a rotina de trabalho com as dificuldades da família e, ainda assim, deu sua contribuição em campo. A festa do título, ao final, representou também o alívio pela saúde do menino. Um assunto sobre o qual o meia fala abertamente.

“É muito cedo para dizer que está tudo bem com o Mateo. Mas a boa notícia é que meu filho está ficando cada vez mais forte. Ele precisa continuar com os exames médicos, mas ao menos nós podemos pensar um pouco sobre o futuro. Os primeiros meses depois do nascimento foram os mais difíceis da minha vida”, declarou David Silva, em entrevista ao Mirror.

“Você não espera que seu bebê lute para sobreviver. Foi um período maluco. Olhando para traz, você se pergunta como conseguiu lidar. Eu confiava na força da minha esposa e da minha família, assim como dos companheiros e do clube. Mateo virou uma fonte de inspiração pela maneira como lutava. Eu estava voando da Inglaterra para a Espanha, tentando estar com meu filho, tentando treinar, voltando a Manchester para jogar com o City. Mentalmente era duro, mas eu precisava ter força porque queria que meu filho continuasse lutando”, complementou.

David Silva descreveu a maneira como o Manchester City compreendeu a sua situação, principalmente na virada do ano, um momento geralmente decisivo à disputa do título na Premier League. Mesmo ausente em algumas partidas, o meio-campista seguiu entre os destaques do elenco.

“Sempre fui bem tratado pelo clube, mas quando Mateo nasceu prematuramente, eu realmente percebi o quanto o clube significa para mim. Era o Natal, a parte mais congestionada da temporada e eu sabia que Pep precisava de mim. Estávamos indo bem na liga, mas nada estava decidido. Ainda havia uma disputa. Então, Pep me disse que não havia nada mais importante que a família e me deu todo o tempo que fosse necessário para cuidar dela. No pior momento da minha vida, Pep e as pessoas no Manchester City me mostraram o tipo de amor que você só pode receber neste tipo de crise”, apontou.

O meio-campista, aliás, não poupou elogios a Pep Guardiola: “Quando você vê Pep na TV ou lê suas palavras, é o retrato de um treinador extremamente profissional. Mas quando você trabalha com ele, não o vê apenas como técnico. Você aprende sobre suas qualidades como homem. É desse lado que as pessoas conseguem ver Guardiola, não de fora. Eu testemunhei os instintos humanos de Pep e posso dizer que para ele há coisas mais importantes na vida que o futebol”.

Além disso, o veterano ressaltou a relação construída no clube muito acima dos aspectos esportivos: “O City é um clube construído para conquistar troféus. Mas nesse momento, o técnico, a comissão técnica, os donos, os companheiros e os torcedores mostraram a mim que entendem que um grande clube não pensa apenas em futebol. No City, nós não temos apenas pessoas bem sucedidas, mas grandes humanos que sabem que a família é fundamental”.

Aos 32 anos, David Silva também afirmou sua intenção de permanecer no Manchester City até 2020, e então buscar novos rumos à carreira: “Ficarei por dez anos no clube, e será assim. É uma decisão que eu já tomei. Não sei por qual time jogarei depois. A única coisa que tenho certeza é que não será na Inglaterra, porque nunca enfrentaria o City na Premier League. O único que posso dizer é que haverá algo além”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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