Premier League

Crystal Palace oferece boa chance de recomeço para Frank de Boer

Frank de Boer foi contratado para ser o novo técnico do Crystal Palace, após o pedido de demissão de Sam Allardyce. Big Sam fez um bom trabalho na reta final da última temporada, evitando o rebaixamento com certa tranquilidade, e entrega ao holandês um clube com bons predicados para o técnico recomeçar a sua carreira, cuja trajetória foi atrapalhada pelo curto e atribulado período de apenas 85 dias à frente da Internazionale.

LEIA MAIS: Icardi diz que situação com De Boer era insuportável e acredita em Inter chegar à Champions League

Os seis anos de muito sucesso à frente do Ajax credenciaram De Boer a cargos importantes. Chegou a estar na lista de interessados de Liverpool, Tottenham e Everton, mas seu destino acabou sendo Milão. Foi contratado para o lugar de Roberto Mancini, demitido duas semanas antes do início do Campeonato Italiano. Comandou 14 jogos e perdeu metade. Saiu no meio da transição caótica de direção da Inter, com três treinadores passando no RH e um mero sétimo lugar, apesar de quase € 130 milhões de investimento em reforços.

O trabalho no sul de Londres tende a ser mais tranquilo. Apenas tende porque De Boer será o oitavo técnico do Palace em sete anos, o que não denota muita estabilidade. Mas há pontos animadores. O primeiro é que não há muito espaço para bagunças maiores do que a da Inter na última temporada. O segundo é que, esportivamente, a ambição do clube é apenas se manter na Premier League. O desafio do holandês será fazer isso com mais folga, com um futebol mais vistoso e ao mesmo tempo em que revela jovens jogadores. Há quatro anos na elite da Inglaterra, o Palace foi 11º, 10º, 15º e 14º.

O presidente, Steve Parish, desde 2010 pagando os boletos do Crystal Palace, afirmou que conversou com 37 (!) treinadores antes de escolher De Boer. Quer ver o seu clube evoluir. Desde que se tornou mandatário, assiste à equipe atuar da mesma maneira, defendendo-se e no contra-ataque. “Tivemos uma das três piores campanhas em casa duas temporadas seguidas e isso uma hora vai cobrar um preço. A primeira missão de Frank é reduzir a minha ansiedade e a dos torcedores”, disse. “Desenvolvemos um certo estilo de jogo porque é parte do nosso DNA e porque é mais barato. Se você quiser jogar no contra-ataque na Championship (segunda divisão) é mais barato do que comprar vários meias técnicos. Isso ficou conosco. Acho que temos jogadores melhores tecnicamente agora, mas não é um modelo sustentável”.

Por esse ponto de vista, a escolha faz sentido. De Boer vem de um clube famoso por um estilo de futebol bem diferente do praticado pelo Crystal Palace nos últimos anos.  Claro que é mais fácil montar um time que joga com posse de bola e iniciativa no futebol holandês, cuja cultura não apenas abraça essa filosofia como a cobra das principais equipes. A ruptura gera muito mais conflitos. E controlar o jogo na Premier League é muito, muito difícil, como Pep Guardiola descobriu bem na sua primeira temporada à frente do Manchester City.

“Quero um time que anime os torcedores a virem aos jogos para ver uma equipe que quer vencer e lutar todos os minutos. Esse é sempre um ponto de início para mim. Está no DNA do Ajax tentar jogar um futebol técnico e dominante. Quando você faz isso, e faz bem, é algo a mais, é atrativo, é bonito. Não somos inocentes. Eu quero jogar de forma dominante quando pudermos ser dominantes. Mas queremos controlar com e sem a bola. Você pode ser dominante sem a bola tentando mover o adversário para onde você quer que ele vá”, disse.

Escolhido por Johan Cruyff, De Boer ajudou a consertar o Ajax, depois da “Revolução de Veludo” do final de 2010, quando a lenda usou a sua influência para colocar ex-jogadores em posições de comando do clube. Não conquistava o título holandês há seis anos. De Boer conquistou quatro seguidos, ao mesmo tempo em que revelou e vendeu jogadores, como Vertonghen, Eriksen, Alderweireld, Cillessen e Blind.

A qualidade da academia do Palace nem se compara com a do Ajax, mas o holandês terá dinheiro à disposição para reforçá-la e fazer contratações. O clube faturou quase £ 110 milhões na última temporada com direitos de TV e prêmios da Premier League. “Este clube pode crescer cada vez mais. Eles gastam muito dinheiro e há a possibilidade de fazer coisas boas com esse dinheiro”, disse. Assim a torcida do Palace espera.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo