Comandado por Agüero, o City jogou por música para envolver o Chelsea e faturar a Community Shield

A Community Shield está distante de ser uma conquista prestigiada. A competição que abre oficialmente a temporada do futebol inglês serve mais como um aperitivo. E foi isso o que o Manchester City ofereceu neste domingo, em Wembley. No duelo entre o atual campeão da Premier League e o último dono da Copa da Inglaterra, nenhuma das equipes entrou com sua escalação titular, mas era possível esperar um jogo aberto, pelo estilo de Pep Guardiola e por aquilo que deve fazer Maurizio Sarri à frente do Chelsea. A vitória por 2 a 0, no entanto, até saiu em conta pela maneira como os Citizens foram superiores ofensivamente. Com um toque de bola rápido e envolvente, ameaçaram bastante, estrelados pelo inspirado Sergio Agüero, autor de ambos os tentos.
Os dois times ainda vinham com desfalques em relação à Copa do Mundo. O Chelsea entrou escalado no 4-3-3, com David Luiz e Antonio Rüdiger compondo a dupla de zaga. No meio, Jorginho foi o vértice ao lado de Ross Barkley e Cesc Fàbregas. Já na frente, Álvaro Morata e Pedro ganharam a companhia do garoto Callum Hudson-Odoi, na ponta esquerda. O Manchester City, por outro lado, vinha com opções ofensivas. Kyle Walker, John Stones e Benjamin Mendy já estavam de volta à zaga após o Mundial. Fernandinho resguardava Bernardo Silva e Phil Foden pelo meio. Já no ataque, com Riyad Mahrez e Leroy Sané pelas pontas, Sergio Agüero servia como homem de referência.
O Manchester City não demorou para comprovar que está em um nível de desenvolvimento superior ao Chelsea neste início de temporada. Durante os primeiros minutos, os atuais campeões ingleses trabalhavam bem a bola a partir de suas triangulações, abrindo espaços na defesa adversária e arriscando a gol. Durante os primeiros dez minutos, faltava acertar um pouco mais a pontaria. Entretanto, não demorou para que o gol saísse. Foden puxou o ataque rápido, avançando com toda a liberdade até a entrada da área do Chelsea, que via sua linha defensiva recuar. Então, rolou para Agüero, com espaço para dominar e bater no canto, sem chances para Willy Caballero. E o domínio seguiu com os celestes até os 25 minutos.
O Chelsea tentou pressionar por volta dos 30. Trabalhava com passes curtos, mas tinha dificuldades para superar a pressão do City na marcação. As primeiras oportunidades só vieram neste período. Hudson-Odoi errou alvo, pouco antes de Claudio Bravo defender outro chute do garoto. Ainda assim, se os Blues assustaram na primeira etapa, foi mais pela insegurança do arqueiro chileno em suas intervenções. O City, por mais que tenha diminuído a intensidade na sequência da partida, administrava bem a sua vantagem.
Durante o segundo tempo, a velocidade do Manchester City nas transições criava os espaços. O Chelsea tentava se colocar no campo de ataque, mas sofria com a maneira como os celestes conseguiam construir os contra-ataques e gerar oportunidades para balançar as redes. Agüero apareceu duas vezes, mas errou o alvo, enquanto Caballero fez uma defesa segura em chegada de Phil Foden. O segundo gol parecia natural e ele saiu aos 12. A partir de um erro dos Blues no campo de ataque, os Citizens armaram o contragolpe. Ao receber de Ilkay Gündogan, que saíra do banco, Bernardo Silva avançou e rolou para Agüero, passando às costas de David Luiz, aumentar a vantagem.
Tentando reverter o resultado, o Chelsea logo veio com duas alterações. Willian e Danny Drinkwater entraram. A equipe até criou uma oportunidade com Pedro, mas continuava menos perigosa que o City, mordendo no meio-campo e buscando o ataque. Caballero faria ótima defesa em chute de Agüero aos 27, pouco antes de Brahim Díaz acertar a rede pelo lado de fora. Gabriel Jesus saiu do banco, no lugar de Mahrez, e tentou dar uma movimentação maior à linha de frente. Contudo, diante das dificuldades, os londrinos se resguardaram um pouco mais, fechando os espaços na defesa, diante do toque de bola envolvente dos Citizens. Com pouco mais de 30 minutos, já dava para ouvir o grito de ‘campeones’ ecoando em Wembley.
Durante os minutos finais, mais alguns testes aos goleiros. Caballero faria outras duas intervenções em chutes fortes, mas que vieram em sua direção. Já aos 43, o Chelsea quase diminuiu, em lance no qual Bravo precisou sair do gol e quase se complicou depois. Por fim, um pouco mais de riscos evitados pelo Chelsea. A equipe equilibrou a posse de bola, mas nem de longe conseguiu ser tão agressiva no ataque.
Fica claro que, apesar de algumas ideias de Maurizio Sarri já implementadas no Chelsea, será necessário algum tempo a mais para que elas sejam bem assimiladas. A exposição da defesa foi o problema mais evidente. Já a boa notícia ficou pela atuação de Hudson-Odoi, que deve ganhar mais chances na rotação. No Manchester City, além de Agüero infernizando no ataque, a dupla de meias se saiu bem. Com características distintas às dos titulares, Foden e Bernardo Silva funcionaram no setor, explicando a postura mais vertical. O português, aliás, mostra sua versatilidade dentro do sistema, deslocado à ponta no segundo tempo. Detalhes a se observar em uma temporada que começa com a noção de que os Citizens continuam candidatíssimos ao bicampeonato.



