Premier League

Com o primeiro gol de goleiro da história do Liverpool, Alisson arrancou vitória emocionante – e essencial

Alisson marcou de cabeça no último minuto e manteve o Liverpool muito vivo na briga por vaga na Champions

O Liverpool havia recebido uma oportunidade: ganhar três jogos contra adversários relativamente acessíveis, muito provavelmente conseguir vaga na Champions League e evitar danos maiores em uma temporada tão complicada. Mas estava desperdiçando essa oportunidade ao empatar com o West Brom, já rebaixado à segunda divisão, até os segundos finais da prorrogação. Aos 50, escanteio pela esquerda. Todo mundo foi para a área. Todo mundo mesmo. Até Alisson. Aquele ato comum de desespero que 99% das vezes não dá em nada. Mas aquele 1%… Arnold cobrou na primeira trave, Alisson subiu mais alto do que todo mundo e arrancou tanto quanto algo pode ser arrancado no futebol a essencial vitória por 2 a 1.

A comemoração foi emocionante. Como o gol saiu praticamente no último ato, ela se misturou com os tradicionais cumprimentos ao apito final. Alisson estava visivelmente tocado, entre o quase-choro, o choro de fato e o sorriso. Assim que marcou, apontou para os céus. Muitos jogadores apontam para os céus, mas Alisson o fez com uma direção clara: apontou ao pai, José Agostinho Becker, que morreu aos 57 anos no último mês de fevereiro.

 

Ninguém precisa justificar a sua emoção em duas vias registradas no cartório, mas a de Alisson é muito compreensível. Teve problemas pessoais sérios. Teve problemas profissionais, individualmente, com uma temporada em que foi muito irregular, cometeu falhas graves, especialmente na saída de bola, e também coletivamente, com os problemas de desempenho e físicos do Liverpool. Sem falar que ainda está rolando uma pandemia que tem deixado todo mundo abalado.

E, quase no fim dessa temporada tão difícil, ele se tornou o primeiro goleiro a fazer um gol oficial nos 129 anos de história do Liverpool.

“Estou emocionado demais, este último mês, tudo que aconteceu comigo e com a minha família – mas o futebol é minha vida. Eu jogo desde que me conheço como gente com meu pai. Eu queria que ele estivesse aqui para ver. Tenho certeza que ele está comemorando”, afirmou, após o jogo.

“O gol foi para minha família e para os rapazes. Lutamos muito juntos e queremos jogar a Champions League. Estou muito feliz. Obrigado aos jogadores, porque lutamos muito. Estamos exaustos nesta temporada, tem havido muita pressão. Estou feliz pela vitória. Às vezes, eu treino cabeçadas nos treinos, mas só para me divertir. Eu tenho alguma noção de como cabecear a bola”.

“Eu vi a bola vindo, tentei ficar em uma boa posição. Ninguém me acompanhou. Tive sorte e fui abençoado. Muitas coisas não podem ser explicadas na vida, mas Deus colocou a mão na Minh cabeça hoje. Tenho evitado entrevistas há algum tempo porque, quando eu falo, fico emocionado”, completou.

As más notícias continuaram para o clube de Jürgen Klopp, que anunciou minutos antes da partida que Diogo Jota, o seu segundo melhor atacante nesta temporada, não entrará em campo nos três jogos finais, com lesão no pé. Impossível saber se faria isso de qualquer maneira, após a polêmica do clássico contra o United, mas Mané naturalmente retornou ao time titular – em Old Trafford, havia se recusado a cumprimentar Klopp.

A defesa continuou sendo desfalcado de todos os seus principais zagueiros, continuou formada pelos garotos Rhys Williams e Nat Phillips e continuou sendo um problema. Aos 15 minutos, Semi Ajayi ganhou pelo alto, Matheus Pereira recolheu e aproveitou o bote seco de Williams para deixar Hal Robson-Kanu na cara do gol. Bastou um toque colocado no canto de Alisson para o West Brom abrir o placar.

E lá fomos nós para um jogo de ataque contra defesa, com o West Brom nunca deixando de ser perigoso nos contra-ataques. Aos 20 minutos, uma jogada bem trabalhada encontrou Thiago pela direita. Mané completou o cruzamento rasteiro de primeira, mas mandou para fora, bem perto da trave. O gol de empate nem demorou tanto para sair, com uma batida colocada de Salah de fora da área, aos 34. Firmino quase emendou a virada, mas acertou a trave.

O West Brom, porém, seguia à espreita para aproveitar vacilos da defesa do Liverpool, como aos 36, quando Phillips errou completamente o tempo da bola, furou a cabeça, e Robson-Kanu apareceu em situação muito similar à do gol dos donos da casa. Arnold, porém, apareceu na hora certa para bloquear.

A posse de bola do Liverpool, que finalizou 13 vezes em cada tempo, subiu para 80% depois do intervalo, com uma série de escanteios e sempre rondando a área do West Brom. Aos 12 minutos, Salah recebeu em contra-ataque e, dentro da área, acertou o goleiro Johnstone.

O Liverpool ficou pertinho do desastre, aos 27, quando Ajayi ganhou o escanteio pelo alto, e Kyle Bartley completou às redes. No entanto, o auxiliar levantou a bandeira porque, dentro da pequena área, estava Matt Phillips. O julgamento da equipe de arbitragem é que Phillips atrapalhou Alisson em posição de impedimento e o gol foi anulado.

E o Liverpool seguia em cima. Firmino fez boa jogada individual dentro da área, mas bateu para fora, depois deu um lindo passe para Arnold, projetando-se completamente livre pela direita. O lateral deu o drible, mas, de canhota, mandou por cima. Johnstone espalmou a batida de Thiago para escanteio, e Wijnaldum teve uma boa situação, de frente, na entrada da área, mas também desperdiçou.

Aos 49 minutos, Mané apareceu pela esquerda, tentou o cruzamento rasteiro e ganhou o escanteio. Alisson foi para a área e se posicionou na entrada da pequena área. Deu alguns passos em direção à primeira trave, ficou livre, e o cruzamento foi bom. A sua cabeçada não deveu nada às dos melhores centroavantes do mundo, desviando ao canto alto esquerdo de Johnstone.

O gol foi excepcionalmente importante porque levou o Liverpool a 63 pontos, um atrás do Chelsea, quarto colocado, e a três do Leicester. Faltam dois jogos para todo mundo, mas, na terça-feira, Chelsea e Leicester farão um confronto direto, o que permitirá ao Liverpool entrar no G4, caso vença o Burnley, no dia seguinte.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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