Premier League

Clubes da Premier League querem fechar a janela de transferências antes do início da temporada

A temporada da Premier League começou no último final de semana, mas não há nenhuma garantia de que os times que entraram em campo serão os mesmos que disputarão a competição nos próximos meses. Com a janela de transferências aberta até 31 de agosto, muitas idas e vindas ainda são prováveis, causando instabilidade e distrações. Os clubes da elite inglesa estão trabalhando nos bastidores para que isso mude, de acordo com múltiplos veículos da Inglaterra – The Times, The Guardian, Telegraph.

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Segundo as reportagens, o assunto será discutido em uma reunião com representantes dos 20 clubes, em 7 de setembro. O Telegraph afirma que já está no “nível de aprovação” e todos informam que a maioria dos integrantes da Premier League é a favor da medida. O Watford é um dos poucos que se opõe. A mudança seria para a próxima temporada e não se aplicaria aos níveis inferiores do país. A janela de janeiro seria mantida.

Inúmeros treinadores, de Paul Clement, do Swansea, a Pep Guardiola e Jürgen Klopp, já reclamaram da quantidade extraordinária de perguntas sobre saídas e contratações de jogadores em entrevistas que deveriam ser sobre os jogos que os clubes estão disputando. Rodadas em agosto que valem os mesmos três pontos das de setembro e que podem ser decisivas nas ambições dos clubes.

O Liverpool não está contando com Coutinho, envolvido em negociações com o Barcelona. A desculpa oficial é dor nas costas, mas a pulga fica atrás da orelha de todo mundo. E, mesmo que ele jogasse, estaria distraído. Caso o brasileiro fique, talvez só jogue a partir de setembro, quando os Reds já terão disputado três rodadas da Premier League e a fase eliminatória da Champions League.

Um cenário mais claro é o do Southampton, que lida com a situação de Virgil Van Dijk. O zagueiro holandês tem treinado afastado do elenco principal e enviou um pedido de transferências oficial – como Coutinho. A situação é difícil, e os Saints resistem, mas, mesmo que consigam manter o jogador, terão que disputar as primeiras rodadas da Premier League sem ele.

Da mesma maneira, pode se criar um desequilíbrio. Exemplo hipotético: Sigurdsson não pegou o Southampton na primeira rodada. Mas poderia ter entrado em campo e dificultado a vida dos Saints. Em seguida, transferir-se para o Everton, como está próximo de acontecer, e os outros clubes do torneio enfrentariam um Swansea enfraquecido. Paul Clement é um dos treinadores que apoiaram essa proposta em público. Reunimos mais algumas declarações dessas:

Clement, técnico do Swansea: “Há frustração aqui e tenho certeza que o Southampton (brigando com unhas e dentes para manter Virgil Van Dijk) está frustrado também. Eu acho que se a janela fechasse antes do começo da temporada, tudo seria resolvido e poderíamos pensar em futebol. Na nossa reunião de técnicos da Premier League semana passada, falamos sobre isso. A maioria dos clubes é a favor, mas talvez todos tenham que estar para isso avançar”.

Jürgen Klopp, técnico do Liverpool: “Teria nos ajudado este ano. Aqui, isso é um fenômeno, e as pessoas saem procurando por soluções. Faz sentido que, quando a temporada começar, o planejamento da equipe já tenha terminado”.

Pep Guardiola, técnico do Manchester City: “Infelizmente, o mercado termina em 31 de agosto. Eu acho que isso é um grande erro da Uefa. Eu acho que o mercado deveria terminar quando a temporada começasse. É muito grande, muito longo. Estamos jogando com jogadores que talvez não continuem, ou com jogadores que estão vindo, mas ainda não estão aqui. Estamos jogando em uma situação em que não sabemos exatamente o que vai acontecer pelo restante da temporada, então perdemos tempo. Para todos os treinadores. Espero que, no futuro, a Uefa possa pensar sobre isso e o dia final da janela seja no dia em que a temporada começa”.

Arsène Wenger, técnico do Arsenal, no começo de agosto de 2015: Me incomoda que a janela ainda esteja aberta? Sim, porque cria incertezas. No começo da temporada, todo mundo deveria estar comprometido, não meio dentro e meio fora. A outra desvantagem é que um jogador pode enfrentá-lo três vezes por dois clubes diferentes. Ele joga contra você, e então joga contra você por outro clube. Dizemos: ‘Temos que amar a camisa’, mas, na mesma temporada, o jogador tem que amar duas camisas”.

A ideia principal é que todos os times tenham o elenco fechado para todas as 38 rodadas da temporada, mas evidente que há problemas sérios com ela. Por mais poderosos que sejam os clubes ingleses, é ingênuo imaginar que eles consigam fazer a Europa inteira segui-los nesta mudança, até mesmo por uma questão de calendário: a Premier League começou no último fim de semana, mas a Ligue 1 começou na semana anterior, e as ligas de Alemanha, Itália e Espanha terão suas primeiras rodadas apenas no próximo final de semana.

Os clubes ingleses têm poder para fechar apenas a sua própria janela. Isso significa que ela teria sido fechada na última sexta-feira, e o Liverpool, por exemplo, ainda estaria vulnerável para perder Coutinho para o Barcelona, mas sem a possibilidade de reinvestir o dinheiro em uma reposição. E as perguntas a Klopp continuariam existindo.

Outro ponto negativo seria a impossibilidade de fazer ajustes na equipe, depois de ter realizado jogos oficiais. Amistosos de pré-temporada têm a sua importância, mas nada se compara a uma partida realmente decisiva. Caso um clube chegue à conclusão, após três ou quatro rodadas, que precisa de um goleiro melhor ou de um lateral esquerdo que saiba marcar, precisaria esperar até janeiro para fazer ajustes no elenco.

Uma solução orgânica seria gradualmente haver o entendimento entre jogadores e clubes de que, após o fechamento da janela, ninguém sai, sem choro nem vela. Caso haja uma possibilidade de negociação, que ela seja resolvida antes do começo da temporada. Isso seria um cenário ideal diante da mudança. E, nele, a cláusula de rescisão ganharia uma importância ainda maior. Provavelmente ficaria mais rara – no caso do contrato de Coutinho, por exemplo, ela não existe – ou mais cara. Efeito colateral: um clube cheio de dinheiro como o PSG poderia pagar essa cláusula feita para ser proibitiva, como era a de Neymar, e inflacionar ainda mais o mercado.

O atual sistema de transferências, diante dos preços inflacionados e do interesse insistente, quase carnívoro, da imprensa por especulações e rumores, não parece ser o ideal e precisa ser discutido. O próprio presidente da Uefa já admitiu isso. Essa mudança da Premier League seria significativa, mas, como vemos, há pontos positivos e negativos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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