Premier League

City x Tottenham fizeram outro baita jogo, mas a solidez dos celestes desta vez valeu três pontos essenciais

De certa forma, era uma pena que Manchester City e Tottenham voltassem a se enfrentar já neste sábado, abrindo uma rodada tão importante da Premier League. Pena porque certamente os oponentes não repetiriam a partida apoteótica de três dias atrás, entre as mais fantásticas já vistas nos mata-matas da Liga dos Campeões. Mas não que eles tenham deixado a desejar no Estádio Etihad, tomado pela luz do sol, não mais pelos refletores daquela noite histórica. Ainda há muito a se brigar na liga nacional e, mesmo sem um maremoto de gols, não faltou intensidade e tensão ao embate. Os treinadores até deixaram claro que este não seria o terceiro capítulo do épico ou sequer uma revanche, realizando modificações importantes nas escalações. Ainda assim, os Citizens assimilaram muito bem a lição. Se não foram tão agressivos quanto na Champions, atuaram com a solidez que faltou na eliminação, sobretudo na defesa. Cumpriram sua missão, retomando provisoriamente a liderança. A vitória por 1 a 0 aproxima a equipe daquele que, por culpa dos londrinos, é seu grande objetivo na temporada.

As alterações surgiam nos dois lados, forçadas ou por decisões técnicas. O Tottenham tinha Paul Gazzaniga, Juan Foyth, Davinson Sánchez, Ben Davies e Eric Dier entre os escolhidos para começar o duelo, todos ausentes no 11 inicial anterior. Enquanto isso, o Manchester City modificou principalmente o seu sistema defensivo, com John Stones e Oleksandr Zinchenko atrás, além de Phil Foden na trinca central. Pois seria justamente o jovem meio-campista o responsável por marcar a diferença ao time de Pep Guardiola.

O ritmo na Premier League também é diferente. Se não há a urgência de um jogo eliminatório, persiste a necessidade de atuar ao máximo sempre. E por mais que a primeira chance tenha sido do Tottenham, em chute de Son Heung-min que Ederson espalmou, o Manchester City impôs a sua vontade logo aos quatro minutos. Bernardo Silva outra vez se provou como um incômodo pelo lado direito, desta vez chamando Ben Davies para dançar. Fez jogada e cruzou para Sergio Agüero no meio da área. O centroavante aparou de cabeça e Phil Foden apareceu na pequena área para escorar às redes. Definia o placar logo cedo, embora, naquele instante, até parecia que a loucura inicial da Champions poderia se reproduzir. Não foi assim, mas os times também não reduziram a marcha.

O Tottenham tinha os seus objetivos. A vaga no G-4 ainda é essencial ao time de Mauricio Pochettino. E, por isso, os visitantes não se entregaram. Apesar do controle do City, seguiram ameaçando em bolas longas. Aos 13 minutos, Lucas Moura acionou Christian Eriksen e o dinamarquês estava de frente para o crime, mas Ederson salvou de novo. Aymeric Laporte foi outro que se redimiu em relação ao meio de semana, com um corte providencial quando Son poderia ter empatado. Os Citizens tomaram conta da trocação a partir dos 20 minutos, crescendo na partida. As investidas do ataque eram constantes e deixavam a defesa dos Spurs em apuros. Bernardo Silva comandava as ações dos celestes. Desta vez, sem a companhia de Kevin de Bruyne, que sentiu lesão aos 36 e deixou o campo para a entrada de Fernandinho. Preocupa sua ausência na reta final da campanha, sobretudo pelo histórico recente.

Antes do intervalo, o Tottenham se aproveitaria do abatimento do Manchester City. Ederson era decisivo. Son continuava causando pesadelos à defesa celeste e quase anotou um golaço aos 44, partindo do campo de defesa e fazendo fila diante do emaranhado de marcadores. Depois de passar por quatro adversários com seus dribles rápidos, o sul-coreano só foi brecado pelo goleiro, que saiu em seus pés para bloquear o chute. Valeria a vitória parcial no primeiro tempo e, de certa maneira, também a redenção do brasileiro. Ele necessitava deste moral, depois de alguns erros custosos na última quarta.

No segundo tempo, o Manchester City tratou de colocar a cabeça no lugar. Dominou a posse de bola no campo de ataque e pressionou bastante em busca de um gol que matasse a partida. A linha ofensiva se movimentava e sufocava, mas as chances não eram tão claras assim. Surgiram reclamações de pênalti em ambos os lados, inclusive, com a razão mais forte aos Spurs por conta de um toque no braço de Kyle Walker. Nada que a arbitragem tenha marcado. Logo os treinadores começariam a dar novo gás às suas equipes, com as alterações. Pep Guardiola colocou Leroy Sané mais cedo desta vez, na vaga de Agüero. Enquanto isso, Pochettino reforçou a marcação com Victor Wanyama e Danny Rose. A diferença mínima mantinha o cenário aberto e as duas equipes não aceitavam reduzir sua rotação.

O segundo gol do Manchester City não aconteceu aos 26 minutos por causa de uma defesa espetacular de Gazzaniga. Sané cruzou e Sterling encheu o pé. Não foi um chute bem colocado, mas veio à queima-roupa e o goleiro conseguiu salvar em seu contrapé. Pouco depois, a resposta do Tottenham seria de Lucas, com Ederson se provando intransponível. A entrada de Fernando Llorente, herói improvável da Champions, gerou certo burburinho nas arquibancadas do Estádio Etihad. Mas a verdade é que os Citizens teriam mais motivos para ficarem preocupados nos 15 minutos finais. Os Spurs se impuseram no setor ofensivo e partiram para cima. Tentavam martelar, em busca do gol que reduzisse seu prejuízo. Apesar da insistência, faltou precisão e aquela pitada de sorte aos londrinos. Sobrou só tensão, inclusive por um bate-boca entre Sterling e Jan Vertonghen na lateral. Ao fim, os celestes seguraram o placar, revigorados ao objetivo maior nesta Premier League.

Bem mais consistente na defesa desta vez, o Manchester City colhe os frutos. Com os mesmos 34 jogos que o Liverpool, fica um ponto à frente, 86 a 85. O time de Pep Guardiola aguarda a visita dos Reds ao Cardiff City neste domingo, enquanto cumpre sua rodada atrasada na próxima quarta – o clássico contra o Manchester United em Old Trafford. Os celestes acumulam dez vitórias consecutivas na liga. Já o Tottenham fica de olho nos concorrentes para definir sua sorte. Tem 67 pontos, ainda na terceira colocação. Arsenal e Chelsea somam 66, enquanto o Manchester United tenta encurtar as distâncias com 64. Apesar do sonho na Champions, as batalhas britânicas continuam ao time de Mauricio Pochettino.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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