Chefe da Mercedes, Toto Wolff revela que estudou o United pós Ferguson para entender a decadência de grandes equipes
Em entrevista ao Financial Times, Toto Wolff mencionou o Manchester United e comparou sua tarefa com a de um técnico de futebol
A hegemonia da Mercedes, aos poucos, chega ao fim na Fórmula 1. Max Verstappen conquistou o Mundial de Pilotos em 2021 e, ao que tudo indica, a equipe alemã ficará longe de garantir o eneacampeonato no Mundial de Construtores em 2022. Principal figura nos bastidores da escuderia, o diretor executivo Toto Wolff deu uma longa entrevista ao Financial Times. E revelou que, ao estudar grandes times que perderam suas dinastias, mirou o Manchester United após a saída de Sir Alex Ferguson. Segundo indicou o austríaco, citando o clube, os Red Devils estão entre os exemplos daquilo que não se deve fazer para reencontrar o caminho das vitórias.
“Estudei por que grandes times não são capazes de repetir grandes sequências de títulos. Nenhuma equipe esportiva em qualquer esporte conquistou oito títulos consecutivos em campeonatos mundiais e há muitas razões – o que está no centro é o humano. O humano fica complacente. Você não está com a mesma energia de antes. Você talvez não seja tão ambicioso. Muitas vezes recebo a pergunta: ‘Quão difícil é isso?'”, afirmou Toto Wolff, fazendo menção ao Manchester United entre as equipes estudadas.
O austríaco ainda afirmou que a questão está mais sobre a zona de conforto do que sobre um desafio: “Tive tantos períodos, tantos episódios na minha vida que julgaria difíceis, que isso não está na mesma escala. Não acho que seja desafiador de certa forma, porque tive momentos mais duros em toda a minha vida, não particularmente na Fórmula 1, mas na verdade isso está na minha zona de conforto”.
Toto Wolff ainda comparou sua posição na Mercedes com a de um técnico de futebol. Em certo momento, ele precisa apenas confiar em sua equipe depois de orientar o trabalho. Além disso, acredita que a Mercedes aprenderá com os erros recentes para retomar as conquistas.
“Eu diria que estou gostando de errar no momento, porque acredito que isso é a base para um sucesso de longo prazo no futuro. Ganhamos oito campeonatos mundiais consecutivos – isso não aconteceu em nenhum outro esporte. E acho que sei o motivo. Todas essas facetas se juntaram para tornar as coisas mais desafiadoras no momento, mas, no fim das contas, tudo se resume à física e erramos na física. Ainda somos o mesmo grupo de pessoas, com a mesma ambição, a mesma energia, as mesmas ferramentas, o mesmo financiamento”, analisou.
“Talvez a gente precise ajustar algumas coisas aqui e ali, porque a psicologia tem um papel importante, mas acredito que esse time tem tudo o que precisa para ser bem sucedido, mas sem achar que está só no direito. Quero que seja um desvio temporário e não uma fase longa de não poder competir no topo. De certa maneira, somos maníacos por controlar. Às vezes me sinto um técnico de futebol: há um ponto em que você não pode fazer mais nada e precisa deixar que os jogadores completem o trabalho. É por isso que você tem essas reações quando está lá. Às vezes você precisa liberar a pressão”, finalizou o diretor executivo.
Na outra via, talvez o Manchester United pudesse aprender uma coisa ou outra com a Mercedes. Por tudo o que acontece em Old Trafford, a impressão é a de que os Red Devils perderam totalmente o caminho das vitórias. Neste caso, não foi apenas um erro na física.



