Premier League

Burnley vence o Wolverhampton e segue dando sinais de recuperação

Houve mais dúvida do que nunca em relação ao futuro de curto ou médio prazo de Sean Dyche à frente do Burnley antes do começo desta temporada. O treinador mais longevo da Premier League cobrou mais reforços da diretoria, não foi atendido e teve que se resignar em mais uma vez tirar o máximo que pode do seu grupo de jogadores para escapar do rebaixamento. O desempenho nas primeiras rodadas parecia refletir esse clima, mas o clube esboça uma recuperação que havia começado antes mesmo da vitória sobre o Wolverhampton, por 2 a 0, nesta segunda-feira.

O Burnley passou a sete primeiras rodadas sem vencer, mas agora foi derrotado apenas pelo Manchester City (o que sempre acontece) nas últimas sete, com mais três vitórias e três empates. Os triunfos foram importantíssimos: superou o Crystal Palace, um dos melhores visitantes da liga inglesa, no Turf Moor, Arsenal e agora o Wolverhampton, que anda com muita dificuldade, especialmente no setor ofensivo.

A sequência elevou a equipe ao 16º lugar, com um jogo a menos, contra o Manchester United, em relação a quem aparece abaixo na tabela – Sheffield United, West Brom, Fulham e Brighton. Tem três pontos de gordura para a zona de rebaixamento e percorre um caminho parecido ao da temporada passada. Entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, sofreu 10 derrotas em 14 rodadas, mas arrancou na reta final para terminar em uma excelente décima posição.

O jogo contra o Wolverhampton seria duríssimo. Ainda sem Raúl Jiménez, e com a venda de Diogo Jota ao Liverpool, os Lobos perderam muito poder de fogo, mas manteve uma boa solidez defensiva. O Burnley é um time de poucos recursos no setor ofensivo e o encaixe indicava um jogo muito travado. Até que não foi tanto.

Não foi um Manchester United x Leeds, mas houve boas chances de gol. Logo aos 15 minutos, Chris Wood usou o corpo para segurar a marcação na entrada da pequena área e, de costas, fez contato com o cruzamento de Dwight McNeill, para fora – mas não por muito. Em um rápido contra-ataque, Pedro Neto levou da direita para o meio e bateu de perna esquerda, em cima de Nick Pope.

A primeira grande chance de verdade foi do Burnley. Um lançamento direto de Pope para Ashley Barnes, que ganhou da marcação na corrida e se viu livre na grande área, cara a cara com Rui Patrício, que defendeu com as pernas.

O Burnley costuma marcar a maioria dos seus gols em bola parada, mas abriu o placar com uma jogada bem construída. Ashley Westwood começou-a no meio-campo, Chris Wood esperou a ultrapassagem de Charlie Taylor e rolou para o cruzamento do lateral esquerdo. Na segunda trave, Barnes conseguiu colocar a bola entre os marcadores e o goleiro do Wolverhampton.

Rúben Neves mandou um chute de fora da área que não passou longe do ângulo de Pope, e Josh Brownhill mandou uma cobrança de falta que não passou longe do ângulo de Rui Patrício, mas o primeiro tempo terminou com apenas um gol.

O Wolverhampton deveria ter voltado dos vestiários ao mesmo tempo que o Burnley porque, logo aos quatro minutos, Downhill aproveitou um erro de Neves na entrada da sua área e chutou de média distância no travessão. Dois minutos depois, agora sim em cobrança de falta, Tarkowski cabeceou na segunda trave e na dividida entre dois jogadores de cada time a bola bateu em Aït Nouri. Sobrou para Wood encher o pé e ampliar ao Burnley.

Se a situação era difícil perdendo por um gol, perdendo por dois ficou quase impossível para o Wolverhampton. Com o sexto pior ataque da Premier League, teria que superar a boa defesa do Burnley, a oitava mais confiável da liga – e isso porque levou cinco gols do Manchester City; sem eles, seria a terceira.

Foi uma tentativa honrosa. Pedro Neto teve uma cabeçada perigosa, Pope fez boa defesa em chute de longe de Rúben Neves e Podence fez uma boa jogada individual dentro da área antes de bater por cima. Ainda assim, quem teve a chance mais clara foi o Burnley, quando Wood recebeu o lançamento dentro da área, tirou Max Kilman e, de frente, chutou em cima de Patrício.

O Wolverhampton conseguiu descontar apenas aos 42 minutos do segundo tempo por causa de uma pane mental de Josh Benson, que havia acabado de entrar em campo no lugar de McNeil. Fábio Silva recebeu de Moutinho dentro da área, protegeu com o corpo, de costas para o gol. Na hora de dar o drible, em direção à ponta, não em direção ao gol, sofreu a falta de Benson. Ele próprio cobrou o pênalti. Foi o primeiro gol pelo Wolverhampton do garoto de 18 anos contratado por € 40 milhões do Porto para substituir Diogo Jota em 10 partidas. Pelo menos isso.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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