Premier League

Brighton faz história e comemora empate contra um cansado Chelsea em Stamford Bridge

Gol de Welbeck nos acréscimos foi o primeiro da história que os Seagulls conseguiram na casa do adversário

Com toda a justiça possível, e talvez até merecendo vencer, o Brighton visitou o Chelsea nesta quarta-feira (29) e arrancou um ponto vital pela Premier League. O placar de 1 a 1 não fez jus ao volume de jogo apresentado pelos visitantes, que se aproveitaram da forma física do Chelsea para pressionar até o fim.

Graham Potter é um dos treinadores mais promissores da Inglaterra, e provou isso hoje diante da torcida do Chelsea. Os ventos estavam soprando a favor do Brighton desde a primeira etapa e, apesar de sair perdendo para os locais, a equipe dos Seagulls mostrou muita vontade e tranquilidade para tentar expor a defesa adversária.

Em pé de igualdade

Na primeira etapa o domínio foi total do lado de Thomas Tuchel, que criou, controlou a posse e não deixou o Brighton se engraçar, o placar foi coerente com o que vinha sendo apresentado pelos atuais campeões europeus. Por outro lado, com as lesões de Ben Chilwell e Thiago Silva, Tuchel tem feito algumas improvisações para manter a qualidade de sua quase imbatível defesa.

E nesta rodada, a situação piorou com mais dois desfalques por contusão: Reece James saiu antes mesmo da metade da primeira etapa, para dar lugar a Marcos Alonso, enquanto Andreas Christensen deu lugar a Trevoh Chalobah no intervalo. Cansado, esfacelado, o Chelsea tentou à base do mínimo esforço sair na frente e controlar o destino da partida até o fim. De olho no domingo, quando enfrenta o Liverpool, a agremiação londrina não pareceu concentrada o bastante para fazer valer seu poderoso elenco diante do modesto Brighton.

Mas quem tem Romelu Lukaku bem em campo, não tem o que lamentar. O belga, retomando a forma física aos poucos, novamente foi decisivo. Aos 28′, Mason Mount cobrou um escanteio no meio da bagunça e achou Lukaku livre para cabecear, do jeito que ele gosta. O goleirão Robert Sanchez nada pôde fazer. Mount, que havia colocado uma bola na trave, seguiu tentando produzir uma solução ofensiva.

A resposta dos azarões

A décima posição é um lugar um tanto adequado para o Brighton. Afinal, a equipe vem sobrevivendo na elite graças a um trabalho muito bom e preservando seus talentos. A disciplina, marca ainda mais visível sob o comando de Graham Potter, foi a síntese da atuação dos Seagulls na segunda etapa. Antes de hoje, eles jamais haviam conseguido balançar as redes do Chelsea no Stamford Bridge. Mas a cada descida audaciosa, crescia a impressão de que ele sairia, cedo ou tarde.

Marc Cucurella não foi contratado com grandes expectativas à toa. O espanhol comandou o lado esquerdo do Brighton e sempre fez questão de distribuir a bola, pelo chão ou pelo alto, até o ataque. Com liberdade, no papel, ele deveria ser um homem de recomposição, mas o contexto forçou Potter a liberar mais Cucurella para facilitar sua criação. E assim se fez ao longo dos 45 minutos finais.

O Brighton não teve medo de sofrer contragolpes e pressionou o máximo que pôde, sem baixar a guarda quando defendia. O volume de jogo impressionava: em dado momento, os Seagulls tinham bem mais a bola e colocaram o Chelsea contra a parede. Limitado a se defender para sustentar a vantagem, a equipe de Tuchel mostrou por que a sequência de jogos é cruel e a limitação de substituições, em meio à pandemia, também.

As demonstrações de cansaço se acumulavam. O Chelsea só recuperou a vitalidade quando Tuchel sacou Callum Hudson-Odoi e colocou N’Golo Kanté, pulmão do meio-campo dos Blues. Kanté brecou o avanço do Brighton e ainda devolveu a capacidade ofensiva perdida de sua equipe no terço final.

No minuto 80′, a cartada decisiva. Potter tirou seu homem gol, Neal Maupay, para promover a vinda de Danny Welbeck. Embora longe de seu auge físico e técnico, Welbeck tinha algo a entregar. O abafa do Brighton seguiu, e os Seagulls arriscaram, já que não tinham nada a perder. Faltavam pernas a ambos os times, mas a coragem do lado visitante era maior. Cucurella, coringa de Potter, alçou um cruzamento na diagonal e achou Welbeck, que de cabeça, puniu o Chelsea.

A partida foi difícil para os comandados de Tuchel, como havia sido no domingo diante do Aston Villa. A preocupação do alemão aumenta ainda mais sabendo que quem sobrou no seu elenco defensivo está ainda mais sobrecarregado fisicamente. Haverá improvisações para o confronto crucial diante do Liverpool, que também virá mordido pela derrota contra o Leicester na tarde de ontem. Enquanto isso, a distância na tabela para o Manchester City só aumenta…

Já Welbeck, que não tem tido muitos motivos para comemorar, sai como herói de uma noite inesquecível para ele, sua torcida e seu perspicaz comandante. A seriedade de hoje ajuda a delinear como o Brighton não veio só para se segurar na Premier League. O plano é crescer ainda mais e mudar de patamar, deixando de ser um mero sobrevivente.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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