Premier League

Bernardo: “Vejo o Brighton com um pouco mais de ambição, pode almejar algo maior”

Quando a temporada começou, em agosto, o Brighton era certamente um dos times candidatos ao rebaixamento na Premier League. Natural para um clube que está entre aqueles de menor faturamento na liga. O clube, porém, parece ter uma ambição maior. Conseguiu contratar o técnico Graham Potter, que fez sucesso com o Swansea na segunda divisão e já tinha causado uma boa impressão pelo Östersund, da Suécia. O brasileiro Bernardo é um dos jogadores do time. Aos 24 anos, defende a equipe desde 2018 e sente que, depois de passar a temporada passada lutando contra o rebaixamento, nesta o time começa a poder olhar um pouco mais para cima na tabela.

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Bernardo Fernandes da Silva Júnior é filho de Bernardo Fernandes da Silva, o Bernardão, que foi um jogador importante no São Paulo, quando participou dos chamados “Menudos do Morumbi”, e ainda jogou em clubes como Santos, Vasco e Corinthians, já no final da carreira. O volante conseguiu ter uma boa carreira e é lembrado especialmente por são-paulinos e corintianos. Volante, era um bom marcador e cabeceador. O filho é um defensor, mas atua em posição diferente, a lateral esquerda. Mas nem sempre foi assim.

Quando saiu do Brasil, Bernardo atuava muitas vezes como zagueiro e lateral esquerdo, esta última a sua posição atual pelo Brighton. Mas sua passagem pelo Red Bull Salzburg e RB Leipzig tiveram muitos momentos como volante, mesma posição do pai. Em 2016, a Trivela conversou com o jogador para falar da sua vida na Áustria, quando ele já destacava que falar inglês o ajudava. Em 2017, já na Alemanha pelo Leipzig, falava sobre como era divertido jogar na equipe.

Com passagens pela base do Audax e depois Red Bull Brasil, Bernardo foi para a Áustria em 2016, onde ficou pouco tempo antes de se transferir ao time mais forte do grupo, RB Leipzig. Em 2018, aceitou o desafio de jogar pelo Brighton, em uma transferência de € 10 milhões. Nascido em São Paulo, o jogador já conta com uma temporada de experiência na Premier League e já consegue se ambientar bem no clube, que fica na costa sul de Londres.

Em entrevista ao site de apostas Betway, Bernardo contou um pouco de como é morar, treinar e jogar em Brighton, falou sobre a estrutura do clube e da ambição que vê por lá.

Rotina de treinamento e estrutura

Muita gente tem curiosidade de ver como é a rotina de um jogador e Bernardo trouxe algumas informação interessantes sobre como é a rotina dele no Brighton. Também contou um pouco sobre a estrutura do clube. “Eu sei que tem mais alguns campos sendo construídos, melhorando um pouco a estrutura para o departamento profissional, mas acho que no momento temos aproximadamente 12 campos”, contou o jogador à Betway.

“Geralmente eu chego por volta das 9h. Aí temos no vestiário temos que preencher como se fosse um formulário, em um tablet, que é como você dormiu, como está se sentindo, se está sentindo algum tipo de lesão. Aí você tem um aparelho, é como se você pressionasse com o joelho. É como se fosse um gol e no meio desse gol tem uma haste que você prende os dois joelhos e faz uma força para dentro, para ver o quão cansada sua perna está”.

“Depois disso tem uma régua gigante que você senta e empurra para ver se você está travado ou não está, o quão flexível você está. E por último você tem que fazer xixi em um potinho e colocar uma gotinha em uma maquininha pequena e aí ela mede o seu nível de hidratação. Esse eu não faço (risos), porque de manhã eu tenho um problema, eu só consigo fazer xixi bem quando eu acordo. Então os caras deixam eu não fazer”.

“O café seria até as 9h30, depois o treinamento é por volta de 10h, 10h30, dependendo se tem um vídeo ou alguma coisa. Depois a parte mais difícil, o treinamento. Depois do treinamento, se tiver alguma lesão ou alguma dorzinha, você passa no departamento médico. Se não, pode ir para a sauna, a piscina quente, que é o que eu mais faço. Depois, liberado, pode ir para casa e descansar”.

A ida para o Brighton

“O que aconteceu é que eu passei muito tempo nos times das Red Bull. Joguei no Red Bull Brasil, no Red Bull Salzburg, depois no Red Bull da Alemanha [RB Leipzig] e eu sentia que era o momento de eu buscar um outro lugar para trabalhar, estar em um outro ambiente, achava que isso poderia ser algo bom para a minha carreira”, disse o defensor.

“E o Brighton foi o time que apareceu ali no momento, ofereceu um projeto muito legal de vir para a Premier League, que é um objetivo que acho que todo jogador tem, a liga mais disputada do mundo. Então, quando surgiu a proposta do Brighton e quando eles me mostraram as facilidades, o centro de treinamento, o estádio, mentalidade, as condições que eles dão de trabalho, e, principalmente, o projetor que o time tem nos próximos anos, aí não teve como recusar”.

“O Brighton não é um time que faz loucura, é um time que investe, e que pouco a pouco vai montando uma base para ano a ano estar mais alto na tabela. Então, eu acho vejo a situação hoje confortável, lógico que não dá para relaxar, mas acho que a luta contra o rebaixamento não seja mais o nosso foco. Lógico que tem que estar sempre com atenção, mas vejo hoje o Brighton com um pouco mais de ambição, um time que pode talvez almejar algo um pouco maior”.

“Moro de frente para a praia”

Quando se fala em Inglaterra, muitos jogadores têm um certo receio de morar no país. Muito se fala de cidades cinzas como Manchester, mas Bernardo não parece ter esse problema.

“É legal viver em Brighton. É uma cidade legal, o clima é bom, o problema aqui é só o vento, mas de vez em quando sai um solzinho. Tem praia, não é a praia do Brasil, mas é uma prainha legal. Eu moro de frente para a praia, então acho que o oceano, a água, o sol trazem sim benefícios para o dia a dia”, conta o brasileiro.

“Eu principalmente me sinto melhor, meu humor geralmente tá melhor quando comparado com Alemanha, que é neve, chuva, o tempo não é tão legal. Tem muitos bons restaurantes, 50 minutos de Londres, então é uma cidade bem legal, você tem tudo ao seu alcance e Londres tá a 50 minutos de trem, então o que estiver faltando aqui é só pegar o trem e ir para lá”.

“Os melhores jogadores estão na Premier League”

“Eu acredito que os melhores jogadores, se você pegar uma média, os melhores jogadores estão aqui. É lógico que tem o Campeonato Espanhol, tem o Real Madrid, tem o Barcelona, o alemão, tem o Bayern, tem o Dortmund. Mas aqui o nível geral é mais alto. Então os jogadores do Brighton, por exemplo, poderiam estar jogando em grandes equipes em outras ligas. E não tem jogo fácil. Essa é a maior prova que o campeonato é o mais forte do mundo”.

“Por eu ser brasileiro, estar acostumado em jogar em estádios grandes, redondos e tal, talvez a torcida alemã fosse algo que eu mais me identificasse, eu esperava um pouco mais disso na Inglaterra. Eu acho que isso não é nem culpa dos torcedores. Porque quando está rolando um jogo e você vai ao pub, ou quando está rolando a Copa do Mundo, você vê que o inglês é tão apaixonado por futebol quanto o alemão, mas acho que são essas regras que inibem o torcedor inglês de se comportar de uma maneira mais passional no estádio”.

Estilo de jogo e visão de futuro do Brighton

A contratação de Graham Potter já era um indicativo que o Brighton almejava mais do que apenas escapar do rebaixamento, embora esse fosse o objetivo mais primordial de sobrevivência. E isso, segundo Bernardo, é sentido dentro do clube, pelos jogadores. Algo que ele acredita que não se repetiria no país natal.

“Eu acho que aqui no Brighton no momento o mais importante é a implantação de uma nova mentalidade, de um novo estilo de jogo, e que a diretoria e o treinador entendem que o time vai colher frutos assim”.

“Eu acho que aqui na Inglaterra você vai ver times, treinadores, clubes com preocupações diferentes, enquanto no Brasil, independente do clube, na maioria das vezes você está preocupado em conseguir o resultado a qualquer custo”.

Admiração por Marcelo e Filipe Luís

O Brasil tem grandes laterais esquerdos e a concorrência na posição é grande. Uma das maiores referências, não só brasileira, mas do mundo, é Marcelo, do Real Madrid. E o jogador recebe muitos elogios do seu compatriota do Brighton. “Tecnicamente, o Marcelo é o melhor lateral esquerdo do mundo. Lógico que defensivamente, ele talvez não seja o melhor lateral do mundo, mas se ele defendesse um pouquinho melhor, era unanimidade”, afirmou Bernardo.

“Eu tenho a ideia que o lateral é um defensor e que ele apoia quando possível e quando dá. Mas lógico que a posição vem mudando. Você vê por exemplo o Liverpool com dois laterais que dão 10 assistências por temporada. Então, acho que está em um momento de transição. Eu também estou em um momento de transição. Lógico que com o conceito da posição mudando, eu também tenho que me atualizar. Mas tecnicamente, se eu pudesse pegar alguma coisa de algum lateral, seria do Marcelo. Porque a técnica dele, a qualidade dele é fora de série”.

“Gosto bastante do Filipe Luís. Eu acho até que o nosso estilo é parecido. Ele é um defensor que sabe apoiar, então olhando por esse ângulo, somos parecidos. Ele é um lateral com uma média de jogos muitos bons. Lógico que uma hora ou outra ele faz um jogo excelente, mas você nunca vê ele fazer um jogo ruim, ele sempre faz um jogo de médio para bom. Isso é uma coisa que eu como atleta também busco, de manter um mesmo nível que ele mantém nas partidas, ele é um cara muito confiável. Eu gosto muito do Filipe Luís, então ele é um cara que sempre me espelhei”.

Futuro em busca de títulos

“Não descarto outras possibilidades, não hoje, mas a longo prazo, porque no final das contas o que todo jogador quer é sim disputar o título, é jogar para ganhar, e hoje é algo que, sendo sincero, não é possível aqui. Mas eu acredito no Brighton, que podemos chegar a esse patamar em alguns anos, e se eu puder fazer parte desse projeto, eu ficaria feliz”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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