Estudo mostra que astros da Premier League recebem mais de 2 mil abusos online num final de semana
Análise feita em parceria com empresa de ciência de dados revelou que postagens ofensivas têm crescido no futebol inglês
Em apenas uma rodada no final de semana de Premier League, mais de 2 mil publicações extremamente abusivas foram postadas nas redes sociais. Análise encomendada pela “BBC” em parceria com a “Signify”, empresa de ciência de dados, apontam que jogadores e treinadores são alvos de mensagens ofensivas.
A investigação foi realizada entre os dias 8 e 9 de novembro, durante os jogos da 11ª rodada do campeonato. Além da Premier League, as partidas da Women’s Super League também foram avaliadas. Em 16 confrontos, foram registradas posts com insultos racistas, homofobia e ameaças de violência.
Os técnicos foram mais visados do que os atletas, e nomes como Rúben Amorim, do Manchester United, Arne Slot, do Liverpool, e Eddie Howe, do Newcastle, foram os mais perseguidos entre os homens. Já no futebol feminino, o Chelsea e sua treinadora Sonia Bompastor receberam 50% dos insultos entre as mulheres. E os dados sugerem que o número geral está aumentando.
Ofensas na Premier League e a sensação de impunidade

Para realizar o levantamento, a Signify opera um sistema de inteligência artificial chamada “Threat Matrix”, que analisa publicações feitas nas redes sociais em busca de abusos. Durante o final de semana que serviu de objeto de estudo, mais de 500 mil posts online foram averiguados.
Ao todo, foram identificadas 22.389 mensagens com potencial ofensivo no X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. Como as sinalizações da ferramenta IA podem selecionar mensagens não abusivas, as publicações passaram por uma análise de duas etapas com humanos. Dan Burn é um exemplo prático.
O zagueiro dos Magpies tem um sobrenome que também significa “queimar” em inglês. Por isso a importância de uma segunda checagem, que constatou 2.015 mensagens que atingiram o limite para abuso online extremo — como ameaças à vida e discurso de ódio — e que violam as regras das plataformas onde foram postadas.
Dessas, 39 publicações foram consideradas graves o suficiente para justificar uma investigação mais aprofundada, como emojis de macaco em comentários de fotos de jogadores negros e até ameaças de estupro. O diretor-executivo da Associação de Futebolistas Profissionais, Maheta Molango, critica a falta de punição aos abusadores online.
— Se isso acontecesse na rua, teria consequências criminais e potenciais prejuízos financeiros. Então, por que as pessoas online têm essa sensação de impunidade? Precisamos acabar com isso.
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Tendência é que abusos online aumentem sem intervenção das plataformas

A “BBC” e a “Signify” denunciaram as publicações mais graves às plataformas das redes sociais por ferirem as diretrizes. Entretanto, apenas algumas dos 37 abusos no “X” foram removidas, enquanto outras tiveram o alcance reduzido, mas permaneceram online. A “Meta”, proprietária do Facebook e do Instagram, só removeu um conteúdo.
A Lei de Segurança Online, que entrou em vigor no Reino Unido em outubro de 2023, determina um dever legar às plataformas que comandam as redes sociais. Elas são obrigadas a identificar e remover conteúdo ilegal, como ameaças, assédios e discurso de ódio.
Por outro lado, as plataformas argumentam que o direito à liberdade de expressão as deixam relutantes em censurar ou remover conteúdos de seus usuários. Jonathan Hirshler, diretor-executivo da empresa de ciência de dados, aponta que a falta de intervenção incentiva mais abusos online.
— Observamos um aumento de cerca de 25% ao ano nos níveis de abuso que detectamos. Entendemos a posição das plataformas em relação à liberdade de expressão, mas algumas das coisas de que estamos falando são tão absurdas — começou Hirshler.
— Ameaças de morte realmente repugnantes, além de conteúdo violento e horrível. Se as pessoas que defendem a liberdade de expressão absoluta lessem algumas dessas mensagens, não questionariam por que algumas delas estão sendo denunciadas e por que é preciso tomar medidas — finalizou.



