Premier League

Arsenal vence o jogo, City perde o campeonato

Em franca ascensão no Campeonato Inglês, o Arsenal recebeu neste domingo o Manchester City, no Emirates Stadium. Depois de encarreirar sete vitórias consecutivas, interrompidas pela derrota para o QPR na rodada anterior, o time de Arsène Wenger poderia alcançar a terceira colocação na classificação. Já o City, comandado por Roberto Mancini, precisava recuperar terreno na disputa pelo título após queda de produção no segundo turno.

O Arsenal começou com a formação que vem utilizando ao longo da temporada, um 4-2-3-1 com um extremo agudo (Walcott) e outro articulador (Benayoun). Ramsey, de fraca atuação no último jogo, ficou no banco. O City, sem poder contar com seu principal jogador na temporada, David Silva, começou também com um 4-2-3-1, mas assimétrico, com Balotelli fazendo a extrema esquerda, Nasri centralizado e Milner na direita.

Arsene Wenger gosta de um time ofensivo, que troque passes rapidamente e de muita movimentação dos homens de meio. Os laterais apoiam constantemente, por vezes até ao mesmo tempo. Os volantes são jogadores com boa técnica e recebem liberdade de subir quando a oportunidade se apresentar.

No lado esquerdo, Gibbs tinha mais espaço para chegar ao fundo, uma vez que Benayoun é mais afeito ao jogo pelo meio. Muitas vezes, inclusive, o israelense trocou de posição com Rosicky. Na direita, Walcott joga rente a linha, e usa Sagna mais como apoio. Os jogadores dão dois ou no máximo três toques na bola, fazendo fluir o jogo, de um lado a outro, procurando espaços.

Preocupado com os avanços dos laterais, Mancini orientou Milner e Balotelli e acompanhá-los. Enquanto Milner, um cumpridor de funções, seguiu Gibbs com afinco, Balotelli demorava muito para recompor e quando fazia, tardava para chegar ao ataque. Ou seja, Balotelli foi ineficaz na função que lhe foi dada.

A linha defensiva, por outro lado, portou-se muito bem. Zabaleta e Clichy fecharam os lados, encurtando sempre na bola e se aproximando dos centrais quando a jogada era pela lado oposto. Kompany e Lescott também foram muito seguros no cuidado ao perigoso van Persie.

Lesão de Yaya Touré muda o panorama

Aos 17 minutos, Yaya Touré foi substituído com dores no joelho esquerdo, após choque com Song. Em seu lugar entrou David Pizarro. O chileno é um volante articulador. Um jogador inteligente para ocupar espaços, mas que tem como principal característica o passe e não o combate. Por essa razão, Mancini modificou o posicionamento de outros dois jogadores, mantendo a formação. Nasri passou para o flanco direito, Milner ocupou a vaga de Touré e Pizarro passou a ser o meia central.

Os problemas do City se agravaram, por vários motivos. Nasri fragilizou a marcação a Gibbs pelo lado direito, fazendo com que Milner e Barry tivessem mais trabalho na marcação. Pizarro é um jogador que ocupa a faixa central do campo e naturalmente se deslocava para trás, em busca de receber a bola antes. A consequência principal foi que a marcação recuou, sacrificando ainda mais Balotelli. Na imagem acima, nove jogadores já estão no campo de defesa logo após o Arsenal cruzar a linha que divide o campo.

Agüero, ainda sem ritmo após duas semanas parado, pouco participou do jogo. Sem aproximação de Pizarro e com Balotelli e Nasri longe devido às funções defensivas, o argentino ficou isolado.

O placar inalterado do intervalo se explica pela inabilidade do Arsenal em transformar a posse da bola em oportunidades de gol. A melhor chance foi em uma cobrança de escanteio, quando Vermaelen inadvertidamente tirou de dentro do gol o cabeceio de van Persie.

Além da boa atuação da defesa adversária, o Arsenal carece de um jogador para ser o parceiro de van Persie. O holandês, por característica, é um jogador de muita mobilidade, que gosta de buscar a bola. No entanto, nenhum dos três meias tem o costume de infiltrar na área. Walcott, quase um ponteiro à moda antiga, é o que mais entra, mas pelo lado. A função que Fàbregas fazia com maestria e que Nasri cumpria bem, agora está vaga.

Partida melhora após o intervalo

Na base da conversa no vestiário, Mancini arrumou o seu time, passando a enfrentar melhor o jogo. O esquema passou a ser o 4-3-3, conforme a figura abaixo.

A equipe ficou mais compactada, marcando mais na frente, permitindo que Balotelli e Nasri pudessem auxiliar a defesa sem recuar tanto. Pizarro passou a jogar onde gosta, articulando por trás, como Pirlo faz na Juventus e na Seleção Italiana. Os laterais, principalmente Clichy, também começaram a participar mais do jogo ofensivo.

Nesse momento, o City quase marcou, na sua melhor chance, com Agüero de cabeça. Nasri começou saía do lado para o meio, recebendo o passe atrás dos volantes e criando perigo. No entanto, a vantagem durou pouco. O Arsenal respondeu com o mesmo veneno.

Quando o time londrino se apossava da bola, um dos volantes (Arteta ou Song) avançava para a mesma linha de Rosicky e Benayoun, criando superioridade numérica no meio e obrigando Nasri a voltar. O jogo ficou mais aberto e melhor de assistir. O Arsenal não marcou porque a trave salvou Hart por duas vezes: em cabeceio de van Persie após lançamento de Song e chute de Walcott em cruzamento rasteiro de Sagna.

Mancini escolhe o empate e leva a derrota

Aos 34 minutos, o City fez sua segunda substituição, praticamente abdicando da vitória. Kolarov entrou na vaga de Nasri, mudando a formação para um 4-4-2 tradicional.

Agüero e Balotelli passaram a receber a bola em esporádicos lançamentos de Pizarro ou bolas afastadas pelos zagueiros. A linha de meio jogava praticamente fixa, sem aproximação na frente. A ideia era ficar com a bola e procurar os atacantes para que, em jogadas individuais, talvez pudessem resolver.

Wenger renovou seu ataque, colocando Ramsey e Oxlade-Chamberlain nas vagas de Benayoun e Walcott. Quando Agüero cansou, deu vaga a Tévez. Um minuto depois, Arteta roubou bola na intermediária de ataque e chutou forte para garantir os três pontos ao time que mais mereceu. O Arsenal cresce na disputa pelas vagas na Liga dos Campeões, mas ainda continua longe do que a torcida quer.

O City começou a temporada de forma espetacular, mostrando um futebol bonito e eficaz. David Silva, Nasri, Dzeko e Agüero formavam um ataque avassalador. No segundo turno, Nasri e Dzeko caíram de produção enquanto Agüero e Silva desfalcaram a equipe em jogos importantes. Balotelli segue seu dilema de ser herói ou vilão. E Tévez, após todo o tempo e o dinheiro que perdeu, comprovadamente não tem a confiança do treinador.

Time de futebol se forma com qualidade, trabalho e tempo. O City comprou qualidade, mas precisa de mais do resto. Enquanto isso, Sir Alex Ferguson vai colocar mais uma vez as fitas vermelhas na taça da Premier League.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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