Premier League

Arsenal e Liverpool proporcionaram um jogo intenso e de excelente futebol no Emirates

Não é de hoje que o Liverpool exibe um jogo bastante vistoso, entre os melhores da Europa. E depois de anos claudicantes, o Arsenal também parece pronto a recuperar um estilo primoroso – algo comum em parte da era Arsène Wenger, mas perdido com o tempo. Unai Emery possibilita este resgate e vinha emendando bons resultados. No entanto, as vitórias aconteciam contra adversários mais fracos e aguardava-se como seria a postura nos confrontos diretos, após as derrotas para Chelsea e Manchester City no início da Premier League. Os duelos contra o chamado “Top Six” foram uma dor de cabeça aos londrinos nas temporadas recentes e, por isso mesmo, a partida deste sábado representava tanto. Era o primeiro desafio real desde a ascensão do time. A vitória no Emirates não aconteceu. Mesmo assim, Arsenal e Liverpool proporcionaram um bom espetáculo. Os Gunners conseguiram jogar de igual com os Reds e os oponentes alternaram momentos, sobretudo no intenso primeiro tempo. Ao final, o grande destaque no empate por 1 a 1 foi a qualidade apresentada no gramado.

Unai Emery escalou o Arsenal com toda a sua força no setor ofensivo. Alexandre Lacazette, Pierre-Emerick Aubameyang, Mesut Özil e Henrikh Mkhitaryan formavam o quarteto de frente, municiados por Granit Xhaka e Lucas Torreira. Além disso, outra parte importante na formação atual é o apoio dos laterais, Héctor Bellerín e Sead Kolasinac. Já no Liverpool, força máxima entre os jogadores à disposição. O tridente ofensivo tinha Sadio Mané, Roberto Firmino e Mohamed Salah, enquanto Fabinho acompanhava James Milner e Georginio Wijnaldum no meio.

O Arsenal começou mostrando quem era o mandante no jogo, com um ótimo início de partida. Aproveitava a mobilidade de sua linha de frente e a velocidade de Aubameyang às costas da defesa. As principais oportunidades da equipe nos primeiros 15 minutos contaram com a participação do gabonês, que logo acertou a parte externa da rede de Alisson. Além disso, quase o goleiro entregou o ouro. Saiu errado em uma bola levantada na área e permitiu que Mkhitaryan cabeceasse com muito perigo.

O Liverpool começou a se encontrar um pouco mais no ataque a partir dos 17 minutos, com aceleração máxima. Neste momento, poderia muito bem ter aberto o placar. Trent Alexander-Arnold lançou, Firmino saiu na cara do gol e tirou a bola do alcance de Bernd Leno, mas carimbou o travessão. Mané aproveitou o rebote e mandou para dentro, mas o árbitro assinalou um impedimento inexistente. Os Reds permaneciam mais ligados, tentando atacar de maneira mais direta e obrigando Leno a fazer grande defesa diante de Virgil van Dijk. Enquanto isso, a posse de bola era do Arsenal, com mais volume de jogo e finalizando mais. Nos instante finais, os dois times criaram, mas de novo que parou no poste foram os visitantes. Leno saiu mal e Van Dijk cabeceou na trave.

O segundo tempo começou com ritmo um pouco mais lento, sem a mesma intensidade. Assim, o gol do Liverpool serviu para que o cenário se reabrisse, aos 16. O tento nasceu a partir de um cruzamento de Mané pela direita, que Leno afastou mal. A sobra ficou com James Milner, na entrada da área, e o veterano chutou com força para estufar as redes. Ainda que Lucas Torreira tenha exigido uma boa defesa de Alisson na sequência, o Arsenal sentiu o gol. Perdeu o ímpeto e cometeu pequenos erros, que poderiam ter rendido o segundo dos Reds. Salah e Mané tiveram boas chances, enquanto Leno operou um milagre para desviar a cabeçada de Van Dijk.

A reação do Arsenal seria comandada por um substituto. Alex Iwobi entrou no lugar de Mkhitaryan e queria jogo. No lado esquerdo, partia para cima da marcação e tentava criar jogadas. Graças a ele o empate saiu, aos 36 minutos. O nigeriano deu um ótimo passe a Lacazette, que aproveitou o desleixo da marcação. Alisson tentou fechar o ângulo do francês, mas ele foi mais inteligente. Protegeu a bola, girou e, mesmo com pouco ângulo, chutou no canto da meta adversária. Gol de quem sabe. Já nos minutos finais, o duelo seguiu aberto, entre a pressão do Gunners e os contragolpes dos Reds. As melhores oportunidades, contudo, passaram a centímetros das metas, com Mané e Héctor Bellerín errando por pouco.

O Arsenal permanece no G-4, com 23 pontos, mas pode ser ultrapassado pelo Tottenham ao final da rodada. O que vale, mais do que o ponto conquistado, é a postura contundente e a maturidade da equipe. As oscilações devem ser corrigidas, mas o saldo é positivo. Lucas Torreira, mais uma vez, sai como destaque pelo controle que exerceu na faixa central do campo. E o ânimo é grande por, enfim, os londrinos peitarem um rival direto. Já o Liverpool aparece na liderança da Premier League, com 27 pontos, correndo o risco de ser superado pelo Manchester City e de ser igualado pelo Chelsea. Não foi o jogo mais letal do time de Jürgen Klopp, mas os Reds souberam lidar com os momentos de pressão, sobretudo no primeiro tempo – e com uma atuação excelente de Van Dijk. As pretensões de ambos os clubes dependerão da regularidade, de qualquer forma. Mas a postura deste sábado é um bom indício.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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