Premier League

Arsenal atropela o Norwich e vê Saka comandar a festa em Carrow Road

Jovem craque dos Gunners marcou duas vezes e fez partida memorável contra os Canários

O Arsenal já teve notáveis jogadores com o número 7 às costas. Passando por George Armstrong, Liam Brady, David Rocastle, Robert Pirès e Tomas Rosicky, a camisa traz alguma reputação de ser carregada por jogadores talentosos e decisivos. Em 2021, o jovem Bukayo Saka é o responsável por seguir a tradição. E está fazendo isso muito bem. Neste domingo, ele marcou duas vezes na vitória por 5 a 0 diante do Norwich, no Carrow Road.

Foi a celebração de uma boa fase do Arsenal na Premier League. A quarta vitória consecutiva coroou o bom entendimento e o encaixe entre as peças de Mikel Arteta. Tão criticado por não conseguir fazer o time evoluir desde que chegou ao cargo, o treinador parece ter encontrado um elenco com vontade e talento suficientes para mudar o clube de patamar. Para tanto, Arteta teve paciência e contou com a confiança da diretoria para dar sequência ao trabalho.

De olho na vaga para a Champions

Em campo, o Arsenal tem demonstrado uma postura bastante agressiva no início de suas partidas. Evidentemente, isso nem sempre se reverte em gols. Mas quando a blitz ofensiva nos minutos iniciais dá certo, o time decola para consolidar ainda mais sua vantagem. Foi nesse espírito que Bukayo Saka abriu a contagem aos cinco minutos, em jogada individual. E ele teve toda a calma do mundo para receber no bico da área, ajeitar o corpo e bater rasteiro bem no cantinho da meta de Angus Gunn.

Apesar da propensão ofensiva e do domínio explicitado ao longo da primeira etapa, o segundo gol veio apenas depois dos 40. Uma bela bola invertida por Martin Odegaard no meio-campo encontrou o lateral-esquerdo Kieran Tierney descendo em velocidade pela ala. O escocês conduziu, acompanhado pelo marcador, e tocou de maneira suave para o gol. A bola ainda ricocheteou na trave antes de entrar. Bela trama ofensiva que evidenciou a movimentação inteligente do ataque dos Gunners. A letalidade na hora de finalizar ajudou, nota 10 para o chute de Tierney.

Na segunda etapa, os visitantes mantiveram o controle da partida e somaram um número relevante de finalizações: 16, sendo 6 na direção da meta de Gunn. O dilema do goleiro do Norwich, no entanto, era a falta de combatividade de sua defesa. Foram muitos espaços concedidos para um time que ataca sempre com muita velocidade como o Arsenal. A consequência dessa postura era evidente: mais bolas forçadas no vazio para os Gunners criarem com tempo e tranquilidade.

Saka, o nome da noite, ganhou folga da marcação e encaixou outro chute preciso no canto para ampliar, aos 20 da segunda etapa. À essa altura, a missão dos Canários era apenas impedir um vexame ainda maior. A equipe, que não se encontrou desde que foi promovida à elite, parece fadada a um novo retorno para a Championship. Com esse elenco abaixo da média e esse desempenho recente, realmente é um caso claríssimo de descenso.

Em ritmo de treino

Por outro lado, o Arsenal, que não tem nada com isso e só quer ganhar o seu, se mantendo na zona de classificação para a Liga dos Campeões. E martelando cada vez mais, com paciência, sem urgência para matar os lances, era natural que outros gols saíssem. A fluência culminou em um pênalti meio estabanado de Ozan Kabak em Alexandre Lacazette, uma enxadada no francês, que tentava fazer o pivô para controlar a bola. Na cobrança, o mesmo Lacazette bateu e fez.

A atuação segura do Arsenal ainda teve um quinto e último gol dos pés da promessa Emile Smith-Rowe, que infiltrou na área do Norwich em busca de espaço, não foi incomodado e se colocou exatamente na rota de uma finalização de Nicolas Pepé. O marfinense mirou um chute na lateral da rede, mas viu Smith-Rowe desviar para o fundo do gol. Nos números, vitória absolutamente incontestável dos visitantes.

Comandar o time, ainda que contra um adversário inferior, é um tremendo impulso para a carreira de Saka. Considerado como um dos maiores talentos do futebol inglês na atualidade, o meia parece não sentir o peso de defender um grande e mostra a evolução não só nas decisões, mas na maneira como encara as fases em sua trajetória. O Arsenal de Arteta se organizou e tem muita bola para voltar a ocupar um lugar entre os protagonistas da Premier League. Enquanto Saka estiver inspirado, o caminho para cada vitória ficará mais curto.

Em quarto lugar, os Gunners veem o Chelsea de perto, enquanto tentam fugir do Tottenham, que vem logo atrás na tabela. A questão é quanto tempo mais o Arsenal se mantém nesse pique e se os duelos diretos não vão alterar drasticamente a posição do time na tabela. É justo que haja empolgação pelo desempenho recente, mas a caminhada ainda é longa até a Liga dos Campeões.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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