Premier League

Arsenal 3 x 3 Liverpool: um thriller cheio de erros que não ficou bom para ninguém

A definição de thriller é – pela Wikipedia – um gênero “caracterizado e definido pelos sentimentos que provocam, proporcionando aos espectadores sensações elevadas de suspense, excitação, surpresa, antecipação e ansiedade”. O empate por 3 a 3 entre Arsenal e Liverpool teve tudo isso, e foi emocionante como um bom thriller, e como são muitos jogos da Premier League. Se continuássemos na metáfora cinematográfica, seria um filme divertido, um ótimo entretenimento, mas cheio de furos de roteiro, com erros de direção e alguns atores canastrões.

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O que tornou a partida desta sexta-feira tão interessante, acima de tudo, foi a combinação entre a incapacidade crônica do Liverpool de matar uma partida que dominava, elevada à enésima potência, com a apatia que tantas vezes assola o Arsenal. Quando os visitantes fizeram 2 a 0, algo aconteceu com os donos da casa, talvez finalmente incomodados com a perspectiva de passar vergonha diante da própria torcida e, com um espírito de luta renovado, conseguiram a virada em um intervalo de seis minutos, explorando os erros de uma defesa que parecia mais sólida – havia sofrido apenas dois gols nos últimos seis jogos -, mas que teve uma recaída daquelas.

Em um jogo entre equipes normais, o Liverpool teria matado o jogo quando fez 2 a 0 e precisaria apenas administrar o restante. Mas, como observou Milner ao apito final, este é um time que não sabe ser enfadonho, o que em muitos âmbitos da vida é um defeito, mas, no futebol, nas circunstâncias certas, pode ser uma grande qualidade. Já foi demonstrado em mais de uma ocasião nesta temporada que o Liverpool precisa de uma vantagem larga para não correr riscos. Produziu o bastante no primeiro tempo para adquirir essa vantagem. Falhou nas finalizações.

Roberto Firmino teve duas cabeçadas muito perigosas na segunda trave, uma defendida por Petr Cech, outra cruzada que passou muito perto da trave. Um bonito lançamento de Milner achou Salah, pela direita. O cruzamento desviou em Koscielny e subiu. Coutinho, que tem 1,70 metros de altura, conseguiu cabecear por cima do goleiro do Arsenal porque estava completamente sozinho. Havia arrancado da intermediária, observado por dois marcadores. Mas apenas observado. Na hora do arremate, Xhakha inexplicavelmente desistiu do lance. Ficou olhando em vez de dividir com o brasileiro.

 

Foi uma demonstração didática da diferença de intensidade entre os dois times nos primeiros 45 minutos. Enquanto Coutinho correu e acreditou até o fim, Xhaka abdicou. O ataque não se empenhou muito mais do que isso e não produziu nada. Firmino quase ampliou com um chutaço da entrada da área. Após Koscielny escorregar na hora do corte, Salah, o artilheiro do Liverpool na temporada, ficou cara a cara com Cech, mas finalizou mal. Mané pegou o rebote e, ao invés de fazer o simples, tentou emendar um voleio e mandou por cima. Logo depois, o senegalês deixou com o egípcio, em ótima situação, e Salah furou.

O Arsenal foi para os vestiários aliviado. Pelo que não fez e pelo que o Liverpool fez, a situação poderia ser bem pior. Salah, por exemplo, vinha sendo implacável a temporada inteira e perdeu duas chances claras. Mas não perdeu a terceira. Em contra-ataque, o egípcio recebeu na entrada da área e bateu colocado. A bola desviou em Mustafi, enganou Cech, e o Liverpool fez 2 a 0. Não deu tempo de nenhum vermelho comemorar. Logo na sequência, Joe Gomez cochilou e permitiu que Sánchez se antecipasse para descontar. Eram 8 minutos do segundo tempo. Aos 11, Xhaka mandou de fora da área, no meio do gol, e Mignolet aceitou. Aos 13, Özil tabelou com Lacazette, recebeu o toque de calcanhar e tocou na saída do goleiro belga para fazer 3 a 2.

 

O Liverpool entrou em pânico, e o Arsenal cresceu. Poderia até ter marcado o quarto, teve volume de jogo para isso, mas não conseguiu. Os visitantes conseguiram se assentar novamente na partida, que virou briga de rua, com trocas incessantes de ataques. Em uma delas, Firmino recebeu na entrada da área e bateu muito forte. Cech chegou a espalmar, mas mandou a bola para trás. Discutível se chegou a ser falha ou frango, pela potência do arremate, mas um goleiro dessa estirpe talvez pudesse ter feito um pouco melhor.

 

Na letra fria da lei, o empate foi melhor para o Liverpool, por atuar fora de casa e por se manter entre os quatro primeiros colocados. Mas é difícil comemorar um ponto quando os três estiveram tão próximos. Para o Arsenal, fica o embalo de uma grande recuperação e a lição de que o time deveria tentar jogar dessa maneira mais vezes, durante mais minutos de uma mesma partida. Mas segue fora da zona de classificação à próxima Champions League.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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