Premier League

Alex Ferguson: “Superliga é ideia guiada por dinheiro e não seria atrativa para os clubes da Premier League”

A ideia de uma superliga europeia assombra há anos e nos últimos meses apenas ganhou mais força. Mais recentemente, foi revelado que Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, tem tido reuniões com dirigentes importantes do futebol mundial, incluindo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para falar sobre seus planos. Por outro lado, a defesa das ligas domésticas ganhou um importante aliado: Alex Ferguson.

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Em entrevista à BBC, o ex-treinador e ídolo do Manchester United criticou a ideia de uma superliga, “sem dúvidas guiada por dinheiro”, e argumentou que os grandes clubes da liga inglesa não teriam por que abandonar o barco.

“Tenho dificuldades em ver por que um time inglês precisaria sair (da Premier League). Sem dúvidas, (a ideia de uma Superliga) é guiada por dinheiro, mas certamente isso não seria atrativo para os nossos clubes na Premier League, que, no momento, é a melhor liga doméstica do futebol mundial e é bem apoiada financeiramente por Sky, BT e, agora, Amazon”, explicou, citando os acordos multibilionários de direitos de transmissão no Reino Unido.

O argumento mais forte contra a criação de uma superliga é, mais do que a aversão a mexer no tradicional, o impacto que isso teria no futebol como um todo. Times de média e pequena expressão, em um último caso mais extremo e de longo prazo, poderiam até desaparecer pela falta de suas contrapartes mais ricas e poderosas que alavancam a injeção de dinheiro nas ligas.

“Muitos clubes com grande história poderiam estar perdidos se seus parceiros na Premier League se mudassem. Eu acredito firmemente que esta é uma avaliação realista do valor do futebol doméstico”, defendeu Ferguson.

A longuíssimo prazo, uma superliga europeia apenas com os gigantes do continente é uma ideia perniciosa mesmo aos próprios planos de enriquecimento desses clubes já imensamente.

De fato, ela traria ainda mais dinheiro imediato a equipes do patamar de Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Juventus, mas ao custo de instituições que são pedras angulares do futebol e que ajudam a perpetuar a paixão pelo esporte e o seu crescimento. Uma hora, a história iria alcançar esta decisão e virar um problema aos sucessores de Florentino Pérez.

Em seu lado mais saudoso, mas não menos válido, Ferguson termina por defender o status da atual Liga dos Campeões: “A atração de jogar na Champions League é enorme para jogadores, treinadores e torcedores, já que segue como o grande teste do futebol de clubes”.

A conversa de Pérez com a Fifa é apenas uma das várias frentes em que discussões sobre uma reestruturação no futebol europeu estão acontecendo. A Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês) tem estudado mudanças à Champions League, com as conversas mais recentes tratando de uma liga com 32 equipes em que cada clube jogaria dez partidas contra dez adversários diferentes, com oito times se classificando diretamente para o mata-mata e outros 16 indo para uma repescagem.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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