Premier League

A Premier League já teve seu primeiro treinador demitido neste início de temporada: Xisco Muñoz, do Watford

O comandante durou apenas sete rodadas no cargo, mesmo depois de conquistar o acesso recente

A Premier League precisou de sete rodadas para ter seu primeiro treinador demitido nesta temporada. Xisco Muñoz recebeu o bilhete azul do Watford, mesmo depois de conquistar o acesso na última Championship. Sua equipe até conseguiu duas vitórias neste reinício na primeira divisão, mas vinha de eliminação recente na Copa da Liga. A gota d’água aconteceu neste sábado, com a derrota diante do Leeds United em Elland Road. Apesar dos problemas, os Hornets ocupam o 14° lugar, quatro pontos acima da zona de rebaixamento.

“O Watford confirma que Xisco Muñoz deixou o cargo de treinador. A diretoria acredita que os desempenhos recentes indicam fortemente uma tendência negativa, num momento em que a coesão da equipe deveria melhorar visivelmente. Os Hornets sempre serão gratos a Xisco pelo papel que ele desempenhou ao assegurar o acesso na última temporada e desejam o melhor na sequência de sua carreira. Nenhum outro comentário será feito até o anúncio iminente de um novo treinador”, anunciou o Watford, em sua nota oficial.

Xisco não durou um ano em Vicarage Road. O treinador assumiu o Watford em dezembro de 2020, quando a equipe não conseguia engrenar na tabela e aparecia apenas na zona de playoffs da Championship. O comandante estreou batendo logo de cara o líder Norwich. O rendimento dos Hornets subiu, com boas sequências de vitórias a partir do segundo turno da competição. A partir de março, o Watford se consolidou na segunda posição e conquistou o acesso imediato à Premier League.

Já neste início de nova campanha, o Watford estreou muito bem, com vitória sobre o Aston Villa. Todavia, emendaria três derrotas na sequência e, desde então, só venceu o Norwich. Os números não são tão ruins, mas a equipe se candidata outra vez a lutar contra o rebaixamento, apesar dos investimentos recentes. Já na Copa da Liga Inglesa, após despacharem o Crystal Palace, os Hornets sucumbiram ao Stoke City – um adversário da segunda divisão, o que aumentou a pressão.

Mais decisivo para a demissão que o aproveitamento neste início de Premier League foi o baixo nível do futebol apresentado pelo Watford, o que já indicava a insatisfação da diretoria com o trabalho de Xisco. A impressão era de que os Hornets rendiam abaixo das possibilidade e das próprias movimentações no mercado, o que acelerou a decisão. Faltava uma identidade em meio às mudanças recentes, algo que Xisco conseguiu rapidamente em seus primeiros meses na Championship. O empate contra o Newcastle já tinha incomodado, enquanto a derrota para o Leeds aumentou a pressão. Foram pontos desperdiçados contra rivais diretos na parte inferior, que podem custar caro mais tarde.

E vale ponderar que a tabela realmente difícil do Watford começa nas próximas semanas. Até o início de dezembro, os Hornets enfrentam em sequência: Liverpool, Everton, Southampton, Arsenal, Manchester United, Leicester, Chelsea e Manchester City. Provavelmente, os sete pontos atuais serão uma pontuação ruim dentro de dois meses. O novo comandante não terá muito tempo para trabalhar seu novo elenco, embora a próxima Data Fifa ofereça um respiro – e isso certamente influenciou a decisão da diretoria.

Cabe dizer que o Watford não costuma ser o clube mais paciente com seus treinadores. Desde a saída de Malky Mackay na virada da década passada, apenas dois treinadores duraram mais de uma temporada no cargo, e nenhum deles chegou ao terceiro ano. Javi Gracia foi o último que teve uma relativa estabilidade ao faturar o acesso, mas, desde sua saída em setembro de 2019, seis comandantes diferentes já passaram pelo cargo. Xisco Muñoz até permaneceu mais que os outros técnicos desse ínterim e possui um acesso que o coloca na memória da torcida, mas nada suficiente para fazê-lo ficar mais do que 36 partidas em Vicarage Road.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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