Premier League

A defesa monumental de De Gea simboliza a vitória do United, num jogo em que o Wolverhampton fez de tudo para ganhar

O Wolverhampton bombardeou a meta adversária no Molineux, mas um gol de Greenwood no fim valeu até recorde ao United

O Manchester United estabeleceu um novo recorde na Premier League: são 28 partidas sem perder como visitante. E o 18° triunfo desta sequência muito provavelmente foi o mais difícil, com os Red Devils precisando suar sangue diante do Wolverhampton dentro do Estádio Molineux. Os Lobos foram claramente superiores ao longo do jogo, dando muito trabalho com a velocidade de seu ataque e criando uma porção de ocasiões. Se o gol não saiu, os méritos são principalmente de David de Gea, que realizou uma defesa assombrosa no segundo tempo e representaria a resistência de sua equipe. Já do outro lado, num lance reclamado pelos anfitriões, Mason Greenwood se provou decisivo nos minutos finais e anotou o gol que valeu a suadíssima vitória por 1 a 0. Daquelas partidas em que os mancunianos, definitivamente, não podem reclamar da sorte.

O Wolverhampton não quis esperar para mostrar como o Manchester United sofreria na tarde. Os Lobos aceleravam no ataque e criavam oportunidades cristalinas de abrir o placar. Aos três minutos, Raúl Jiménez forçaria a primeira intervenção de David de Gea mesmo sem acertar um bom chute, com o goleiro desviando com o pé. Já aos seis, numa bobeira de Fred, Francisco Trincão até conseguiu tirar a bola de De Gea. O problema foi Aaron Wan-Bissaka, que acelerou e salvou de maneira impressionante quase em cima da linha. Adama Traoré ainda testaria De Gea mais uma vez antes dos dez.

A maneira como o Manchester United estava exposto aos contra-ataques preocupava. O time até registraria sua primeira finalização na sequência, em tiro de Daniel James desviado por Mason Greenwood que passou ao lado. De qualquer maneira, a ação se concentrava do outro lado e João Moutinho ainda mandaria mais um chute perigoso por cima. Cada ataque do Wolverhampton se tornava um perigo, o que se repetiria aos 26, num cruzamento de Jiménez que Romain Saïss mandou muito perto, apesar do impedimento no lance.

Somente depois dos 30 que o sufoco do United diminuiu um pouco. Os Red Devils chegaram a ter um gol anulado por impedimento, antes que o Wolverhampton ameaçasse novamente, com um bloqueio decisivo de Harry Maguire e um arremate para fora de Rúben Neves. Paul Pogba, em particular, se mostrava perdido na proteção da cabeça de área. Mesmo assim, Greenwood quase conseguiu mostrar como poderia decidir o jogo, num chute cruzado que passou muito perto da meta de José Sá.

O Wolverhampton podia se considerar desafortunado por não sair em vantagem no primeiro tempo, mas não desanimou para o segundo. Os Lobos mantiveram sua estratégia e exigiam a defesa adversária, com Raphaël Varane se desdobrando para evitar o pior. Já aos oito minutos, o United gastou sua primeira substituição, com Edinson Cavani no lugar de Daniel James. Ocorreria um lampejo pouco depois, com Fred exigindo a defesa segura de José Sá. Nada que intimidasse os anfitriões, ainda assim. Jiménez e Trincão seguiam martelando do outro lado, antes que Greenwood respondesse pela direita, para onde foi deslocado com a entrada do centroavante uruguaio.

A prova definitiva de que o dia não era do Wolverhampton aconteceu aos 24 minutos. De Gea realizou uma sequência de defesas monumentais. Primeiro, o espanhol rebateu meio no susto a cabeçada de Romain Saïss, para o chão e à queima-roupa. Mas nada se compara à ação do arqueiro no rebote, esticando o braço no vazio para espalmar um míssil do marroquino, a menos de um metro. Desde já, a defesa é candidatíssima ao prêmio de melhor da temporada. O grande lance dos Lobos antecederia a recuperação do United, que botou Anthony Martial no lugar de Jadon Sancho. José Sá faria uma intervenção decisiva aos 30, desviando para fora a finalização de Pogba. Greenwood era muito ativo pela direita e dele surgiria o gol, aos 35.

O lance geraria reclamação do Wolverhampton, que desejava uma falta de Pogba sobre Rúben Neves no início da jogada. A arbitragem mandou seguir e Varane acionou Greenwood. O garoto pedalou, abriu para o chute e mandou um arremate rasante, que José Sá até conseguiu tocar, mas não o suficiente para desviar do caminho das redes. O VAR revisou a jogada e a validou, com a insatisfação dos Lobos rendendo o amarelo a Neves. Por fim, o Wolverhampton não manteria a intensidade para arrancar o empate. A reta final da partida ficou muito picada, com vários cartões e faltas. No último suspiro, Morgan Gibbs-White mandou um voleio para fora. Melhor para os Red Devils, que celebraram uma vitória em condições bastante adversas.

O Manchester United ocupa a terceira colocação da Premier League, ao lado de outros quatro times que somam sete pontos – West Ham, Chelsea, Liverpool e Everton. A liderança é do Tottenham, com nove. Os Red Devils indicam carências e seu jogo não se encaixou no Molineux, mas saem revigorados com o triunfo impensável e agora esperam Cristiano Ronaldo. Já o Wolverhampton aparece na zona de rebaixamento, ainda sem pontuar. Contudo, é preciso ponderar que o time de Bruno Lage fez três bons jogos em que perdeu por 1 a 0, além de ter encarado três adversários fortes. A situação deve melhorar em breve.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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