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A atuação maiúscula de Koulibaly foi uma das chaves para a classificação do Chelsea

Koulibaly teve papel central para segurar a tentativa de reação do Dortmund, numa partida importante para sua afirmação em Stamford Bridge

Contra as expectativas, o Chelsea avançou às quartas de final da Champions League. A classificação contra o Borussia Dortmund dependeu de um rendimento ofensivo que não vinha acontecendo, com dois gols. Os Blues erraram bastante, mas construíram o resultado de maneira relativamente rápida. Depois disso, os ingleses dependeram de sua consistência defensiva. E talvez a grande explicação para a vitória por 2 a 0 sobre os aurinegros foi exatamente esse comportamento sem a bola. Os londrinos protegeram muito bem sua área, sem permitir tantas chances claras aos visitantes. Contaram com uma partida maiúscula de Kalidou Koulibaly, numa noite que justificou em partes o investimento do clube no senegalês.

Koulibaly desembarcou no Chelsea como um dos melhores zagueiros do mundo. Não haveria outro rótulo possível pelo altíssimo nível do beque em sua longa passagem pelo Napoli. Da mesma maneira, sua liderança com a seleção de Senegal falava por si. Até demorou para o veterano de 31 anos se provar em outra equipe, depois de muito tempo especulado em outros cantos. E a Premier League serviria como um teste de fogo à sua qualidade, além de elevar as pretensões na Champions com um clube de campanhas mais longas que os napolitanos no torneio continental.

Se por um lado o Napoli não sentiu falta de Koulibaly, pela temporada histórica que vive na Serie A e também na Champions, o zagueiro demorou a se encontrar no Chelsea. O senegalês até anotou um golaço na sua segunda partida, contra o Tottenham, mas no geral não engrenou. A fase do time não era boa e o beque também não auxiliava. Chegou a alternar a posição e até a frequentar o banco de reservas. Deixava dúvidas se o investimento tinha valido a pena, muito embora não dava para culpá-lo sozinho por toda a bagunça que imperava em Stamford Bridge.

Koulibaly poderia se revigorar na Copa do Mundo, quando teve uma atuação decisiva contra o Equador, mas foi mal na eliminação contra a Inglaterra. Porém, o Chelsea atravessou fases até mais complicadas na retomada da Premier League e o zagueiro continuou com dificuldades para se afirmar. Ao menos, Koulibaly recuperou a posição a partir de meados de fevereiro. Passou a fazer partidas mais consistentes recentemente. E seria fundamental na classificação contra o Borussia Dortmund.

Com a lesão de Thiago Silva, a responsabilidade de Koulibaly se torna até maior. O senegalês se torna a principal referência na zaga por sua bagagem e por sua qualidade. Algo que se notou nesta terça-feira. Durante o primeiro tempo, o grande mérito defensivo do Chelsea foi manter sob controle a posse de bola do Dortmund. Os aurinegros rodaram bastante os passes, mas sem entrar na área. A única finalização veio numa cobrança de falta de Marco Reus. Koulibaly teve ótimo papel nessa proteção, muito embora tenha descompensado no ataque, ao perder um gol feito. Pelo menos não custou caro, com outros companheiros errando até o tento sair.

Já no segundo tempo, depois que o Chelsea abriu dois gols de vantagem, a defesa dependeu de maior concentração. O Dortmund tentava ser mais agressivo, mas seguia com problemas na criação. O time ficou devendo, mas os Blues também possuem seus méritos pela maneira como se seguraram atrás. O encaixe das peças era muito bom. Koulibaly era uma figura primordial no centro da zaga, inclusive nessa organização. Além disso, não permitia que muita coisa acontecesse em sua área. Era soberano no jogo aéreo e conseguiu se impor no duelo com Sébastien Haller. Mereceu o triunfo.

Koulibaly teve ótimos números defensivos. Rifou seis bolas alçadas, interceptou dois passes, realizou três desarmes. Conseguiu prevalecer na maior parte dos lances e teve participação ativa no resultado. Obviamente, não foi o único que se saiu bem no sistema. Marc Cucurella até recebeu o prêmio de melhor em campo, enquanto Wesley Fofana fez uma apresentação sóbria. Mesmo nas alas, Reece James teve ótima participação neste controle defensivo. A volta dos laterais titulares, aliás, auxiliou demais os Blues no confronto – e Ben Chilwell foi um dos melhores em campo também, sobretudo por sua capacidade no apoio, envolvido em ambos os gols.

O Chelsea ainda não transmite segurança para se colocar entre os favoritos à Champions. É um time sem identidade e que tateia seu caminho. Pôde se sobrepor ao Dortmund, mas não fez o jogo mais eficiente e também viu seus adversários abaixo. Contudo, um pouco de organização defensiva já valeu bastante. E os Blues contam com individualidades que, lógico, podem fazer o time crescer. Uma delas é Koulibaly. O beque acaba até esquecido no meio de tantos reforços badalados que chegaram em janeiro. Mas tem qualidade e rodagem para se fazer importante, o que bem se viu justo na Champions.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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