Premier League

Mais de 20 mil torcedores do Everton assinam petição contra patrocínio de cassino online fechado pelo clube

Everton fechou acordo recorde com cassino online, mas torcedores se preocupam com os impactos da empresa na sociedade

A presença crescente no futebol de empresas de apostas online e jogos de azar gera debates pertinentes sobre a questão. Há entraves relacionados à manipulação de resultados, ao vício que os jogos geram e à própria exploração do mercado. Na Inglaterra, o domínio dessas companhias nas camisas dos clubes não é bem visto. E a torcida do Everton começou a se mobilizar. Nesta semana, mais de 20 mil pessoas assinaram uma petição pedindo para que os Toffees abandonem seu novo patrocinador, um cassino online.

O Everton fechou um acordo recorde com o cassino online, em anúncio feito há duas semanas. A empresa patrocinará as equipes masculina e feminina. Entretanto, as críticas da torcida não demoraram a surgir. Há uma preocupação genuína sobre os impactos que os jogos de azar possuem na sociedade e em camadas mais vulneráveis da população.

“A parceria não está de acordo com o lema do clube, com os padrões que o clube estabelece em campo e com o fantástico trabalho feito pelo Everton in The Community para lidar com problemas de saúde mental. Não previ que a petição chegaria a este nível e percebo que o Everton talvez não mude sua decisão, mas quero que eles saibam quantas pessoas assinaram e entendam como alguns torcedores se sentem”, afirmou o torcedor Ben Melvin, à BBC. Dono de carnê de temporada, Melvin teve problemas com vício relacionado a jogos de azar.

Diante do debate, o Everton chegou a manifestar que os patrocinadores ligados a sites de apostas “não são ideais”. Contudo, o clube precisa considerar suas decisões comerciais, ainda mais num momento de perdas. Os Toffees acumulam um déficit de £372 milhões nas últimas três temporadas, enquanto os planos de construção do novo estádio seguem em frente. A diretoria não está num período que pode se dar ao luxo de ignorar o patrocínio.

Episódios de oposição a patrocinadores não são inéditos na Premier League. O Newcastle chegou a rever o contrato que tinha com uma empresa que concedia empréstimos com taxas abusivas de juros – acusados de serem “agiotas legalizados”. Já o Norwich rompeu o contrato com uma empresa de apostas que fazia propagandas sexualizadas. O Preston North End também optou por não renovar o vínculo que tinha com uma companhia de apostas por conta das críticas dos torcedores.

A Premier League e a Football League justificam que não há evidências entre os patrocínios das camisas e o vício em jogos. No próximo mês, o governo britânico discutirá as leis dos jogos de azar no país e estuda inclusive um veto aos patrocínios no futebol. Segundo uma pesquisa das autoridades locais, 1,4 milhão de pessoas no Reino Unido possuem problemas com jogos, enquanto 1,5 milhão estão em risco.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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