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Petr Cech: a confluência de detalhes que deu ao mundo um dos melhores goleiros do século

Em seus 11 anos no Chelsea, Petr Cech construiu a imagem de um dos melhores goleiros deste início de século. A consistência de suas temporadas de alto nível o colocou como um dos arqueiros de maior destaque na história da Premier League, mas o tcheco não precisou de tempo para mostrar aos ingleses sua qualidade. Logo em sua primeira temporada pelos Blues, quando ainda tinha 22 anos, Cech já foi eleito o melhor goleiro da competição. A história do goleiro antes de sua ida para a Inglaterra é pouco conhecida, e o próprio tcheco resolveu contá-la, em entrevista ao canal oficial do Arsenal, seu atual clube, revelando a incrível confluência de detalhes que o fizeram, antes de tudo, se tornar goleiro e, posteriormente, manter-se no esporte, conquistando seu espaço.

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Como muitos garotos nascidos em Pilsen, Cech jogava uma mistura de futebol com hóquei de gelo em sua infância. Tinha uma pequena preferência pelo último, apesar de amar desde cedo todos os esportes. O que o fez perseguir um espaço no futebol, então? Uma escolha econômica de seu pai, que não tinha como comprar os equipamentos necessários para que o filho jogasse hóquei. “Imagina o aspecto financeiro de ter que comprar todos os equipamentos, e você cresce rapidamente quando é criança, então precisaria continuar comprando, e não podíamos bancar isso. Então meu pai foi muito esperto, sabendo que eu gostava de todos os tipos de esporte. Gostava de hóquei e futebol da mesma maneira, então ele me levou para um clube de futebol quando eu tinha sete anos”, relembrou Cech.

O primeiro passo, de escolher um esporte, já havia sido tomado, mas ainda faltavam algumas etapas para que sua caminhada como goleiro se consolidasse. Seu primeiro clube na República Tcheca foi o antigo Skoda Plzen, hoje Viktoria Plzen, no qual Cech entrou com apenas sete anos. Aos oito, era ponta esquerda da equipe juvenil do Skoda, embora aproveitasse o espaço de treinos do clube para, após as sessões, brincar de goleiro. Até que surgiu a primeira oportunidade de atuar embaixo das traves.

“Eu tinha oito anos. Tínhamos um jogo à frente, e nossos goleiros não apareceram. Um dos meus treinadores me viu algumas vezes no gol, após os treinos, e disse: ‘Acho que você tem feito isso muito bem, talvez você deva jogar esse jogo’. Então eu concordei em jogar só esse jogo”, recorda-se. Cech foi tão bem que a comissão técnica da base do Viktoria Plzen não teve dúvidas. “No dia seguinte, quando cheguei ao treino, o preparador de goleiros apareceu e disse: ‘Agora você é um goleiro’.”

A partir de então, Cech nunca mais saiu do gol, mas o futuro como goleiro nem sempre pareceu tão garantido. Como a República Tcheca não contava com um excesso de clubes, as chances de conseguir um espaço eram pequenas, então o promissor arqueiro precisava considerar outras opções. Por isso, nunca abandonou a escola, pilar para algum plano reserva. Foi apenas a partir de sua primeira oportunidade nas seleções de base da República Tcheca que Cech viu que poderia confiar no caminho que havia decidido trilhar.

Com poucos clubes estruturados na República Tcheca, fator que dificulta o sonho de se tornar jogador de futebol, Cech continuou estudando, como um plano reserva para caso não conseguisse. Entretanto, ele seguiu progredindo como goleiro das categorias de base da seleção, então viu o caminho se abrindo.  “Eu percebi, quando tinha 15 anos e recebi a primeira convocação para a seleção sub-15, que se eu continuasse bem, trabalhando duro, permanecendo na equipe, eu teria uma grande chance de progredir, categoria a categoria, então provavelmente foi ali que percebi: ‘Tudo bem, se eu trabalhar bastante e continuar na seleção a cada ano, então isso será minha maior chance de ter sucesso e conseguir me profissionalizar. Mas ainda assim terminei a escola, porque nunca se sabe”, contou.

Cech lembra que assinou seu primeiro contrato profissional pouco depois de participar de uma Euro Sub-16 e conta que, dali em diante, as portas foram se abrindo. As primeiras grandes portas a se abrirem foram justamente do Sparta Praga, maior clube do país. E lá, mais uma vez, as circunstâncias e os detalhes confluíram para que Cech conquistasse seu espaço. Após se destacar no Chmel Blsany, Cech foi contratado pela equipe da capital, pelo que, à época, foi o recorde pago na liga tcheca por um goleiro.

O arqueiro chegou a um time que já contava com outras duas opções para sua posição, ambas também presentes na seleção tcheca. Conquistar seu espaço seria difícil, mas um início ruim do Sparta na temporada acabou garantindo a Cech uma oportunidade logo na quarta rodada. O goleiro não largou mais a posição. Bateu um recorde de mais de 900 minutos sem sofrer gols logo em sua primeira temporada. “Não poderia pedir mais do que isso”, lembra Cech, consciente da maneira como tudo pareceu conspirar para que tivesse sucesso.

Após apenas uma temporada, Cech foi para o Rennes, onde, revela ele, seu maior desafio foi aprender a língua. Em duas temporadas, conseguiu o suficiente para se comunicar bem com os companheiros, além de se antecipar e começar a aprender inglês. No começo de 2004, acertou com o Chelsea e ficou mais meia temporada na França, antes da mudança para Londres.

A história a partir do momento em que chegou ao Stamford Bridge já é conhecida, mas o Arsenal promete trazer mais conteúdo exclusivo na próxima semana, quando publicará a segunda parte da conversa com seu goleiro. Pela qualidade do conteúdo do canal dos Gunners e pelo modo como a conversa inicial, que você pode conferir abaixo, correu, vale a pena ficar de olho no que vem por aí.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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