Inglaterra

Perigo vermelho

 No que se refere a mudanças imediatas na parte de cima da tabela, não resta dúvida de que o jogo da semana foi a vitória do Aston Villa sobre o Chelsea em Birmingham. De virada, o time de Martin O’Neill sacramentou sua recuperação, enquanto os comandados de Carlo Ancelotti sofreram a segunda derrota seguida fora de casa – a primeira foi para o menos impressionante Wigan. E já há quem comece lembrar que o italiano fez a fama no Milan com a LC, mas sem impressionar na Serie A.

É inegável, entretanto, que para o médio e longo prazo a derrota do Liverpool para o Sunderland tem maior importância. Primeiro porque o Chelsea ainda está colado no Manchester United, que não tem a consistência do ano passado. Além disso, a derrota foi para uma equipe forte, e na casa do adversário. Um jogo “perdível”.

Os Reds, por outro lado, começam a ver de longe a briga pelo título, têm apenas uma vitória a mais que o número de derrotas e sentam atualmente na nona cadeira da tabela, atrás, inclusive, do Sunderland. Nada parecido com um time que muitos, iniclusive este que escreve, apontavam como favorito ao título na temporada.

Que Rafael Benítez contrata mal é algo em que vimos insistindo há tempos. Para este ano, porém, só um reforço chegou, Glen Johnson. O ex-jogador do Chelsea tem moral na Inglaterra, virou quase a opção natural para a seleção nacional, mas é um lateral “brasileiro”, ou seja, está lá para atacar. O outro nome da lista de entrantes dos Reds está, por enquanto, só na lista, e não se sabe quando sairá de lá.

Alberto Aquilani foi contratado para substituir Gareth Barry. Sim, porque quando colocou na cabeça que poderia vender Xabi Alonso, Benítez apostava na impossibilidade do Aston Villa segurar seu capitão. Mas não contava com o Man City pagando mais para levá-lo. Rafa perdeu Alonso, e não ganhou seu substituto. Teve que recorrer, portanto, a um blefe. Ou melhor, a três blefes.

O primeiro é Aquilani. Jogador promissor no início da carreira, ao lado de De Rossi, acabou nunca se desenvolvendo como se esperava, em parte por causa das lesões. E não há na história do futebol jogador com histórico de lesões que, de uma hora para outra, se torne um cara que joga todo jogo. Owen no Newcastle e Woodgate no Tottenham, embora o zagueiro tenha jogado muito mais do que se esperava, são bons exemplos.

Ainda que jogue, não se sabe o que poderá fazer o italiano, mas se sabe que não é exatamente o que fazia Alonso. Aquilani não tem característica defensiva forte, como o espanhol, nem comando do meio-campo. Que é exatamente o que faz falta aos Reds.

As outras apostas de Benítez estavam em casa, e são sul-americanas. E qualquer pessoa que tenha acompanhado a evolução da carreira de Mascherano sabe que acreditar no “Jefito” como substituto de Alonso é uma temeridade. Promissor como Aquilani, o ex-jogador do River acabou virando um “volante porradeiro”, Bate que é uma grandeza, marca com alguma eficiência, mas não tem a saída de jogo que sugeria seu início de carreira.

Quanto ao brasileiro, por mais injusto que seja julgá-lo com tão pouca idade e sereno, é assim a vida no futebol, e Lucas já começa a virar motivo de piada na Inglaterra. Sua pré-temporada, consta, foi excelente, e este seria o principal motivo para o time não contratar um substituto para Alonso. A temporada mal começou, porém, e Lucas erra muito mais do que acerta, e se apaga com as falhas.

Além de perder Alonso, entretanto, o Liverpool esqueceu de fazer a outra parte da lição de casa, apontada aqui nesta coluna no final da temporada passada: trazer mais um cara que possa definir partidas. A chegada de Torres desafogou Gerrard, mas, quando ambos não estão disponíveis, e em um time de ponta europeu a exigência física faz com que isso aconteça, não há quem resolva. O Liverpool não tem um Giggs, um “velhinho” que não joga todos os jogos, mas, quando entra, define. Nem ao menos um Macheda, um jovem do qual pouco se espera mas que pode garantir alguns pontinhos.

A relação de Rafael Benítez com os donos do Liverpool é complicada há tempos. Os citados não entendem bulhufas de futebol, e já teriam trocado o técnico se isso não fosse causar uma revolução em Anfield. Há, entrentanto, alguns luxos aos quais o clube não pode se dar, suas dívidas não permitem, e ficar fora da LC é um deles. Embora seja muito cedo para prever que isso possa acontecer, é bom Rafa colocar as barbas de molho. (Alías, de onde vem essa expressão?)

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Equipe Trivela

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