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Para não esquecer: Três jogaços entre Liverpool e United na virada dos anos 80 para os 90

A rivalidade entre Liverpool e Manchester United não se explica apenas pelo futebol. São duas cidades históricas, que carregam consigo a corrida pelo protagonismo em uma região fundamental para o desenvolvimento do Reino Unido, especialmente a partir da Revolução Industrial. Dentro de campo, ambas impulsionaram os dois clubes mais vitoriosos do país. E levaram o ranço a outro aspecto, em uma briga para dizer quem é o maior, acirrada principalmente da década 1960 em diante.

No histórico de confrontos do dérbi, há vários jogos memoráveis. Muitos deles pela Copa da Inglaterra, na qual estava em jogo a busca pela taça mais antiga do país, assim como pela eliminação do rival. Entretanto, o Campeonato Inglês também possui seus verdadeiros clássicos. E o período entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990 foi bastante fértil neste sentido, com jogaços recheados de emoção, grandes jogadores, placares elásticos, golaços e torcidas incendiadas. Abaixo, resgatamos três dessas histórias:

Em 1987/88, o Liverpool liderava a Football League com sobras e parecia conquistar uma vitória fácil em Anfield, ao abrir 3 a 1 no placar, com gols de Peter Beardsley, Gary Gillespie e Steve McMahon. No entanto, o capitão Bryan Robson comandou a reação dos Red Devils. Autor do primeiro gol, fez também o segundo. Já o terceiro, o do empate por 3 a 3 nos instantes finais, foi obra de Gordon Strachan. Na comemoração, fingiu fumar um cigarro em frente à torcida dos Reds, que ficou furiosa com sua provocação.

Em 1993/94, o status dos rivais se transformava. O Liverpool começava a viver os seus primeiros anos de seca, enquanto o Manchester United havia encerrado o jejum de 26 anos no Campeonato Inglês. Invicto nas 17 partidas anteriores, o time de Sir Alex Ferguson parecia pronto para devastar em Anfield. Em 25 minutos, os Red Devils já abriam três gols de vantagem, com pinturas de Ryan Giggs e Denis Irwin. Contudo, os Reds começaram a reagir. Encostaram já no primeiro tempo, com dois tentos de Nigel Clough. E, restando 11 minutos, Neil Ruddock igualou o marcador em 3 a 3. Destaque também para as grandes defesas dos lendários Peter Schmeichel e Bruce Grobbelaar.

Já em 1995/96, o encontro em Old Trafford tinha um caráter especial: marcava o retorno de Eric Cantona, suspenso por nove meses após acertar a famosa voadora no torcedor do Crystal Palace. O rei logo começou fazendo a diferença, cruzando para o lindo tento de Nicky Butt. O Liverpool, contudo, virou o placar. Dois golaços de Robbie Fowler, não à toa conhecido como ‘Deus’ pela Kop. Mas, no fim, Cantona seria festejado por seus torcedores. Converteu um pênalti para fechar o placar em 2 a 2. Meses depois, na final da Copa da Inglaterra, ele faria o gol do título contra os maiores rivais.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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