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Oscar surge como peça-chave no novo Chelsea de Mourinho

José Mourinho começou a moldar o Chelsea a seu gosto. As marcas do treinador já transpareceram na estreia dos Blues na Premier League e foram reafirmadas na vitória por 2 a 1 sobre o Aston Villa. Uma vitória dura dos londrinos, apesar da supremacia em campo. Entre os destaques da partida, aquele que desponta como uma das peças-chave nessa segunda passagem do técnico português por Stamford Bridge: Oscar.

Mourinho indicou que o camisa 11 é seu eleito para atuar centralizado na trinca de meias do 4-2-3-1 dos Blues. Nem mesmo o fato de ter sido eleito o melhor jogador do clube nas últimas duas temporadas atuando nesta posição evitou que Juan Mata fosse deslocado para a ponta direita. Embora o espanhol prefira a posição central, o treinador costuma utilizar um canhoto por aquele lado. Mais importante que isso, no entanto, é o papel que Oscar desempenha.

A importância do brasileiro para o Chelsea é destacada por Michael Cox, em artigo ao site ESPN FC. Oscar é bem mais do que técnica e poder de decisão. Na articulação, o jogador desempenha uma função tática essencial no esquema de Mourinho. Volta ao campo de defesa para buscar o jogo, liberando Ramires e Frank Lampard, dois volantes com vocação ofensiva. Desloca-se para os lados do campo, permitindo os avanços em diagonal de Eden Hazard e Juan Mata. Inicia o combate sem a bola, dificultando a saída dos volantes adversários.

Tantos predicados de Oscar já tinham sido muito bem explorados por Luiz Felipe Scolari durante a Copa das Confederações. Se Neymar brilhou tanto no torneio internacional, deve bastante ao seu companheiro de equipe, permitindo suas transições e aparições na área. Como um aprendiz de Felipão, Mourinho parece ter tomado a lição e aproveitará a mesma capacidade do camisa 11 no Chelsea.

Passes e mapa de calor de Oscar contra o Villa - ajudou na saída de jogo e transitou as lados do campo, especialmente pela direita, dando liberdade a Mata
Passes e mapa de calor de Oscar contra o Villa – ajudou na saída de jogo e transitou as lados do campo, especialmente pela direita, dando liberdade a Mata

E Oscar parece pronto para a missão, muito bem nesta reta inicial da Premier League. Contra o Hull City, marcou o primeiro gol em uma inteligente infiltração na linha de defesa adversária. Já contra o Aston Villa, o brasileiro deu uma excelente enfiada de bola para Hazard, na jogada que resultou no primeiro gol – marcado contra por Antonio Luna. Mais do que isso, Oscar se sobressaiu ao ditar o ritmo do time (com 63 passes, só tocou a bola menos que Lampard e Ramires enquanto esteve em campo) e também foi uma arma nas conclusões de fora da área.

Obviamente, é cedo para apontar Oscar como ‘o cara’ do Chelsea nesta temporada. O meia às vezes tem predisposição a se desligar em campo, enquanto muito sucesso fará com que a atenção dos técnicos se volte a ele. De qualquer forma, justamente quando estiver bem marcado é que o brasileiro pode mais ajudar. Se tem capacidade para deixar os companheiros na cara do gol, também pode ajudá-los abrindo espaços para que se destaquem mais. E é isso o que Mourinho quer.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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