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Os garotos do Everton viveram uma tarde dos sonhos para humilhar o Manchester City

Que não consiga acompanhar o pelotão de frente, o Everton faz uma temporada digna na Premier League. Até passou por momentos de dificuldades entre setembro e o início de dezembro, mas encontrou o seu melhor futebol desde o final do ano. Já são quatro partidas de invencibilidade, com três vitórias, em série que até poderia ser maior, não fosse a derrota nos instantes finais durante o clássico contra o Liverpool. E os Toffees fizeram sua partida mais contundente neste domingo, para balançar as arquibancadas do Goodison Park. Simplesmente engoliram o Manchester City, com 4 a 0 no placar e show de seus garotos. “Você vai ser demitido de manhã”, cantava nos minutos finais a torcida da casa, tirando um sarro de Pep Guardiola.

Por um lado, a firmeza demonstrada pelo Everton merece elogios rasgados. O time de Ronald Koeman não teve controle da bola, com apenas 29,5% da posse. Mesmo assim, manteve-se sólido na marcação, em um bem encaixado 3-5-2. E, quando surgiram as oportunidades, não desperdiçou os seus ataques. Os quatro gols saíram em seis finalizações da equipe – e as únicas quatro que foram em direção ao alvo. A goleada começou a ser construída aos 34 minutos, em bola roubada que terminou na conclusão de Romelu Lukaku. Aos dois do segundo tempo, novo golpe ao City, em ataque rápido que Kevin Mirallas concluiu para as redes, após passe de Ross Barkley. Fazendo partidaça, o garoto Tom Davies marcou o terceiro aos 34. E o último saiu nos acréscimos, com outro menino, Ademola Lookman, em sua estreia pelo clube após ser trazido do Charlton neste mês.

Tom Davies, sobretudo, destoou para o Everton. O meio-campista de 18 anos é uma aposta de Koeman, formado nas categorias de base dos Toffees. Fazia apenas sua segunda partida como titular nesta Premier League, ganhando um pouco mais de espaço desde o Boxing Day. E foi de uma importância vital, especialmente pela combatividade que ofereceu. Ele roubou a bola no primeiro tento e fez a jogada do terceiro praticamente sozinho. Arrancou do campo de defesa, deu um corte tirou Yaya Touré e Gael Clichy da marcação, passou para Ross Barkley e recebeu novamente para tocar na saída de Claudio Bravo. Em seu primeiro gol como profissional, mostra que é um nome para o futuro.

Mas, se a competência do Everton precisa ser exaltada, há também muito de incompetência do lado do Manchester City. O ataque foi um tanto quanto estéril, principalmente quando o time ficou atrás do placar. Sim, os Citizens tiveram chances claras de sair em vantagem – especialmente em um lance com Raheem Sterling, que Leighton Baines e Joel Robles se desdobraram para salvar. Kevin de Bruyne até criava espaços com seus passes, mas pouco aproveitados. Porém, as oportunidades minguaram depois que o Everton anotou o primeiro gol. E muito pelas tantas brechas dadas pelo sistema defensivo. Os erros vieram em buracos na linha de zaga, assim como pela falta de proteção na cabeça de área, com Yaya Touré formando dupla com Pablo Zabaleta, substituindo Fernandinho. Não deu nada certo. Para piorar, Claudio Bravo vive péssimo momento desde que chegou ao novo clube e parece “chamar os gols”, mesmo sem falhar. Não transmite segurança e faz poucas defesas.

Esta é a terceira derrota do Manchester City desde dezembro. E a segunda por quatro gols, depois do passeio do Leicester. O ataque, de fato, não vem produzindo como se espera nos últimos tempos, até pelo tempo que os Citizens passam com a bola. Mas o problema maior mesmo está na defesa, exposta e lenta. Algumas das apostas do clube não vem dando certo, especialmente John Stones, capaz de uma “lei do ex às avessas” neste domingo. Os reforços são necessários, dentro das características daquilo que Pep Guardiola pede. O treinador, aliás, parece ter perdido o fio da meada depois do excelente início de temporada.

Melhor para o Everton, que não perdoou em uma tarde de sonhos no Goodison Park. A equipe aparece no sétimo lugar, com 33 pontos, mas a seis do time logo à frente. O Manchester City, por outro lado, sofre com a boa fase dos concorrentes e, além de perder seu lugar no Top Four, corre o risco de ver o Manchester United igualando a sua pontuação. A disputa é muito acirrada e tudo continua em aberto. Mas já está claro que não dá para dormir no ponto. E, entre os candidatos às vagas na Champions, o time de Guardiola é o que apresenta a pior forma neste momento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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