O PSG foi valente, mas no fim pesou a experiência do Chelsea
Toda a preparação que José Mourinho deve ter feito para enfrentar o Paris Saint-Germain, nas quartas de final da Liga dos Campeões, foi jogada para o alto no segundo tempo. Nada de variação tática, jogadas ensaiadas ou trabalhadas. Com três centroavantes, dois pontas, e nenhum meia armador, foram minutos e minutos de lançamentos para dentro da área até que a oportunidade de fazer 2 a 0 aparecesse. E saiu dos pés de Demba Ba o gol de uma classificação conquistada na base da raça e da experiência, em uma partida cujo final teve aquele clima tenso de Copa Libertadores.
Porque, na teoria, PSG e Chelsea equivalem-se. Talvez os franceses tenham até um pouco mais de talento, principalmente com Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimovic. Mas sem o sueco em campo – afastado por lesão -, os outros jogadores perdem a referência e até um pouco da confiança. E nenhum deles está tão acostumado a jogos decisivos quanto alguns dos adversários desta noite de terça-feira.
Com tantas participações em Liga dos Campeões seguidas e livre da pressão de ter que conquistar o título, o Chelsea teve a calma necessária para controlar a partida e permitiu um único chute do PSG no primeiro tempo, por cima da trave de Petr Cech. Risco zero. A primeira taquicardia da torcida inglesa veio aos 18 minutos. Porque se os visitantes estavam sem o melhor jogador deles, o destino tratou de igualar as condições. Eden Hazard sentiu e foi substituído por Andre Schürrle.
Sem a sua principal fonte de criatividade, o perigo do Chelsea vinha com as bolas paradas. Digamos que não foi exatamente de uma falta ou de um escanteio, mas a jogada do gol que abriu o placar começou em uma cobrança de lateral. David Luiz escorou de cabeça e, ironias do destino, Schürrle pegou a sobra e estufou as redes. Em partida de volta de quartas de final de Liga dos Campeões, uma defesa não pode conceder um gol de cobrança de lateral. Experiência.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2014%2F04%2FTerry-Cech.jpg)
Nada disso adiantaria se o Chelsea não marcasse ao menos mais uma vez. Foi à frente, abriu o jogo e os dois times tiveram as suas chances na etapa final. Primeiro, Willian rolou para Schürrle, frustrado pelo travessão. Pouco depois, Oscar, em cobrança de falta, chegou perto, mas sofreu a mesma decepção que seu companheiro alemão. O PSG respondeu em duas investidas nas costas de Ivanovic. Bolas longas, que Cavani dominou e chutou cruzado. E errou.
Mourinho fez as suas substituições. Tirou Lampard e Oscar e povoou a grande área com Demba Ba e Fernando Torres ao lado de Samuel Eto’o. Não havia material humano para trabalhar a bola. Claramente a estratégia seria jogar a bola na área o máximo de vezes possíveis. Em uma dessas tentativas, a redondinha sobrou na entrada da área para Azpilicueta chutar cruzado. Alex tentou desviar, falhou e Ba foi esperto para vencer Maxwell e fazer o segundo do Chelsea, já nos últimos minutos.
E então a Liga dos Campeões virou Libertadores. Mourinho saiu correndo do banco de reservas na hora do gol do senegalês e imediatamente passou instruções aos seus jogadores. Quando o PSG reiniciou a partida, estava todo mundo atrás da linha da bola. Chutões, bolas para o alto que o jogo é de campeonato, atleta caído no chão com câimbras e gandula atrasando a reposição. Teve de tudo, até o goleiro Sirigu tentando a cabeçada e o zagueiro Marquinhos, em jogada trabalhada com frieza inacreditável para tal contexto, exigindo uma defesa espetacular de Petr Cech.
Não foi suficiente. O PSG lutou bravamente, mas faltou alguma coisa. O poder de decisão de Ibrahimovic, que não costuma aparecer muito na Liga dos Campeões, poderia ter ajudado, mas o que os franceses mais precisaram foi da experiência de disputar jogos tensos e decisivos. A fase de grupos e as oitavas de final da Champions League foram tranquilas, e o duelo com o Monaco, pelo Campeonato Francês, está definido há muito tempo. Esses calos são a diferença entre fazer uma grande eliminatória e de fato se classificar. Isso não pode ser comprado, como o Chelsea bem descobriu. É conquistado com o tempo, e o PSG ainda tem muito o que percorrer para chegar ao patamar do seu rival desta noite de terça-feira.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Há males que vêm para o bem. A torcida do Chelsea ficou preocupada quando Eden Hazard sentiu uma lesão e foi substituído por Andre Schürrle, mas o alemão fez questão de acalmá-la. Fez o gol da vitória, colocou uma bola no travessão e foi certamente o mais perigoso jogador ofensivo dos ingleses.
Momento chave
Naquela loucura que foi o final do jogo, o Paris Saint-Germain teve notável frieza de trabalhar uma jogada pela lateral. Maxwell tocou para Marquinhos dentro da área. O zagueiro brasileiro olhou, mirou e carregou o chute, também com calma. Mas Petr Cech estava esperto e espalmou para fora. Seria o lance da classificação francesa.
Os gols
32’/1T – GOL DO CHELSEA! A cobrança de lateral chegou à área, David Luiz escorou de cabeça e a bola sobrou aos pés de Andre Schürrle, que não desperdiçou e abriu o placar.
42’/2T – GOL DO CHELSEA! Azpilicueta pegou rebote na entrada da área e chutou cruzado, Alex tentou cortar, mas a bola chegou para Demba Ba, que superou Maxwell e empurrou às redes
Curiosidade
Frank Lampard chegou a 50 partidas eliminatórias de Liga dos Campeões. Igualou a marca de Xavi e está a uma de Victor Valdés, recordista histórico nesse quesito.
Ficha Técnica
Chelsea 2 x 0 Paris Saint-Germain
Chelsea
Petr Cech; Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Cesar Azpilicueta; David Luiz, Frank Lampard (Demba Ba, 20’/2T), Willian, Oscar (Fernando Torres, 35’/2T) e Hazard (Andre Schürrle, 18’/1T); Samuel Eto’o. Técnico: José Mourinho
Paris Saint-Germain
Salvatore Sirigu; Christophe Jallet, Alex, Thiago Silva e Maxwell; Thiago Motta, Blaise Matuidi e Marco Verratti (Yohan Cabaye, 9’/2T); Lucas (Marquinhos, 39’/2T), Edinson Cavani e Ezequiel Lavezzi (Javier Pastore, 28’/2T). Técnico: Laurent Blanc
Local: Estádio Stamford Bridge, em Londres (ING)
Árbitro: Pedro Proença (POR)
Gols: Andre Schürrle (32’/1T) e Demba Ba (42’/2T)
Cartões amarelos: Willian, Lampard, Ivanovic e David Luiz (Chelsea); Verratti, Cavani, Lucas e Maxwell (PSG)
Cartões vermelhos: Nenhum