Inglaterra

O primeiro grande erro

Alex Ferguson é um grande técnico, mas nem sempre é o mais diplomático do mundo ao perder. Neste sábado, ele saiu de Craven Cottage reclamando muito. O alvo era o árbitro Phil Dowd, que teria sido importante para a derrota do Manchester United para o Fulham. Van der Sar e Ferdinand também fizeram coro contra o apitador. Uma reação injusta, mas compreensível: pela primeira vez na temporada, os Red Devils se mostraram vulneráveis.

A grande arma do United desde a primeira rodada foi a cota baixíssima de erros. A derrota por 4 a 1 para o Liverpool, em casa, foi contundente. Disso não há dúvidas. Mas não deu motivo para preocupações imediatas. O importante é que, até a rodada passada, os mancunianos não haviam vencido apenas oito partidas. Quase todas contra adversários realmente difíceis: Liverpool duas vezes, Arsenal, Everton, Aston Villa, Chelsea e Tottenham em Londres. A exceção era um 1 a 1 contra o Newcastle na já distante estreia no campeonato.

Essa constância servia de proteção para uma eventual arrancada de Liverpool e Chelsea. Pois o escudo ficou fragilizado. Contra o Fulham, o Manchester United mostrou falhas que, se forem repetidas, alimentarão esperanças dos concorrentes na reta final da Premier League.

A atitude dos Cottagers no começo da partida foi fundamental. Tomando a iniciativa, o time londrino conseguiu criar um bom momento para si e acabou premiado com um gol de pênalti, resultado de uma defesa de Scholes – expulso corretamente – quase em cima da linha após finalização de Hangeland. A partir daí, o United tinha de reagir com um jogador a menos.

Aí, apareceu a defesa do Fulham. Os Cottagers não têm uma equipe tecnicamente brilhante, mas o experiente técnico Roy Hodgson percebeu que, se tivesse uma defesa eficiente, sobreviveria na primeira divisão. Isso ficou evidente neste sábado. Mesmo tomando forte pressão, os londrinos resistiram, mantendo a terceira defesa mais eficiente do Campeonato Inglês (quinto pior ataque). Em um contra-ataque nos minutos finais, fizeram o segundo gol.

O que o Manchester United perdeu no sul de Londres não foram os três pontos, mas a aura de equipe infalível. Justamente em uma rodada em que o Liverpool novamente dá sinais de crescimento.

O cara

Steven Gerrard é um dos melhores jogadores do mundo. O colunista ainda acha Messi melhor, mas tudo bem. O meia do Liverpool fez três gols neste domingo e liderou a goleada do Liverpool (5×0) sobre o bom – mas desgastado – Aston Villa. Mas sobre Gerrard a coluna falou a semana passada e não há muito o que acrescentar. Quem merece consideração nesta semana é Rafa Benítez, que teve seu contrato renovado até 2014.

Há poucos motivos para se desconfiar da capacidade do técnico espanhol (viu, Caio Maia?). Com orçamento não tão grande quanto Manchester United e Chelsea, ele montou equipes bastante competitivas. Pode-se criticá-lo por algumas apostas para lá de esquisitas, como Riera e Arbeloa. Mesmo assim, o fato é que o treinador que levou o Valencia a dois títulos espanhóis conduziu os Reds a duas finais de Liga dos Campeões e tem condições de acabar com o longo jejum liverpudliano de títulos no campeonato doméstico.

Nesta temporada, pode-se condená-lo por deixar o elenco com poucas opções no banco. No entanto, também há mérito de Benítez na contratação de Xabi Alonso e Mascherano. Com esses dois, por exemplo, o espanhol pôde transformar Gerrard em um real meia de armação, função em que cresceu de rendimento e passou a realmente brilhar.

Por isso, não é justo dar menos crédito ao madrileno que a Arsène Wenger. O francês é admirado por implementar um sistema de trabalho bastante interessante no Arsenal, contratando jovens de talento e promovendo um futebol ofensivo e agradável de se ver. Com isso, conquistou três Campeonatos Ingleses, quatro FA Cups e um vice da Liga dos Campeões em 13 anos.

Benítez, com capacidade de investimento até menor, tem um título e um vice da LC e uma FA Cup. É menos do que Wenger já conquistou, mas o madrileno está há apenas quatro anos e meio em Anfield. Com esse mesmo tempo em Highbury, Wenger tinha conquistado “somente” um Campeonato Inglês (com dois vices) e uma FA Cup.

Com esses números em mãos, é difícil entender como os empresários norte-americanos que controlam o Liverpool demoraram tanto tempo para mostrar apoio claro ao técnico. De qualquer maneira, pela trajetória já traçada e considerando os cinco anos de contrato que ainda virão, fica evidente que o trabalho de Benítez em Anfield ainda está em desenvolvimento. Bom para a torcida vermelha.

West Ham contra a parede

Se você é inglês e se sentiu prejudicado em alguma coisa ligada a futebol, oriente seu advogado a processar o West Ham. É boa a chance de você achar um pretexto para exigir uma indenização do clube de Upton Park. Até porque muita gente já está fazendo isso.

Brincadeiras à parte, a situação por que passa os Hammers é mais que inusitada. Antes de tudo, um rápido e resumido flashback:

Na Inglaterra, é proibido um jogador “pertencer” a um empresário. Quando o time londrino contratou, por empréstimo, Tevez e Mascherano, em 2006, os dois argentinos tinham vínculo com uma empresa, a MSI. O volante ficou meia temporada em Upton Park, até que o Liverpool decidiu contratá-lo de vez. Tevez ficou até maio, tendo papel fundamental na luta contra o rebaixamento. O Sheffield United, time de melhor campanha entre os rebaixados, entrou na Justiça (tribunal da FA) pedindo a queda do West Ham por uso de jogadores irregulares. Os londrinos foram considerados culpados, mas a punição foi uma pesada multa. Nada de sanção esportiva.

Voltando ao presente. O Sheffield United nunca se conformou com a decisão. A começou a buscar, na Justiça comum, outras formas de compensação. Se não era possível rebaixar o West Ham, talvez valesse tentar acionar os londrinos pelo prejuízo causado pela ida à Segundona. Assim, pediu que os Hammers lhe ressarcissem pela redução de receita de disputar a League Championship. Um tribunal independente deu razão aos Blades e os dois clubes entraram em um acordo.

Com isso, os jogadores que integravam o elenco dos Blades resolveram entrar com ações por seus prejuízos individuais. Se permanecessem na elite, receberiam prêmios e seriam valorizados. Até o Leeds United entrou na festa. Como os Peacocks tinham atletas em Sheffield por empréstimo, acharam justo reclamar da desvalorização desses jogadores.

É difícil analisar a situação do ponto de vista jurídico, pois depende muito de detalhes do contrato de Tevez com West Ham e MSI e da própria legislação esportiva e civil inglesa. No entanto, parece um certo exagero, até porque, aos olhos da FA (que é quem regulamenta as competições de futebol na Inglaterra), os Hammers não deveriam ter caído. Para o tribunal da entidade, o caso era passível apenas de multa. Sendo isso justo ou não.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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