InglaterraPremier League

O Liverpool dos jogos grandes voltou a aparecer na vitória convincente sobre o Arsenal

A indústria cultural é útil nessas horas. Podemos falar em Robin Hood, o lendário ladrão das florestas que rouba dos ricos para dar aos pobres. Ou de Doctor Jekyll e Mister Hide, o médico e o monstro. Você pode escolher a metáfora que preferir para a temporada do Liverpool nesta Premier League. O fato é que o time de Jürgen Klopp tem de fato duas personalidades: é um leão nos jogos grandes, e um gatinho nos pequenos. Isso voltou a ficar evidente, neste sábado, na convincente vitória por 3 a 1 sobre o Arsenal, em Anfield.

LEIA MAIS: No primeiro jogo sem Ranieri, o Leicester lembrou que é o campeão e amassou o Liverpool

O Liverpool não perdeu em nenhum dos nove jogos contra os seis primeiros colocados da Premier League – ainda falta o Manchester City, no Etihad Stadium. Tem uma vitória e um empate contra Chelsea e Tottenham, dois empates contra o Manchester United, duas vitórias sobre o Arsenal, e outro triunfo diante do City, em casa. Fez 19 pontos em 27 possíveis nos confrontos diretos. Aproveitamento fenomenal de 70%, que cai para 63% contra os últimos seis colocados, que também renderam 19 pontos para os Reds, em 30 possíveis até agora.

Fazendo um paralelo com o líder, o Chelsea conquistou apenas 13 pontos em 24 possíveis contra os seis primeiros colocados. Aproveitamento regular, até mesmo normal pela dificuldade das partidas, de 54%. Mas é implacável contra o seis últimos colocados: 92,5% de aproveitamento, com 25 pontos em 27 possíveis, ou oito vitórias e um empate.

A equipe que briga pelo título, como  o Liverpool esboçou fazer na primeira metade da temporada, precisa arrebatar quase todos os pontos contra as equipes da parte de baixo da tabela, mas os tropeços contra os clubes que sofrem na Premier League acabou anulando a capacidade vermelha de conquistar mais pontos do que a média contra os grandes. Evidentemente que o aproveitamento geral do Liverpool é bom, tanto que está em quarto lugar na Premier League, mas o que o impede de manter o bom desempenho em partidas teoricamente mais fáceis?

Há a questão tática: pressionar e marcar com a linha alta, como gosta Klopp, funciona melhor contra times que buscam sair tocando curto mais do que esticando a bola direto para o campo de ataque, como habitualmente fazem equipes de menos qualidade técnica; além disso, a qualidade ofensiva do Liverpool – velocidade e verticalidade – funciona melhor atacando os espaços, com campo para correr, do que contra defesas mais fechadas.

É, também, um estilo de jogo que exige muita concentração, entrega e intensidade para ficar correndo o tempo inteiro, e é natural que, ao longo de uma longa temporada, os jogadores guardem energias para os grandes jogos e se permitam alguns lapsos durante os jogos menores. O elenco do Liverpool, apesar da ausência de competições europeias, também é curto. Quando o quarteto ofensivo, com Coutinho, Firmino, Lallana e Mané, precisa ser desmontado, o time sofre. As reposições – geralmente Sturridge ou Origi – não conseguem manter o nível.

“Neste momento, somos meio que a montanha-russa da Premier League, o que é emocionante. Isso pode acontecer no desenvolvimento (da equipe). O que você quer aprender antes? A ser consistente ou a vencer os melhores times da liga? Obviamente, decidimos de uma maneira diferente”, disse Klopp, meio brincando, meio sério, em entrevista à BBC depois do jogo. A escolha do Liverpool, se é que houve uma, é bem clara.

Os quatro atuaram neste sábado, e o Liverpool fez um primeiro tempo praticamente perfeito contra o Arsenal, auxiliado por um período bem ruim dos visitantes. Em nome de ser “mais direto e forte no ar”, Wenger começou a partida com Giroud e Welbeck no time titular e o melhor jogador da equipe Alexis Sánchez no banco de reservas. A transmissão não perdoou e, enquanto o Liverpool construía a vantagem de 2 a 0, mostrou incessantemente o técnico e o jogador sentados na linha lateral do gramado.

O Liverpool abriu o placar, aos 10 minutos. Coutinho aparou um tiro de meta batido por Mignolet para Lallana, que abriu com Mané, pela ponta direita. O cruzamento do senegalês chegaria ao brasileiro, que aparentemente tentou bater de letra e furou. Firmino recolheu na segunda trave, dominou e fez 1 a 0.

 

O segundo gol foi resultado de uma precisa jogada coletiva. Começou com Milner, na lateral esquerda, e foi passando de pé em pé, de Milner para Wijnaldum, de Wijnaldum para Firmino, de Firmino para Mané. O senegalês, livre na entrada da área, bateu cruzado para fazer 2 a 0.

 

O erro de escalação de Wenger ficou evidente no começo do segundo tempo. Primeiro, porque Sánchez entrou imediatamente após o intervalo no lugar de Coquelin. Segundo, porque logo aos 12 minutos o chileno deu belo passe para Welbeck descontar.

 

A partida ficou totalmente aberta depois disso, com a clara impressão de que não terminaria 2 a 1. Apesar da pressão do Arsenal em busca do empate, e do perigo que o Liverpool levava quando recuperava a bola, o quarto gol da partida saiu apenas nos minutos finais, em um contra-ataque perfeito dos Reds: Lallana recebeu no meio-campo, segurou o tempo que foi necessário até Origi se posicionar e lançou o atacante pela ponta direita. O belga avançou e cruzou para Wijnaldum completar.

 

Depois de uma grande partida contra o Tottenham, e de um jogo muito ruim contra o Leicester, o Liverpool mostrou força contra o Arsenal.  A próxima rodada prevê o Burnley, 12º colocado, no caminho dos Reds, e resta saber se a gangorra vermelha continuará balançando.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo