Inglaterra

‘Âncora de cima para baixo’: Como nova regra de teto salarial pode impactar a Premier League?

Nova regra da Premier League será votada em reunião no dia 21 de novembro

Os clubes da primeira divisão da Premier League devem votar nas próximas semanas sobre um novo teto salarial que limita a quantia de dinheiro que os dirigentes poderão destinar às suas equipes.

Segundo o “Daily Mail”, a regra que ficou conhecida como “âncora de cima para baixo” faria com que todos os clubes só pudessem gastar até cinco vezes o valor equivalente aos custos de elenco de futebol da equipe que terminou em último lugar na competição.

As despesas incluem salários de jogadores e treinadores, amortização (taxa de transferência distribuída pela duração do contrato) e taxas de agentes. 

Ainda de acordo com o jornal, com base nos números de 2023/24, isso significaria um limite aproximado de 550 milhões de libras que resultaria, segundo o periódico, em risco imediato de violação por alguns clubes.

A proposta prevê ainda que uma segunda violação seja tratada com uma dedução de seis pontos, sendo um ponto adicional para cada 6,5 milhões de libras em caso de gastos excedentes.

Um rascunho de 25 páginas de regras propostas já foi apresentado aos clubes, com votação prevista para uma reunião em 21 de novembro. Alterações podem ser feitas até lá. Caso mais de dois terços dos clubes votem a favor, o sistema entrará em vigor a partir da próxima temporada. 

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Richard Masters, presidente executivo da Premier League (Foto: IMAGO / PA Images)

O que pensa a oposição sobre a nova regra na Premier League?

As equipes que se opõem à nova proposta acreditam que a medida impediria os clubes ingleses de pagar salários semelhantes aos oferecidos pelas outras principais competições do continente, que não estariam sujeita a tais regras, e faria com que jogadores importantes como Erling Haaland e Mohammed Salah fossem para clubes como Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique

Os representantes alegaram que três dos cinco maiores pagadores de salários da Europa já são equipes que estão fora da Premier League, fazendo com que aumentasse o fluxo de estrelas para as competições na Arábia Saudita, por exemplo.

O “Daily Mail” também pontuou que, com o tempo, tal perda dos investimentos levaria a uma redução nas receitas de TV, além de ocasionar menos transferências na competição inglesa.

Segundo o jornal, os clubes de Manchester são conhecidos por se oporem ao sistema, que seria aplicado sobre as novas regras de “proporção de custo do elenco”.

— [A ancoragem] inibiria os principais clubes da Premier League, e a última coisa que você quer é que os principais clubes da Premier League não consigam competir com Real Madrid, Barcelona, ​​Bayern de Munique, PSG. Isso é um absurdo. E se isso acontecer, a liga deixa de ser a melhor do mundo — declarou o coproprietário do Manchester United, Jim Ratcliffe.

Jim Ratcliffe, homem forte do futebol do Manchester United
Jim Ratcliffe, homem forte do futebol do Manchester United (Foto: Imago)

Segundo o periódico inglês, com a ancoragem, a Premier League — já assolada por custos legais que chegaram a quase 100 milhões de libras em dois anos devido a uma série de batalhas com seus clubes — passaria por mais sofrimento na forma de uma contestação judicial pela Associação de Jogadores Profissionais de Futebol (PFA). 

A PFA é conhecida por se opor à medida, que vê como um teto salarial rígido, e sua oposição, sem dúvida, representaria um grande obstáculo à sua implementação. Alguns membros da Associação acreditam que vários clubes não compreenderam as implicações do que estão sendo solicitados a votar.

Os que se opõem à ancoragem acreditam que isso também reduziria os incentivos dos próprios clubes na instituição, visto que haveria uma limitação no quanto poderiam aplicar em seus elencos.

Para outras equipes, isso também poderia resultar em proprietários mais ricos em um curto prazo, pois haveria uma limitação no quanto teriam para gastar com salários.

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O planejamento da Premier League

O “Daily Mail” afirmou que a Premier League estaria pronta para implementar a ancoragem juntamente com a Razão de Custo do Elenco (SCR, na sigla em inglês) para substituir as regras de lucro e sustentabilidade existentes, que permitem perdas de 105 milhões de libras em três anos. A SCR limita os gastos a 85% da receita.

O jornal informou que a PL afirma que a ancoragem seria uma “proteção preventiva que só surtirá efeito se houver uma mudança significativa que coloque em risco a competitividade da nossa liga”.

No entanto, os oponentes rejeitam que exista um problema de competitividade no topo da liga, dada a série de disputas acirradas pelo título, e argumentam que o principal problema está na base, o que seria exacerbado pela ancoragem. 

A oposição afirma que quatro times diferentes se sagraram campeões na última década e acrescentam que cinco das oito vitórias do City foram conquistadas no último dia da temporada. Em relação aos custos do elenco, o clube com os maiores gastos com salários conquistou o título em três das últimas 10 temporadas.

Tal medida, ainda como apontado pelo “Daily Mail”, caso se mantenha como um múltiplo de cinco, significaria que qualquer clube rebaixado estaria automaticamente em descumprimento do que seria um “teto” de 40 milhões de euros com base nos valores de 2023/24.

O jornal reforçou que se o sistema estivesse em vigor, pelo menos quatro clubes — Leeds United, Norwich City, Leicester City e Southampton — teriam violado o sistema.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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