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Não é por milhões de libras que a torcida do Cardiff venderá a tradição do azul em seu uniforme

Vincent Tan ajudou a reerguer o Cardiff City. Foi depois que o magnata malaio passou a investir pesadamente no clube que os galeses retornaram à elite do Campeonato Inglês após 51 anos. Mas não é por isso que os torcedores darão o braço a torcer por um dono com posturas autoritárias e, na maioria das vezes, controversas. Uma das primeiras medidas de Tan à frente do Cardiff foi mudar as cores do clube, de azul para vermelho, assim como o mascote, que de pássaro virou um dragão. Uma intransigência que até hoje não foi aceita pelos galeses e que contou com uma manifestação massiva neste sábado.

Durante os jogos no Estádio Cardiff City, sempre o azul predominou sobre o vermelho, pouco notado nas arquibancadas. Contra o Liverpool, porém, só havia a antiga cor entre os torcedores. Além disso, também foram levadas faixas com dizeres como “O vermelho é morto, continue azul, continue verdadeiro” e “Odeie o vermelho, nós somos azuis”. Nos arredores do estádio, os insatisfeitos também organizaram uma marcha, que contou com a participação de cerca de três mil pessoas.

“Nós esperamos por uma boa repercussão, porque é a primeira vez que todos os grupos de torcedores e a mídia se unem. Mas não é uma marcha contra Tan, e sim em favor da nossa cor tradicional”, explicou Tim Hartley, líder dos torcedores do Cardiff, em entrevista à BBC. “A camisa azul e o pássaro azul no símbolo tem sido parte de uma tradição centenária e não pensamos que eles podem desaparecer. Em uma pesquisa recente, 85% de nossos membros e não-membros queriam uma campanha ativa pelo retorno do azul”.

A diretoria do Cardiff prometeu conversar com os torcedores insatisfeitos, mas ressalta que não quer perdê-los em um momento tão crítico da temporada, com o clube sendo forte candidato a voltar à segunda divisão inglesa. Mas, ao que parece, a tradição representa tanto quanto o sucesso do time para estes milhares que nunca deixaram de apoiar os Bluebirds. E não é pelos milhões oferecidos por Vincent Tan que eles venderão isso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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