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Novas regras sobre concussão na Premier League são ótimas, mas apenas na teoria

O momento em que dois jogadores sobem para uma disputa de bola aérea e suas cabeças se chocam de forma vigorosa está entre os mais agoniantes que podem acontecer em uma partida de futebol. Apesar da gravidade desse tipo de contato, atualmente, o mais comum é que os atletas envolvidos no lance permaneçam na partida. Na Inglaterra, o assunto já deu o que falar, e a discussão avançou para uma série de medidas a serem implantadas a partir da nova temporada que começa no próximo dia 16. Na teoria, todos os itens representam um avanço, mas a pergunta que fica é: na prática, algo de fato irá mudar?

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Na lista de providências estão: a retirada imediata do jogador do campo; a passagem da responsabilidade pela tomada de decisão sobre a continuidade do atleta para o médico da equipe, em vez da comissão técnica; a introdução de um terceiro médico na partida, providenciado pelo time da casa, que ficará a postos para observar em replays o nível de gravidade de um choque, podendo intervir e auxiliar os outros profissionais; o lançamento de uma campanha de conscientização dos riscos de concussões no esporte, liderada pela FA; condução de pesquisas de um médico designado pela Premier League, que deverá se reunir com profissionais dos clubes para a discussão de questões médicas centrais; todos os jogadores deverão passar também por avaliações neurológicas durante seus check-ups anuais.

O debate sobre concussões em jogos de futebol já existe há algum tempo e vem se consolidando. Na Inglaterra, em particular, o caso que catalisou de vez a discussão foi o da dividida entre Romelu Lukaku e Hugo Lloris, em partida entre Everton e Tottenham. O goleiro dos Spurs levou a pior, com sua cabeça se chocando com o joelho do belga. Após perder a consciência por algum tempo, Lloris permaneceu em campo, e a decisão resultou em uma enxurrada de críticas ao clube londrino.

Teoricamente, todos os pontos apresentados de fato representam um melhor cuidado com o assunto e um grande exemplo a ser seguido por ligas de todo o mundo. Na prática, no entanto, há várias questões circunstanciais a serem levadas em conta, que nos fazem pensar até que ponto algo de fato mudará. Vamos fazer um exercício hipotético. Imagine que Arsenal e Manchester United cheguem à 37ª rodada do torneio disputando o título e que na cobrança de um escanteio Ospina acidentalmente acerte um soco na cabeça de Van Persie.

Depois de uns dois minutos sendo atendido, após rapidamente apagar, o holandês gesticula para Van Gaal e todo mundo ver que quer continuar, enquanto, discretamente, o médico dos Diabos Vermelhos indique para o treinador que o atacante precisa sair. Então Van Gaal olha para o placar e vê o Arsenal vencendo por 2 a 1, a dez minutos do fim. Fita então o banco de reservas e vê apenas Chicharito como opção ofensiva. Você realmente consegue visualizar o médico batendo o pé e ordenando a saída do artilheiro, passando por cima da escolha do próprio jogador e da necessidade do time de buscar o resultado? Improvável.

Na NFL, em que a discussão sobre concussões já acontece há muito tempo e é um dos temais centrais de preocupação com os atletas, esse tipo de lesão causou problemas de saúde a jogadores um certo tempo após suas aposentadorias. No ano passado, a liga chegou a um acordo para providenciar assistência médica no valor de US$ 765 milhões a mais de 18 mil ex-atletas, o que foi vetado pela justiça, que considerou a quantia insuficiente. Apesar de tudo isso, não é incomum vermos tomadas de decisão arriscadas após lances de forte impacto na cabeça dos jogadores.

Embora seja difícil imaginar uma mudança real e imediata na Inglaterra, é ótimo que a discussão tenha chegado ao ponto de essas medidas serem tomadas. Esse tipo de colisão no futebol tem se tornado mais comum ultimamente, o que faz com que ainda não vejamos consequências graves a ex-atletas. Talvez por isso o assunto não seja debatido como merece. A atitude da liga inglesa é apenas um primeiro passo local, que pode acabar significando muito a médio e longo prazo. A mentalidade de vitória a qualquer custo precisa de alguns astericos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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