Na dúvida, bola para o grandão

Uma das melhores partidas do Everton na atual temporada foi contra o Manchester United. Os Toffees perdiam por 1 a 0 e acuavam o atual bicampeão inglês. No abafa, o time azul jogava várias bolas na área. Uma delas encontrou a cabeça de Fellaini, que desviou para o gol de Van der Sar.
O belga de origem marroquina Marouane Fellaini é um volante de talento, que marca com bastante determinação. Pela juventude, é um pouco estabanado e toma muito cartão amarelo desnecessário. Mas sua principal característica é ter 1,94 m e excelente impulsão. Isso fez que ele se tornasse em uma solução fácil para os evertonians. Ele avança sem pudor para a área, sabendo que será o alvo prioritário de quem quer que cruze. Tem dado certo, tanto que já marcou três gols nesta temporada.
Esse lado negativo ficou evidente na derrota para o Aston Villa no último domingo. O Everton saiu perdendo logo no primeiro lance do jogo. Arteta falhou na marcação de Sidwell, que chutou de fora da área e abriu o marcador com 35 segundos de jogo.
Jogando em casa, o time de Liverpool passou a pressionar pelo empate. Conseguiu. Tomou o segundo gol quando era melhor, no início do segundo tempo. Conseguiu empatar de novo, aos 47 minutos do segundo tempo. E perdeu com um gol no minuto seguinte.
Ainda que o Everton tenha, de fato, tido sucesso na busca pelo empate em duas oportunidades, ficou evidente como a equipe já se condiciona a jogar de acordo com Fellaini. A única opção ofensiva era cruzar para o volante. O momento mais caricato disso foi quando Phil Neville arremessou um lateral para o belga, que estava espremido por marcadores na linha de fundo e nada poderia fazer naquele instante.
Enquanto isso, o time perdeu tempo demais. A jogada estava marcada, a ponto de o zagueiro dinamarquês Laursen (ex-Verona e Milan) ter sido um dos melhores em campo justamente porque ficou plantado atrás tirando de cabeça todas as bolas aéreas que apareciam. E não foram poucas.
Enquanto isso, os Toffees perderam a oportunidade de variar jogadas. Arteta não é um gênio, mas pode dar um pouco de criatividade e fazer que a bola fique um pouco mais próxima do gramado. Até porque o time ainda pode contar com os apoios de Osman e Neville pelas laterais, abrindo o jogo e dando opções ofensivas.
Quando o jogo se mostra tranqüilo, o Everton usa um pouco mais as armas que têm à disposição. No momento de necessidade, faz justamente o que não deve: se concentra demais em um caminho, que fica óbvio e marcável, facilitando o trabalho do adversário. Mais ou menos como um time de vôlei que levanta todas as bolas para o ponta, para deleite do bloqueio oponente.
O Everton tem uma boa equipe, mas essa falta de opções para reverter os maus resultados minam a campanha do time. Ainda mais em jogos-chave, como o duelo em casa contra o Aston Villa, concorrente direto ao posto de “melhor time fora dos quatro grandes”.
Sunderland sem rumo
Já era esperado e esta coluna até alertou na semana passada. Roy Keane não é mais técnico do Sunderland. O irlandês pediu demissão no meio da semana passada, ainda no rescaldo da derrota dos Black Cats em casa por 4 a 1 para o fraco Bolton.
O ex-meia do Manchester United se mostrou bastante chateado com a situação. Chegou a pedir desculpas aos torcedores e deixou evidente que considerou sua saída o melhor meio para ele e o clube seguirem em frente. Uma situação até esperada diante do bom, mas bastante personalista, trabalho do treinador.
O técnico Roy Keane se parece muito com capitão Roy Keane. O irlandês não perdeu seu espírito de liderança, o modo contundente de impor seus pontos de vista e a idéia de que os jogadores devem se dedicar ao time como se fosse a família. Ou até mais que isso. Tanto que, no final da temporada passada, deixou o clube livre para negociar o meia Liam Miller, um dos melhores do time e elogiado abertamente pelo técnico, por não ser muito pontual nos treinos.
Esse perfil deu muito certo no Sunderland. Keane assumiu na temporada 2006/7, quando os Black Cats estavam na penúltima posição da segunda divisão. O impacto foi imediato. O técnico pediu a contratação de jogadores nos quais tinha confiança e a equipe começou a voar. No final da temporada, o time era campeão do Championship.
Na primeira temporada na Premier League, o Sunderland oscilou demais, mas conseguiu se livrar do rebaixamento com alguma antecipação. O que já está mas que bom para um clube de pretensões discretas.
O problema é que, nesta temporada, já está difícil segurar. Ainda que esteja na zona de rebaixamento, os Black Cats têm boas possibilidades de escapar. O que saltou aos olhos de Keane foi o péssimo desempenho nas últimas semanas. O time havia perdido seis dos últimos sete jogos (um pela Copa da Liga), uma série negativa iniciata imediatamente aós a vitória por 2 a 1 no clássico do norte contra o Newcastle.
A saída de Keane pode deixar o ambiente no Sunderland mais leve, o que pode melhorar os resultados e a motivação. Só que o clube perde um técnico que se apresenta como promissor, e que deu – e talvez ainda pudesse dar – muito pelo clube.



