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Mourinho: “Tem certos treinadores que não ganham nada há dez anos. Meu último título foi ano passado”

Anunciado pelo Manchester United há mais de um mês como o novo comandante técnico da equipe, José Mourinho foi apresentado em Old Trafford na manhã desta terça-feira, onde participou de coletiva de imprensa. Polêmico do jeito que é, logicamente sua primeira entrevista oficial como treinador dos Red Devils não ficaria sem, pelo menos, uma declaração no melhor estilo Mourinho de ser. Durante a conversa, o português falou sobre suas expectativas em relação ao clube, deu sua opinião sobre Wayne Rooney voltar a ser centroavante e aproveitou para cornetar um certo técnico da Premier League que não ganha um título há dez anos, mas sem dar nome aos bois. Nem dá para saber a quem ele se refere, não é?

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“Ser treinador do United não é um emprego dos sonhos. É realidade. Mas é um cargo muito requisitado, e não são muitos que têm essa chance. E eu consegui. Então, sei da responsabilidade que é assumir o comando técnico deste clube e das expectativas”, disse Mourinho, antes de ser perguntado como ele poderia se recuperar depois de deixar o Chelsea pela segunda vez. “Olha, tem certos treinadores que não ganham nada há dez anos. Se a pressão já é grande sobre mim, que não conquisto um título desde o ano passado e tenho tanto que provar, imagine sobre os outros”, respondeu, fazendo alusão à Argène Wenger e renovando a rivalidade com o francês. Wenger comanda o Arsenal há duas décadas, sendo o treinador mais longevo de toda a Europa.

E o técnico dos Gunners não foi o único a quem Mou se referiu. Obviamente o nome de Pep Guardiola, que, a partir da próxima temporada, comandará o time do arquirrival Manchester City, não ficaria fora da coletiva. “Não acho certo falar de um treinador específico, ou de um clube específico, ou até mesmo de um inimigo. É uma coisa para ser feita em uma corrida de dois cavalos, como se eu estivesse na Espanha ou na Itália e tivesse três equipes brigando pelo título. Nesse caso, esse tipo de abordagem faria sentido. Na Premier League isso não faz. Se você focar em um adversário, os outros ficarão rindo de você, então eu não farei isso”, falou o português.

Além disso, Mourinho comentou sobre Wayne Rooney, o qual está a quatro gols de se igualar a Bobby Charlton no recorde de gols marcados com a camisa do United, e que, aliás, já poderia ter alcançado ou ultrapassado essa marca. Pelo menos é o que pensa o treinador. “Há muitas funções no futebol. Principalmente no campo. Aquela que é mais difícil de encontrar é a do cara que põe a bola na rede. A qualidade e as características dos jogadores mudam conforme os anos vão passando, e é normal que um jogador na idade dele (Rooney tem 30 anos) mude um pouco, mas há algo que nunca muda: o apetite natural de colocar a bola no fundo da rede. Pode até ser que ele não seja mais um goleador, um número nove, mas, comigo, ele nunca será um número seis, que joga a 50 metros de distância do gol, como fez ao longo da última temporada”, disse.

Apesar dos vermelhos de Manchester terem vencido a Copa da Inglaterra sob o comando de Louis Van Gaal, o holandês não foi capaz de colocar o time na zona de classificação para a Champions League no campeonato inglês. Portanto, os objetivos de “Special One” se limitam às duas principais competições nacionais e à Liga Europa. Poderia ser pior, lógico, mas é isso que afligia o técnico em relação ao clube. “Me sinto um pouco frustrado de não poder disputar a Champions. Não vou negar. Ainda pretendo alcançar o recorde de Alex Ferguson em número de partidas pela liga”, confessou. “Esta será a única temporada que não participaremos do torneio. O Manchester United é um clube de Champions League”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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