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Mourinho em mais um de seus choros: agora diz haver complô contra o Chelsea

Na rodada em que os três primeiros colocados da Premier League tropeçaram e ficaram apenas no empate, qualquer uma das três equipes poderia ter saído com um baita motivo para comemorar, mas, por algum detalhe, todas elas deixaram a oportunidade escapar. No caso do Chelsea, líder da competição, o lance que mais chamou a atenção foi a simulação de Fàbregas, que tentou cavar um pênalti, mas acabou arrumando apenas um cartão amarelo. Vendo o replay, não há controvérsia: o espanhol de fato se atirou. Não para José Mourinho.

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Especialista no choro pós-jogo, o português alegou haver uma campanha (sim) para que os Blues sejam taxados como simuladores. Uma rápida observada no retrospecto desta primeira metade de temporada, no entanto, mostra que, se há uma movimentação para que o time londrino fique conhecido dessa maneira, isso está partindo apenas das próprias simulações de seus jogadores. Como em outras oportunidades, o técnico parece fechar os olhos para a realidade. E exagera na análise, como fica claro em sua entrevista após o empate no Estádio St. Mary’s.

“Em outros países em que trabalhei, nos jornais do dia seguinte haveria um escândalo na primeira página, porque é um escândalo. Acho que é um escândalo porque não foi um pênalti pequeno, foi um pênalti grande como o Big Ben. Neste país – e eu estou feliz com isso, mais do que feliz -, dizemos apenas que foi um grande erro com grande influência no resultado. Vou ao árbitro e desejo a ele um bom ano e lhe digo que ele ficará envergonhado”, criticou.

“Acho que é, claramente, o resultado de algo que parece ser uma campanha. Na primeira partida, o Diego (Costa) levou um cartão amarelo quando deveria ter sido marcado um pênalti e dado o cartão vermelho, contra o Burnley. Alguns meses depois, perdemos dois pontos em uma partida em que o pênalti aconteceu, e o Fàbregas leva o cartão amarelo”, completou Mourinho.

Lance do cartão para Fàbregas:

Como você pode ver no vídeo acima, a simulação de Fàbregas é clara. Esse lance de Diego Costa, citado por Mourinho, também foi apenas uma tentativa do brasileiro de ludibriar o árbitro, embora menos clara que a do espanhol. Mais recentemente, contra o Hull City, no Stamford Bridge, Gary Cahill, que já tinha um amarelo, simulou pênalti, e o juiz simplesmente ignorou, naquela hesitação de expulsar um jogador do time da casa. A alegação de “campanha”, portanto, é completamente infundada. Não é à toa que os Blues lideram o ranking de cartões por simulação, com seis amarelos já recebidos dessa maneira.

Entretanto, as palavras do técnico não podem ser mal interpretadas como apenas uma observação equivocada. Faz parte do jogo de Mou, e poucos sabem jogá-lo como ele. Recentemente, quando Diego Costa vivia grande fase e a mídia e os torcedores focavam no brasileiro, Mourinho foi esperto ao, em uma só declaração, de maneira sutil, elevar o moral de seu elenco e passar ao atacante a impressão de que ainda tinha o que provar: “Diego Costa não é nada sem seu time”.

Mourinho não tem preocupação em ser coerente. Apesar de seu pragmatismo e de ter conquistado grandes vitórias armando uma grande retranca, não hesita em criticar os adversários que fazem o mesmo, chamando até mesmo de “futebol do século XIX”. Isso é parte de sua figura. É um cara esperto na escolha de palavras e normalmente consegue aproveitar suas entrevistas para articular coisas que pretende para si e seu time. E, para falar a verdade, é até melhor que seja assim. Mourinho é extraordinário como técnico, mas não seria o Special One sem essa faceta descarada.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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