Inglaterra

Mings e Andy Cole engrossam coro por diversidade no futebol após renúncia de presidente da FA por comentário racista

O futebol inglês, a exemplo de outros países, tem um problema de falta de diversidade em suas lideranças, e só recentemente isso passou a ser discutido com certa frequência. É neste contexto que o comentário controverso de Greg Clarke, presidente da FA que acaba de renunciar por causa de suas palavras – se referindo a atletas de minorias étnicas como “jogadores de cor”, em uma audiência com o governo britânico –, chega para servir de momento de reflexão e possivelmente impulsionar novas políticas. Pelo menos é o que algumas figuras do futebol na Inglaterra esperam.

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Em entrevista coletiva da seleção inglesa na terça-feira (10), Tyrone Mings, zagueiro do Aston Villa, condenou o comentário de Greg Clarke e falou sobre a necessidade de se responder ao problema de falta de representatividade de minorias étnicas no futebol inglês com maior igualdade de oportunidades. Questionado sobre a possibilidade de uma pessoa negra assumir o comando agora vago da Federação Inglesa, o defensor deu as boas-vindas à ideia, mas afirmou que se pessoas de minorias étnicas tivessem ao menos as mesmas chances já haveria progresso.

“Claro que seria um passo enorme (ter um presidente negro da FA). Seria tudo pelo que as pessoas têm trabalhado. Não estamos pedindo que o próximo presidente seja necessariamente negro. O que estamos pedindo é por igualdade de oportunidades para pessoas negras e brancas, ou pessoas de outras minorias étnicas.”

Mings esteve envolvido na criação do Código de Diversidade de Lideranças no Futebol da FA, lançado em outubro. O código incentiva clubes a ter sua própria estratégia de igualdade, inclusão e diversidade, com metas que podem ser relatadas e revistas anualmente. O código exige que 15% das novas contratações executivas sejam de pessoas negras ou de outras minorias étnicas, com 30% sendo mulheres. Além disso, demanda que 25% das contratações para cargos de comissão técnica no futebol masculino sejam de minorias étnicas e que, no futebol feminino, 50% dos novos cargos na mesma categorias sejam reservados a mulheres.

“O objetivo é ter mais representatividade em cargos de gestão e de comissão técnica. Acho que é isso que estamos tentando criar com o código e penso que é isso que nos dará uma verdadeira mudança duradoura. Não faz sentido colocar alguém ali, ver a pessoa falhar e dizer: ‘Bom, nós tentamos’. Trata-se de como podemos melhorar o processo.”

Várias figuras do futebol inglês reforçaram este coro, uma delas sendo Andy Cole. Em entrevista à BBC, o ex-atacante do Manchester United afirmou que a responsabilidade está agora com a FA, que precisa responder à polêmica de seu ex-presidente com ação efetiva.

“Acho que cabe inteiramente a eles. Eles estão agora em posição de fazer isso (promover maior diversidade no futebol). Infelizmente, isso veio da maneira que veio (com a renúncia de Greg Clarke após fazer referência a ‘jogadores de cor’), mas eles têm falado de diversidade há algum tempo e agora estão em posição de ver como podemos avançar na FA, o que eles estão preparados para fazer sobre isso?”

“Precisamos progredir agora. Espero, vendo o que estamos atravessando, que dentro de seis meses haverá progresso e quero ver onde estamos. Eu balanço minha cabeça e só dou risada, porque ele (Clarke), na posição em que estava, deveria ser melhor do que isso. Ele estava lutando pela causa da diversidade”, destacou Cole.

“Nós costumávamos vestir camisetas uma vez por ano ou sei lá, e isso não é o suficiente. É isso que eu penso. Quando falamos de progresso, significa que devemos realmente progredir”, encerrou.

Como exemplo do problema atual, apenas cinco dos 92 clubes das quatro primeiras divisões inglesas têm técnicos negros ou de outras minorias étnicas.

No passado recente, outras vozes se levantaram contra a estrutura excludente do futebol inglês, entre elas a de Raheem Sterling, que afirmou que o que faltava ao esporte no país era “não apenas se ajoelhar (antes dos jogos contra o racismo), mas, sim, dar às pessoas a chance que elas merecem”.

Como apontaram Mings e Cole, o momento é mais oportuno do que qualquer outro até agora, e é hora de observar como aqueles que comandam o futebol inglês respondem.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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