Inglaterra

Millwall condena seus torcedores que vaiaram protestos contra o racismo: “Consternado e triste”

Pensando bem, uma hora aconteceria. Talvez surpreenda ter sido tão rápido. Os protestos contra o racismo, motivados pela morte de George Floyd em maio, chegaram às ligas esportivas durante a pandemia. Na Inglaterra, pelo menos, ainda não tinham sido exibidos diante de torcedores, o que aconteceu neste fim de semana. E logo de cara, torcedores do Millwall vaiaram o ato dos jogadores do seu próprio time e do Derby County, no último sábado, pela segunda divisão.

Desde que o futebol inglês foi retomado, em junho, os jogadores dos dois times têm se ajoelhado antes do apito inicial em todas as partidas, repetindo o famoso ato de Colin Kaepernick, ex-jogador de futebol americano. Onde os torcedores voltaram aos estádios antes, como nos Estados Unidos, houve controvérsias quando, por exemplo, torcedores do Dallas vaiaram o protesto antes de um jogo contra o Nashville, pela Major League Soccer.

E bastou apenas um fim de semana na Inglaterra para termos algo parecido. Não dá nem para dizer com tanta certeza que foi apenas parte da torcida do Millwall porque apenas 2.000 pessoas estavam no The Den e a vaia parece ter sido bem generalizada.

“O Millwall está consternado e triste pelos eventos que mancharam o jogo de sábado contra o Derby County. O clube trabalhou incansavelmente nos últimos meses para preparar o retorno dos torcedores e o que deveria ser uma ocasião positiva e empolgante foi completamente ofuscada, para a imensa decepção daqueles que contribuíram para esses esforços”, afirmou o clube em um comunicado.

“O impacto desses incidentes é sentido não apenas pelos jogadores e treinadores, mas por aqueles que trabalham no clube, na categoria de base e na comunidade, em que muitos funcionários e voluntários continuam empenhados em melhorar a reputação do Millwall todos os dias, todos os anos”.

“O clube não permitirá que o trabalho deles seja em vão. Os jogadores continuarão a usar a maior plataforma que tiverem para apoiar a busca por mudanças, não apenas no futebol, mas na sociedade no geral. Há muito trabalho a ser feito, e todos no Millwall estão comprometidos em fazer tudo que seja possível, individual e coletivamente, para ser uma força pelo bem e para garantir que o clube continue na vanguarda dos esforços contra a discriminação”.

“Nos próximos dias, vamos nos reunir com a Kick It Out (entidade anti-racismo no futebol) e representantes de outros órgãos adequados para tentar usar os eventos de sábado como um catalisador para soluções mais rápidas que tenham um impacto em curto e longo prazo”, completou.

Wayne Rooney, treinador interino do Derby County, que venceu o jogo por 1 a 0, afirmou que ficou surpreso com a reação dos torcedores. “Todos no Derby County apoiam o ato de ajoelhar. Tenho certeza que foi difícil para nossos jogadores ouvir aquilo, mas eles reagiram bem, conseguiram não pensar muito nisso e se concentraram no jogo, então créditos a eles, mas eu não acho que isso é aceito no futebol”, disse, à TalkSport.

Ao Guardian, o presidente da Kick It Out, Sanjay Bhandari, elogiou os jogadores por “desafiarem o ódio de alguns torcedores” e que isso demonstra que “os jogadores têm razão em continuar se posicionando contra a discriminação, se ajoelhando ou falando”.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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