Inglaterra

Mercado tranquilo

Faltam duas semanas para o começar a Premier League 2010/11, e outras tantas para o fechamento da janela de transferências e, até aqui, só quem contratou foi o Manchester City. Do total estimado de 150 milhões de libras torrados por clubes da liga, os Citizens foram responsáveis por nada menos que 76 mi, ou seja, mais da metade.

Mais até do que isso, vale nota o fato de que o gasto até aqui dos “três grandes” (isso, o Liverpool foi rebaixado nesta temporada) não é, por exemplo, muito maior que o dos Wolves, ou do Wigan. Times como Tottenham, Newcastle e o próprio Liverpool, que deveriam estar em atividade mais frenética, ou estão esperando os últimos dias da janela para contratar, de uma só vez, Marlos e Dagoberto ou realmente decidiram apostar em alternativas internas. O que, claramente, é o caso do Manchester United.

É claro que há que se contextualizar a aposta dos Red Devils. Há vários motivos “não-ideológicos” para a equipe até aqui ter contratado apenas “Chicharito” Hernandez e Chris Smalling., de, respectivamente, 22 e 20 anos. A primeira, claro, é a falta de dinheiro. A segunda, que vale para todos os times e que deve ter impacto importante neste início de temporada, é a nova norma da Premier League que estabelece que os times terão, a partir desta temporada, um elenco de no máximo 25 jogadores, e que nada menos do que oito deles terão que ser formados no clube.

Entende-se por formado no clube o jogador que tiver treinado no clube por pelo menos três anos até a temporada em que completar 21 anos. A regra, portanto, valerá para Smalling, se até lá ele ainda estiver no clube. Mas não para Hernandez.

Não é à toa, portanto, que estejam aparecendo nos amistosos de pré-temporada dos Devils nomes como Cleverley ou Welbeck. Se em outros momentos eles até poderiam aparecer ocasionalmente, nesta temporada isto será obrigatório, principalmente para os times que disputam competições européias. E que, como o United, tenham um elenco com numerosos jogadores que não poderão atuar sempre.

Giggs, Scholes e Neville, curiosamente, entram na cota dos oito criados em casa. Por outro lado, custarão três posições no elenco de 25, sem que possam estar sempre presentes. A história, entretanto, poderia ser pior, e será com o Chelsea, que tem em seu elenco pouco jogadores revelados pelo clube, e que provavelmente não terá 25 jogadores para inscrever. No caso dos Blues, cria-se, ainda, uma situação curiosa, já que, como lembra David Hytner, do Guardian, os jogadores jovens com maior potencial são todos estrangeiros.

A nova regra é controversa até por isso. Nada impede os clubes de importarem adolescentes a rodo, esperando que algum deles possa vingar para depois increver. Mais: jovens que poderiam ser titulares na segunda ou terceira divisões não mais serão emprestados, ou seja, podem perder boa chance de desenvolverem seu futebol antes de jogarem pelo time grande.

A nova regra da Fifa e a falta de dinheiro, porém, não são os únicos componentes da política de não contratações do United. O clube contratou mal nos últimos anos, e agora tem um elenco recheado de Nanis, Andersons e Valencias. Assim, antes de trazer novos é necessário se livrar dos velhos.

Ainda assim, sempre será difícil de explicar por que, se é para contratar um cara só, se contrata um mexicano. “Ah, mas Chicharito é ótimo, tem talento!”. Pois é, Giovanni dos Santos, que pelo menos tinha “sangue” brasileiro, também tinha. O maior jogador mexicano de todos os tempos? Hugo Sánchez. O Segundo? A não ser que venha a ser Chicharito, o United, de novo, jogou o pouco dinheiro que tinha fora.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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