Inglaterra

Membro do Império Britânico: Rashford é condecorado pela rainha por seu trabalho combatendo a fome infantil

Marcus Rashford agora é um membro do Império Britânico que, como o Manchester United, já teve dias melhores. O atacante de 22 anos foi incluído na lista de homenageados do aniversário da Rainha Elizabeth II, que seria publicada em junho, mas foi adiada para considerar ações de destaque no combate à pandemia de Covid-19, como os esforços do garoto para enfrentar a pobreza e a fome infantil no Reino Unido.

Durante a quarentena, Rashford pressionou o governo do primeiro-ministro Boris Johnson a manter um programa de refeições gratuitas para jovens carentes. Conseguiu que os vouchers fossem mantidos e seguiu trabalhando para tentar evitar que crianças passem fome organizando uma força-tarefa de marcas alimentícias britânicas e trabalhando em proximidade com instituições especializadas no assunto, como a Fare Share.

Rasfhrod havia se tornado doutor ao receber um título de honoris causa da Universidade de Manchester. Agora, ganhou um MBE (Membro da Mais Alta Ordem do Império Britânico), a mais baixa das quatro condecorações entregues pela monarquia a civis com contribuições relevantes à sociedade. É superada por Oficiais, Comandantes e Cavaleiros ou Damas – que é quando a pessoa pode usar o “sir” antes do nome, como Alex Ferguson e Pelé, ou “dame”, como as atrizes Judi Dench e Maggie Smith.

Ex-jogadores como Frank Lampard, David Beckham, Steven Gerrard, Alan Shearer, Kelly Smith, Faye White, Rachel Yankey e Karen Carney receberam diferentes níveis de condecoração, assim como toda a seleção campeã do mundo de 1966 e outros nomes famosos do futebol masculino, como Kenny Dalglish, recentemente declarado cavaleiro, Henrik Larsson, Peter Schmeichel e Gianfranco Zola.

Entre atletas homens ainda em atividade, segundo o diário oficial, apenas Steven Davis e Jermain Defoe, do Rangers, e Harry Kane, do Tottenham, contam com a honraria. Entre as mulheres, Loren Dykes, do Cardiff, Steph Houghton e Jill Scott, do Manchester City, e Fara Williams, do Reading.

E Rashford, que, ao contrário da maioria dos jogadores de futebol, não foi homenageado por saber chutar uma bola com maestria, mas por ser uma pessoa maravilhosa.

“Estou incrivelmente honrado e humilde. Como um jovem garoto negro de Wythenshawe (região da Grande Manchester), nunca pensei que receberia um MBE, ainda mais um MBE aos 22 anos. É um momento muito especial para mim e para minha família, mas particularmente para minha mãe, que é quem realmente merece esta honra”, afirmou, em uma publicação nas redes sociais.

Rashford foi indicado à honra justamente pelo primeiro-ministro Boris Johnson e, como é muito pouco bobo, não deixou que sua mensagem fosse neutralizada pelo gesto do político. Ao contrário, aproveitou a ocasião para aumentar a pressão para que Johnson mantenha o programa de refeições às crianças durante o half-term de outubro, período de aproximadamente dez dias durante o mês em que as crianças não têm aulas.

“A luta para proteger nossas crianças mais vulneráveis está longe do fim. Eu estaria sendo injusto com minha comunidade e com as famílias que conheci e com as quais conversei se não usasse esta oportunidade para pedir ao primeiro-ministro, quem me recomendou para esta honra, que ajude nossas crianças durante o half-term de outubro, com o programa de auxílio do governo chegando ao fim e o crescimento do desemprego”.

“Seria apenas outro esparadrapo, mas que daria aos pais de milhões de crianças no Reino Unido uma coisa a menos com que se preocupar. Vamos nos unir para dizer que nenhuma criança no Reino Unido dormirá com fome. Como disse várias vezes, não importa seu sentimento ou opinião, não ter acesso a comida NUNCA é culpa da criança”, encerrou.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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